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O médico veterinário João Victor Ennes, de 24 anos, diagnosticado com linfoma de Hodgkin, vê no novo tratamento “Cart-T Cell Therapy” a esperança na sua luta contra o câncer que já dura sete anos.
Desde de 2016, João vem sofrendo com a reincidência da doença. Devido a esses episódios de retorno, o linfoma teria se transformado em linfoma não-Hodgkin.
O hematologista Douglas Covre Stocco explicou que o linfoma é um câncer do sistema de defesa, tendo dois tipos: Hodgkin e não-Hodgkin.
“O linfoma de Hodgkin é causado por uma célula específica, chamada de célula de Reed-Stemberg, tendo como característica se espalhar de forma contínua pelo corpo e ser, relativamente, bem tratado”.
Já o linfoma não-Hodgkin faz parte de um grupo de doenças com várias características, tendo mais de 80 tipos, de acordo com o médico. “Podemos dizer que é uma doença mais complexa do que o de Hodgkin”, completou o especialista.
A “Cart-T Cell Therapy” é orçada em R$ 3 milhões e é a mesma pela qual passará o influenciador Jayme Reisen, pai dos quíntuplos capixabas, que recentemente fez uma “vaquinha” para custear o tratamento. Já a família de João está na Justiça contra o plano de saúde para tentar o tratamento.
O Cart-T Cell é uma imunoterapia que utiliza células de defesa geneticamente modificadas para atacar os tumores. O tratamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já é feito com frequência nos Estados Unidos.
O tratamento é indicado quando o paciente não responde aos protocolos do tratamento contra o câncer, como a quimioterapia, aponta o médico.
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João contou que durante os sete anos já tentou todos os tratamentos, inclusive, mais de 25 ciclos de quimioterapia. “Fiz mais de 10 sessões de radioterapia e um transplante autólogo. Todos os tratamentos que surgiram e que foram possíveis eu me prontifiquei”.
“Isso é revolucionário”
Recém-formado médico veterinário, João Victor Ennes, de 24 anos, contou como mudou sua vida após ser diagnosticado com linfoma e como espera ser curado com o novo tratamento.
A Tribuna – O que mudou pós diagnóstico?
João Victor Ennes – A forma de ver a vida. Eu vi que a vida tem meio, início e fim, tem que ser vivida. Vivida ao pé da letra mesmo quando eu digo isso.
Quando começou a tratar o câncer e quantos tratamentos chegou a fazer?
Comecei a tratar o câncer em 2016. Fiz mais de 25 ciclos de quimioterapia, mais de 10 sessões de radioterapia, um transplante autólogo – que é uma terapia com células-tronco – e diversos outros ciclos de quimioterapia.
Como seria esse tratamento “Cart-T Cell Therapy”?
Ele é um tratamento novo, criado nos Estados Unidos e na Suíça. Ele consiste em pegar as células, os linfócitos B do corpo, tira do corpo e leva para os EUA ou pra Suíça. Elas são mexidas geneticamente e reinseridas no corpo. Assim, vão matando o tumor. É um tratamento totalmente revolucionário.
Por que com a reincidência da doença o linfoma teria se transformado em linfoma não-Hodgkin?
Pode ter ocorrido mutação. Há muitos fatores para se justificar. Sempre que um tratamento aparece sendo ofertado e apresenta níveis de sucesso consideráveis, eu topo fazer. Tenho esperança no Cart-T Cell.
ENTENDA
Doença
O linfoma não-Hodgkin (LNH) é um tipo de câncer com origem nas células do sistema linfático, que faz parte do sistema imunológico e ajuda o corpo a combater doenças.
Existem mais de 20 tipos diferentes de linfoma não-Hodgkin. O linfoma difuso de grandes células B é o tipo mais comum.
Apesar de ser mais comum em pessoas acima de 60 anos, este câncer pode se apresentar em qualquer idade.
Sinais
Geralmente, os sinais do linfoma difuso de grandes células B começam em um linfonodo no pescoço, nas axilas ou no tórax. O linfonodo cresce rapidamente e pode ser agressivo.
Os pacientes podem apresentar, também, sintomas parecidos com os de infecções, como febre, calafrios, fraqueza, fadiga e suor noturno.
Tratamento
Os protocolos variam de acordo com o estágio da doença, mas, em geral, são feitos tratamentos quimioterápico e de radioterapia.
CAR-T Cell
O CAR-T Cell é um procedimento que utiliza as próprias células de defesa do paciente, modificando-as para, depois, reinseri-las por infusão (na veia).
É indicado quando o paciente não responde aos protocolos do tratamento contra o câncer, como a quimioterapia.
No Brasil, o tratamento ainda não é ofertado pelo SUS. Há hospitais privados que o realizam.
No Estado, nenhum hospital oferece o novo tratamento. Ou seja, é preciso ir para São Paulo, Rio de Janeiro e/ou outras capitais.
Fonte: Hematologista Douglas Covre Stocco.