O óleo que avança pelo Sul da Bahia pode chegar ao litoral do Estado até a próxima quarta-feira. A previsão é do professor de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito (Ufes), Agnaldo Martins. De acordo com ele, entre amanhã e terça-feira já devem ser encontrados vestígios da substância oleosa em alto-mar da costa capixaba.

O material chegou ao litoral da Paraíba no início de setembro e, desde então, atingiu mais de 280 localidades em 98 cidades nordestinas. O município baiano de Prado foi atingido ontem, a cerca de 220 quilômetros de Conceição da Barra, no Estado.
Destino muito frequentado por turistas capixabas, as praias de Porto Seguro também já foram atingidas pelo petróleo cru: material contaminou as praias de Arraial D’Ajuda e Trancoso.
Navio
O navio mercante Bouboulina, de bandeira grega e propriedade da empresa Delta Tankers LTD, é o responsável pelo petróleo vazado e que contamina a costa do Nordeste. Essa é a informação da Polícia Federal (PF) que consta na decisão do juiz federal Francisco Eduardo Guimarães Farias, da 14ª Vara Federal em Natal.
O comandante e a empresa estão sendo investigados por pelo menos três tipos de crime: poluir o meio ambiente, não adotar medidas preventivas para evitar danos ambientais e, por último, não comunicar às autoridades competentes o derramamento de óleo na costa brasileira.
Para a polícia, são fortes os indícios de materialidade e autoria, ou seja, já se sabe da prática do crime e quem são seus autores. Falta esclarecer agora as circunstâncias. A polícia precisa identificar se o vazamento foi intencional ou acidental.
Documento estadual prevê forma de combate a produto

Nesta semana, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) realizou capacitações em Conceição da Barra, São Mateus e Linhares para o nivelamento das informações sobre todas as ações preparatórias para uma possível chegada das manchas de óleo.
As ações “vão desde procedimentos para interdição das praias, de comunicação preventiva aos banhistas sobre possíveis contaminações, da organização das pessoas que irão combater o óleo, da identificação dos técnicos e voluntários e ao uso dos materiais e equipamento de proteção individual, até os primeiros desenhos de operação e comando, definindo os pontos de atuação das brigadas”.
Foram mapeadas as dificuldades em praias mais isoladas ou de trânsito restrito, por exemplo. Os órgãos também acionaram empresas capixabas para que doem equipamentos de proteção individual para os voluntários que venham a atuar nos mutirões de limpeza.
O vazamento de óleo é considerado por ambientalistas o maior desastre ambiental do Brasil.

