A Tribuna conversou com a enfermeira que socorreu o bebê abandonado em um campo de futebol na Serra, na última quarta-feira (6). Ela encontrou o recém-nascido sujo e com frio e prestou os primeiros socorros. Assim que tiver alta do hospital, o bebê será encaminhado a um abrigo e pode ficar disponível para adoção.
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A Tribuna: Como soube que a criança estava precisando de socorro?
Enfermeira: Eu estava voltando da academia quando os meus vizinhos, que sabem que eu sou da área da saúde, me abordaram. Quando vi o bebê, percebi que ele estava saudável, após nove meses de gestação, mas estava sujo e roxo de frio.
– Como prestou os primeiros socorros?
Eu liguei para o Samu e fui orientada a amarrar o cordão umbilical com um fio dental. Coloquei uma luva cirúrgica e, em seguida, embrulhamos ele bastante para passar o frio.
– E como ficou o emocional durante o atendimento?
Olha, se esse homem não tivesse aparecido, o bebê ia morrer de hipotermia, porque estava muito frio e ele tremia. É muito triste ver uma coisa dessa.
– Você é mãe?
Sim, sou mãe e o coração fica na mão ao saber disso. Tenho uma gatinha que acabou de ter filhotes e ela não sai de perto deles, tem muito ciúme. Nem animal faz isso com os filhotes, por que o ser humano faz isso? Se a pessoa não quer ter o bebê, é melhor ter o parto no hospital e deixar lá para a adoção.
– Profissionalmente falando, como foi a experiência?
Como pessoa, eu fico triste, porque nessa semana mesmo vimos os pais que foram presos por suspeita de estuprarem o filho e agora tem isso. Agradeço por ter passado ali e pela oportunidade de ter ajudado essa criança.
Adoção é em último caso
O recém-nascido abandonado em um campo de futebol no bairro Feu Rosa, na Serra, passou por exames em um hospital do município. O bebê foi encontrado na última quarta-feira, ainda com o cordão umbilical.
Até o momento, segundo o Conselho Tutelar da 1ª Regional de Laranjeiras, o estado de saúde da criança está estável, e ele segue em observação. Ainda conforme informações do Conselho Tutelar, o hospital deve notificar o Ministério Público Estadual a respeito do abandono do bebê.
A conselheira tutelar da 1ª Regional de Laranjeiras, Eva Frasson, conta que o primeiro passo a ser tomado assim que o recém-nascido tiver alta é procurar algum familiar próximo do menor. “Em casos como esse, a adoção é a última instância. Antes disso, o MP, junto à Vara da Infância, deverá tentar realizar contato com a mãe ou algum parente mais próximo do bebê”, explica.
“A família é o primeiro direito da criança. A adoção retira esse registro sanguíneo, portanto, é a última opção. Não sabemos quem abandonou esse bebê, o estado mental dessa mãe, são coisas que precisam ser avaliadas também”, pondera.
De acordo com Eva Frasson, após receber alta, a criança será encaminhada para um abrigo, onde ficará de forma temporária, até que se estabeleça o contato com algum familiar. Caso não haja sucesso nessa procura, o bebê ficará disponível para a adoção. “Isso será avaliado pela própria casa de acolhimento, junto ao serviço social e ao judiciário”, acrescenta.