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O número de diabéticos triplicou nos últimos 30 anos na América, mostra um novo relatório da Organização Panamericana da Saúde (Opas).
Obesidade, má alimentação, falta de atividade física, entre outros fatores, contribuíram para esse aumento. A doença também tem atingido os mais jovens, de acordo com especialistas.
Segundo o endocrinologista Levimar Araújo, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, com a pandemia houve um incremento grande nos casos do diabetes tipo 2. “Os casos estão aumentando às custas da obesidade. Mas a incidência do tipo 1, nos últimos anos, também tem nos assustado, principalmente em crianças”.
Ele afirma que o aumento dos casos do tipo 1 está relacionado a algumas alterações genéticas.
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“A exposição a vírus está cada vez mais precoce. Tivemos um trabalho mostrando que o vírus da covid, por exemplo, entrava e destruía a célula produtora de insulina, levando a uma maior incidência de diabetes tipo 1. Isso reforça a necessidade da vacinação e do cuidado maior com as crianças”.
A endocrinologista Letícia Barbosa Martins explica que o diabetes tipo 1 é mais comum de aparecer na infância e não pode ser prevenido, pois é consequência de uma falha do pâncreas.
“É uma doença autoimune, que destrói as células que produzem a insulina. Por isso é necessário utilizar a insulina injetável”.
“O diabetes tipo 2 começa com uma resistência à insulina, fazendo com que o pâncreas produza uma quantidade maior, levando a uma falência pancreática. Isso pode evoluir para uma falha insulínica”, explica Letícia.
Um dos fatores para o aparecimento do diabetes tipo 2 é a obesidade. E a endocrinologista Priscila Pessanha, presidente da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia no Estado, alerta que o ganho de peso cresce em número maior do que a própria desnutrição.
Mas é possível ter remissão do diabetes tipo 2 com alimentação adequada e atividades física?
“Normalmente, quando descoberto o tipo 2, já há 50% de falência pancreática, já que ele não costuma dar muitos sintomas. Geralmente, temos de conviver com uma condição crônica. Mas se for tratado, é possível evitar as complicações e até reduzir o número de remédios”, ressalta Priscila.
O diabetes pode causar lesões no olho e rins, infarto, acidente vascular, pé diabético, além de outras complicações.
“Hoje aplico insulina todos os dias”
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Aos 9 anos, o auxiliar de vendas Lucas Lopes, de 21 anos, recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1. Ele relata que em sua família apenas o avô materno tem a doença, do tipo 2. Foi após um assalto que Lucas começou a ter os sintomas da doença.
“Eu havia saído para comprar um churrasquinho na rua com uma tia, quando assassinaram a dona do carrinho de churrasco na nossa frente. Eu entrei em choque, tive depressão, crise de pânico, não conseguia comer ou beber água. Em um dia fui mais de 100 vezes ao banheiro e comecei a emagrecer repentinamente”.
“Os médicos falaram que eu já teria uma predisposição, mas o assalto foi um gatilho para o desenvolvimento da doença. Hoje aplico insulina todos os dias”.
Sintomas da doença
Diabetes
> Tipo 1: vontade de urinar diversas vezes, fome frequente, sede constante, perda de peso, fraqueza e fadiga. A doença pode ser desencadeada também por estresse.
> Tipo 2: costuma ser assintomática e as manifestações ocorrem geralmente na idade adulta com problemas renais e oftalmológicos.
> Um simples exame de sangue pode revelar se você tem diabetes.
> Todas as pessoas, tendo ou não diabetes, devem ter uma alimentação saudável, regulando a quantidade de doces e gordura ingeridos e mantendo a prática de atividade física.
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes e pesquisa AT.