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RISCO EM PRAÇAS

Moradores reclamam de infestação de pombos

Aves estão tomando conta de praças da Grande Vitória. Médicos alertam que contato com fezes pode provocar doenças

O professor aposentado Vital Toffoli, 74, conta que os pombos ficam próximos a crianças, sobem nas mesas e incomodam os frequentadores

Última atualização

As praças da Grande Vitória atraem moradores em busca de ar fresco, diversão e encontro com amigos. Os passeios incluem, no entanto, um contato indesejado: com os pombos. Moradores reclamam da infestação dessas aves e temem a contaminação por doenças.

 













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De acordo com médicos, o contato com as fezes dos pombos pode causar complicações pulmonares e gastrointestinais, além de dermatites e alergias na pele.

A contadora Theodora Almeida, 60, é moradora de Coqueiral de Itaparica, Vila Velha, e se diz incomodada com a quantidade de pombos em frente à sua casa, na praça do bairro. Ela conta, inclusive, que é difícil sentar em quiosques do local e fazer um lanche por conta da infestação de pombos. 

“A prefeitura até fez limpeza com repelente na praça e no posto de saúde, mas já tem muito tempo. Às vezes, a situação é tão crítica que não podemos fazer um lanche aqui. Muitos moradores, inclusive, não têm noção e continuam alimentando os pombos”.

O médico infectologista Luís Henrique Borges explica que a principal doença transmitida pelas fezes de pombos é a criptococose. Causada por fungos, a doença provoca febre e tosse seca e, em alguns casos, pode levar a casos de pneumonia. Há risco de insuficiência respiratória, explica.

“Em casos graves, pode ser necessária a internação em UTI. Pessoas imunodeprimidas são mais propensas a desenvolver a doença. A infecção é mais frequente em locais fechados, mas é preciso cuidado em todos os locais”.

A forma de infecção pela criptococose é por via respiratória, explica o médico infectologista do Hospital São José Eduardo Pandini. Ele explica que a doença é rara, mas existe até o risco de morte. Ele alerta que o tratamento pode durar semanas, a depender da imunidade de cada paciente.

“Além do quadro pulmonar, há outros riscos. O contato direto das fezes do pombo na pele pode causar dermatites. É preciso, também, cuidado no contato com as penas do animal, que podem causar alergias”.

As prefeituras das cidades da Grande Vitória dizem que não podem capturar e nem exterminar os animais. Elas orientam que a população não alimentem os pombos.

Professor aposentado teme doenças

O professor aposentado Vital Toffoli, 74, é morador de Jardim da Penha, em Vitória, e frequenta a Praça Regina Frigeri Furno para caminhadas e conversas com os amigos. A companhia inesperada de pontos, no entanto, incomoda o morador.

Ele conta que os pombos ficam próximos a crianças, sobem nas mesas e incomodam todos os frequentadores.

“Infelizmente, a prefeitura nem tinha noção do problema na praça. Já liguei para reclamar várias vezes. Tenho medo de contrair doenças das fezes de pombo e vejo muitas crianças brincando na areia do parquinho, com contato direto com essas fezes. Não é feita limpeza com repelentes, pastilhas e granulados”.

Fala, Leitor!

 

“O parquinho das crianças tem muitos pombos, dá até medo de doenças. A limpeza da praça poderia ser melhor.”

Uenderson hubner, 37, empresário

“Os pombos da praça chegam a subir nas mesas. Tenho medo de doenças e receio pelas crianças, que correm atrás deles.”

Glória Mello, 62, comerciante

 

“Os pombos até passam por cima do nosso corpo. É perigoso, há muitas doenças que podemos pegar pelo contato.”

Alonso gomes, 71, aposentado




É proibido alimentar pombos em Vitória

Doenças

O contato com as fezes de pombos pode causar complicações  pulmonares, gastrointestinais e até, em casos graves e raros, neurológicas.

Criptococose

A principal doença transmitida pelas fezes de pombos é a criptococose. Causada por fungos, a doença provoca febre e tosse seca e, em alguns casos, pode levar a casos de pneumonia. Há risco de insuficiência respiratória. 

O tratamento pode demorar semanas e  inclui remédios para doenças fúngicas e, em casos graves, internação em UTI e medicação endovenosa.

Salmonella

É mais frequente com a ingestão de alimentos mal lavados e mal cozidos, mas, ao tocar nas fezes de pombo e levar as mãos à boca, é possível ser infectado. Comer alimentos que caiam no chão também oferece o risco de infecção.

A doença causa  diarreias frequentes, leves ou intensas, com febre. O tratamento requer avaliação médica e a medicação é sempre endovenosa.

 Encefalite

Acontece apenas em casos muito raros. A doença acomete o sistema nervoso central e causa sonolência, dor de cabeça e febre. É um quadro perigoso e pode ser até fatal. O tratamento é feito com antibióticos.

Lei

Desde 2019, é  proibido alimentar e construir abrigos para pombos em Vitória. Não há multa, apenas advertência.

Fonte: Especialistas consultados e prefeitura.

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