Uma nova chance de viver, pela terceira vez. É assim que a auxiliar administrativa Thallyta Régilla Miranda Ferreira, de 29 anos, enxerga a mais recente vitória de sua vida.
Como presente de Natal, a família, que mora em Vila Velha, comemorou a alta hospitalar de Thallyta, no dia 23 de dezembro, após 65 dias internada, sendo 44 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), depois de ter sido infectada pelo novo coronavírus. Ela teve 80% do pulmão comprometido.
“Nasci de novo, pela terceira vez”, afirma. A comemoração de Thallyta vem acompanhada das lembranças de outras batalhas: uma gravidez de alto risco, que quase custou sua vida e a do filho, Francisco, 6; e um transplante de rim, doado pelo marido, em agosto de 2018, já que ela tinha uma deficiência renal. A história foi noticiada pelo jornal A Tribuna, em março do ano passado.
Só que, desta vez, a mãe da auxiliar administrativa, a empresária Rônia Miranda, 50, e o pai, também empresário, Reginaldo Ferreira, 52, tiveram medo de perder a filha. “Ela teve picos de piora e achamos que não ia dar. Mas nunca perdemos a esperança e a fé. Se hoje ela está com a gente, foi por milagre”, destaca Rônia.
A empresária relata que a filha começou a passar mal no dia 19 de outubro, quando foi hospitalizada, e recebeu alta no dia 23 do mesmo mês. “Na quinta-feira daquela semana eu testei positivo e nem pude buscá-la. Ela tinha feito o teste, mas o resultado ainda não tinha sido entregue quando a liberaram. Só que ela estava com diarreia e a pressão baixa. Então, na segunda-feira, o pai a levou ao hospital, onde ela foi novamente internada”.
Como é transplantada, Thallyta passou por exames para saber se não era nenhum problema com o rim, mas nada foi constatado, e ela fez outro teste para Covid. “No dia 25 de outubro, ela foi internada, e no dia 27, já estava sendo entubada. No outro dia, já começou a fazer hemodiálise, porque seu rim não funcionava mais. Foram dias bem difíceis”, relata Rônia.
“Ela estava tratando uma depressão e precisou ir várias vezes ao hospital”, conta a mãe. Após lutar pela vida, Thallyta conseguiu vencer a doença e hoje agradece por mais uma vitória. “O médico disse que estou viva por um milagre”.
Após conseguir passar por uma gravidez de alto risco e receber um novo rim, a auxiliar administrativa Thallyta Régilla Miranda Ferreira, 29 anos, enfrentou um novo desafio: a Covid-19.
Ela ficou mais de 60 dias internada, sendo 44 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu em coma por 33 dias.
A Tribuna – Quais foram os sintomas de Covid?
Thallyta Régilla – Eu tive diarreia e a minha pressão estava caindo muito. Já tinha feito o teste de Covid antes, mas o resultado não estava pronto.
Fui para o hospital porque tinha feito um ultrassom e tinha dado dilatação no rim. Mas me avaliaram e disseram que isso era normal, por eu ser transplantada. Só que comecei a ter falta de ar e, daí, já não me lembro de mais nada.
O que passou pela sua cabeça quando soube que havia estado 33 dias em coma?
Levei um susto do tempo que estava ali. O meu maior medo era pegar a Covid. Um mês antes de contrair a doença, fui a uma consulta com meu nefrologista e pedi a ele explicação sobre a doença. Ele disse que internou quatro pessoas transplantadas e que duas aguentaram e duas, não. Afirmou que cada organismo reage de uma forma.
Quando ele disse que havia perdido dois pacientes, eu fiquei com medo, porque pensei: agora saí da hemodiálise, estou vivendo, posso viajar e curtir meu filho e minha família.
Quando acordei e estava lúcida, o médico José Renato veio conversar comigo dizendo que eu tinha pegado a Covid, eu fiquei em êxtase com tudo.
Perguntei a ele se estava viva e ele me disse que sim, por um milagre muito grande. Ele me disse que meu rim havia parado e outros órgãos estavam funcionando muito fraco, como intestino e estômago.
Como tem sido sua recuperação?
Para voltar a andar, foi um pouco difícil. Achei que não voltaria a andar, pelo que passei. Tive muito medo de ter de ficar fazendo hemodiálise, mas meu rim, graças a Deus, voltou a funcionar. Esse era meu medo maior.
O que tenho feito são sessões de fisioterapia respiratória e motora.
Qual o sentimento que fica após toda batalha pela vida?
A fé que me deu força. Deus me curou diante de milhões, e da oração da família, dos amigos e desconhecidos. A minha cura e a minha vida são um milagre. Agradeço a todos que oraram e a Unidade Intensiva Coronariana do Hospital Vila Velha, a toda equipe dos médicos Geraldo Dutra, José Renato, Rafael e Manuel, meu nefrologista.
O médico Rafael, um dia, passou em frente ao meu box, em uma madrugada, e viu que eu estava me debatendo. Ele percebeu que a minha traqueostomia estava entupida e trocou com urgência, senão teria morrido sufocada. Essa equipe não desistiu de mim.
