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Elas ocupam os lugares que desejam. Nas Forças Armadas, apesar de ser um ramo majoritariamente masculino, mulheres têm ocupado cada vez mais espaço em diferentes áreas.
O número de mulheres no 38º Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, em Vila Velha, dobrou nos últimos cinco anos. Em 2017, eram 17 mulheres integrando o batalhão; neste ano, já são 35. Nos cargos de chefia, a proporção também aumentou: subiu de três para sete.
No Dia Internacional da Mulher, a reportagem conversou com quem se orgulha da carreira.
Em 20 anos de experiência no Exército, a 1º sargento de Saúde do Batalhão, Daniella Trabach Silva, 39, contou sobre a profissão.
Em sua trajetória profissional, um dos eventos mais marcantes foi uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, em 2016. “É uma sensação de muito orgulho e de me sentir capaz de fazer qualquer coisa”, ressaltou.
O sonho de ser médica do Exército foi alcançado por Bárbara Rodolfo, 45, hoje chefe do Posto Médico de Guarnição de Vila Velha do 38º Batalhão de Infantaria.
A capitã, ginecologista, tem 15 anos de carreira no Exército. Ela ressaltou que a área da saúde era a que mais tinha mulheres, mas que hoje há presença feminina em todos os setores. “A mulher traz um pouco de leveza para o serviço”.
Mas, atuar em uma área com predominância masculina também tem desafios. Segundo a chefe da seção de Saúde do Batalhão, a tenente Amanda de Oliveira Mendes, 28, as mulheres precisam ter uma postura séria e se impor.
“Chefiar uma seção em um ambiente predominantemente masculino é bem difícil, porque, muitas vezes, as pessoas têm um olhar diferente por sermos mulheres”.
Há sete anos no Exército, a 3º sargento música, Carina Condé, 25, destacou que o preconceito acontece principalmente fora dos quartéis. “Até familiar, porque uma parte da sociedade encara a mulher como um sexo frágil”.
O sonho levou a cabo música Dayane Bacelar, 24, a entrar nas Forças Armadas. “Eu sempre quis ser militar”, disse Dayane.
No Batalhão, atualmente, enquanto há 35 mulheres, são 601 homens em serviço.
O comandante do Batalhão, Rodrigo Pevalva, 46, pontuou que essa diferença ocorre em razão de o serviço militar ser obrigatório para homens.
“Mas, essa diferença está diminuindo a cada dia. As mulheres são excelentes gestoras e administradoras e têm mais atenção. O Exército é grande e precisa de todos”.
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Instrutora de salvamento aquático
A capitã do Corpo de Bombeiros Gabriela Andrade, 34, é a única mulher instrutora do curso de salvamento da corporação. Ela conta que se sente muito honrada no posto. “Lido muito bem em trabalhar nesse ambiente majoritariamente masculino. Acredito que, com nossa competência e mostrando trabalho, conquistamos o nosso espaço”, disse.
A capitã é especialista na área de salvamento aquático e contou que ouviu muitas pessoas duvidarem de que conseguira se formar no curso por ser mulher. “Sabia que conseguiria e que o fato de ser mulher não teria impacto no resultado. Hoje, sou instrutora nesse mesmo curso”.
Exemplos na profissão
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“Ainda temos dificuldades”
Há 23 anos, quando chegou no quartel, a major Samiramis Baldotto, 45, encontrou um cenário diferente do que vê hoje na Polícia Militar. Mas, ela acha que ainda há o que melhorar.
“Era um ambiente bem mais masculino. Hoje, com a entrada de mais mulheres na polícia, já melhorou bastante, mas ainda temos dificuldades. Por ser uma profissão masculinizada, a gente tem sempre de mostrar mais do que os homens para ser tratada igual”.
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“A luta continua”
Fazer parte da Polícia Civil sempre foi um sonho para a delegada Cláudia Dematté, que hoje é chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e referência no Estado quando o assunto é proteção à mulher.
“Sou apaixonada pela minha profissão! Não queremos que a igualdade entre homens e mulheres esteja apenas na lei. Por mais que se tenha avançado muito, ainda temos lutas a serem feitas. Enquanto tiver mulher subjugada e agredida, nós estaremos trabalhando”.