Histórias de agressão cometidas por usuários de drogas, não são pontuais. O número de viciados perambulando pelas ruas ou usando drogas em cracolândias tem assustado moradores e comerciantes no Estado.
Jober Antonio Freitas Costa, presidente da Associação de Moradores de Jardim Limoeiro, na Serra, diz que a rua Nelcy Lopes Vieira tem uma cracolândia. “Eles ficam perambulando e roubam fios para vender e trocar por pedra de crack. Está insustentável.”
Ele apela para que autoridades tentem resolver o problema. “Sei que é complicado, mas reforço no policiamento, mais abordagens das equipes da prefeitura e melhoria na iluminação já ajudam”.
O presidente da Associação de Moradores da Praia da Costa, Gilson Pacheco, revelou que o problema se arrasta há anos, com vários pontos conhecidos pelo intenso uso de drogas. “O problema só aumenta. Temos reclamações por causa da insegurança. Há relatos de furtos, roubos e até ameaças por parte de alguns usuários”.
O presidente da Associação de Moradores, Empresários, e Investidores da Enseada do Suá, Eduardo Borges, observou que há pelo menos quatro pontos na região com uso intenso de drogas. Entre os transtornos, ele também pontuou os constantes furtos, arrombamentos e assaltos.
Nesse enfrentamento, o presidente da Associação Comunitária de Jardim Camburi, Bruno Malias, defende parceria da entidade, Prefeitura de Vitória, Polícia Militar e igrejas para diferenciar aqueles que são moradores em situação de rua daqueles que são usuários e cometem furtos e roubos.
A Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes) diz que a preocupação do crescimento de uso de drogas por parte dos cidadãos nos municípios brasileiros é crescente, pois as áreas afetadas pelo uso de crack são inúmeras, sendo elas saúde, assistência social, educação e segurança.
“Conforme estimou a Confederação Nacional de Municípios, a maioria das cidades capixabas sofre com este tipo de problema”.
A Amunes recomenda que, com o apoio dos Centros de Referência de Assistência Social, os municípios adotem medidas de mobilização e orientação da população, prevenção do uso de entorpecentes, tratamento de dependentes, reinserção social, combate constante ao tráfico de drogas, entre outras ações.
Abordagens para reduzir crimes
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Diante do pedido de moradores e comerciantes, a Polícia Militar informou que realiza constantes ações de abordagens com objetivo de reprimir todo tipo de crime.
Ressaltou, ainda, que somente pode deter indivíduos em situação de flagrante delito, não apenas por estarem em situação de rua ou ser usuário de drogas.
Pediu, ainda, que a população acione o Ciodes (190) sempre que houver suspeita ou ocorrência de crime em andamento.
Fábio Rebello Alves, comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória, falou das ações preventivas realizadas em todas as regiões da capital, além de ter agentes participando da Força-Tarefa de Segurança Pública com a Polícia Federal, com ações de combate ao tráfico.
“Vale destacar que a Prefeitura de Vitória faz um trabalho integrado entre pastas, pois essa é uma questão que envolve a Assistência Social”.
Na Serra, o ponto mais crítico é a região de Jardim Limoeiro. “A Secretaria de Defesa Social intensifica o patrulhamento no local”.
“O município tem, além do Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), consultório na rua e unidades de saúde existentes, buscado ampliar a rede de atenção psicossocial, com projetos de ampliação de equipes e de implantação de um Caps álcool e drogas 24 horas”.
A Prefeitura de Vila Velha garante que realiza uma ação conjunta entre as secretarias de Serviços Urbanos e de Assistência Social, com apoio da Guarda Municipal, chamada Vila Velha Social, que impacta em pontos onde há concentração de pessoas em situação de rua, com objetivo de evitar que se tornem pontos viciados de lixo, uso de drogas ou locais insalubres, além de garantir a segurança.
No que diz respeito à Política de Saúde, a Secretaria de Saúde de Cariacica conta com a equipe do Consultório de Rua, que realiza abordagens a moradores em situação de rua.
“O papel do Consultório de Rua é inserir e dar apoio para que o usuário seja acompanhado na rede municipal de saúde”.
Já a Secretaria de Estado da Saúde informou que trabalha na ótica do cuidado em saúde mental seguindo a política nacional, que visa garantir o cuidado às pessoas com transtornos mentais e necessidades decorrentes de álcool e outras drogas, além de outras ações.