A três meses para o início do verão, a maior preocupação dos comerciantes e moradores do balneário de Meaípe, em Guarapari, é ficar sem praia mais uma vez.
Atualmente, na maré mais baixa, em alguns lugares, a extensão de areia chega a cinco metros, mas em outros momentos não é possível nem ao menos ter acesso à praia.
A solução para a orla voltar a ter faixa de areia de 50 metros de extensão seria com as obras de engordamento, que é a recolocação da areia na praia, mas que ainda não têm data para começar.
“Hoje não temos praia. É triste para nós moradores e ainda mais triste para os comerciantes que dependem da praia para ter turismo. Está difícil acreditar nas promessas de obras”, disse o pescador Roberto Dias, de 68 anos.
Para o físico nuclear e coordenador dos projetos em torno das areias monazíticas presentes também na praia de Meaípe, o professor Marcos Tadeu Orlando, as obras de engordamento seriam a solução para voltar com a faixa de areia, mas é preciso seguir com os estudos para saber a real causa de a areia ter desaparecido em poucos anos.
“O engordamento é uma solução, e precisa ser feito com as mesmas características da areia encontrada na praia. Primeiro, a qualidade da areia é que vai definir o engordamento correto. Depois, precisamos desenvolver um trabalho de estudo para entender de fato como essa areia vai deixando a orla, porque não dá para ficar refazendo o engordamento a cada 20, 30 anos. Precisamos encontrar as causas e soluções para que esse engordamento seja definitivo”, explicou.
Há alguns anos, uma equipe do professor Marcos Tadeu fez estudos no fundo do mar de Meaípe e descobriu que há areia com as mesmas características para fazer o engordamento.
“Fizemos o levantamento com os barcos e vimos que na profundidade de 15 metros, a uma distância de 100 a 200 metros da praia, temos a areia com as mesmas características”, revelou.
Segundo o Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), responsável pelas obras, o processo licitatório para contratação da empresa está em fase final.
“Vamos ficar sem turistas”
Presidente da Associação de Moradores de Meaípe, Vinicius Brina disse que a preocupação só aumenta com a aproximação do verão.
“Estamos ficando cada vez mais em cima do verão. Vemos que por mais um ano não teremos as obras tão sonhadas, tão necessárias. A gente vive do turismo, temos os melhores restaurantes do Estado, mas não teremos praia mais uma vez. Vamos ficar sem turistas”.
Saiba mais
Histórico
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A praia de Meaípe é castigada há anos com as erosões causadas pelas fortes ondas que atingem a costa e destroem o quebra-mar. Castanheiras centenárias foram derrubadas pelas ondas.
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O muro de Meaípe foi destruído em partes. Nos últimos cinco anos, a situação foi piorando. Em 2016, caiu a primeira parte e foi reconstruída. Em 2017, a erosão aumentou derrubando outra parte, que também foi reconstruída.
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Em 2018, mais uma parte do muro caiu, levando a maioria das castanheiras e derrubando postes. Em 2019, outra ressaca fez um estrago maior, e além de derrubar o muro, a água entrou nos comércios. O último muro ficou pronto em 2020.
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Próximo à praia de Meaípe, na Rodovia do Sol, uma cratera se abriu.
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Em julho de 2019 um carro caiu na areia da praia. Em agosto, um segundo veículo caiu também na areia, e foi retirado pelo caminhão-muque.
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Com as obras, a expectativa é que a praia possa ter uma extensa faixa de areia, e as ondas não cheguem ao quebra-mar com tanta força.
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O edital para as obras de recuperação da rodovia e o processo de engordamento foi anunciado pelo governador Renato Casagrande em fevereiro deste ano, mas até agora as obras não começaram.
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Segundo o DER-ES, o processo licitatório das obras está em fase final, mas ainda não há uma data para o início das obras.
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A três meses do verão, a maior preocupação dos moradores e comerciantes é ficar sem praia mais uma vez.
Fonte: Pesquisa a AT e DER-ES.

