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Por vezes, confiar demais pode ser encarado com um ato de ingenuidade e fraqueza. Mas a falta de confiança nada tem a ver com ser fraco. É o que afirma o psicólogo Alexandre Vieira.
“Preservar a confiança é parte dos processos da vida e importante para a saúde mental. Confiar é preciso, e não se deve confundir confiança com fraqueza ou tolice, mas enquanto um modo de investir nos próprios sonhos. Afinal, nem tudo pode nos oferecer garantias ou certezas, e a confiança pode ser aquilo que nos oferece motivos para seguir em frente”.
E ainda completa: “Da mesma forma que confiar não depende de comprovações, a desconfiança corre o risco de permanecer mesmo diante de comprovações sobre a lealdade da relação”, ressalta.
É preciso estar atento aos sinais para não ser enganado repetidas vezes, mas confiar é preciso, segundo a psicóloga Ana Carolina Souza.
“Não é necessário confiar cegamente, mas é preciso entender que podemos ser traídos ou enganados em algum momento. Precisamos estar atentos aos detalhes dentro de um diálogo com o outro e saber dosar até que ponto podemos confiar ou não”.
A neuropsicopedagoga Geovana Mascarenhas diz que há situações que justificam manter um pé atrás, mas se fechar completamente pode prejudicar as relações e levar a uma situação de solidão.
“Nem sempre desconfiar é ruim. Mas quem se fecha o tempo todo para a possibilidade de acreditar nas outras pessoas pode acabar mais sozinho do que gostaria. Ou seja, deve ter um equilíbrio na maneira de ver e acreditar no outro, pois da mesma forma o outro também precisa confiar em nós”.
Tal comportamento pode levar a pessoa a não progredir no seu plano pessoal, avalia o psicólogo e colunista de A Tribuna Cláudio Miranda.
“Quem desconfia exageradamente corre o risco de se isolar e não progredir no plano pessoal. A falta de confiança isola as pessoas e as torna solitárias. Há uma força no grupo que protege e coopera. Quando a pessoa deixa de experimentar isso ela pode ter perdas psicológicas, cognitivas afetivas e comportamentais”.
O psicólogo Nelson Campos Júnior pontua que as experiências negativas vividas ao longo da vida formam um conjunto de ferramentas e a desconfiança se torna uma defesa. “Nem sempre a desconfiança é tóxica”, diz.