Defensor ferrenho do aleitamento materno e da livre demanda para alimentação na infância, o pediatra espanhol Carlos González conversou com a reportagem de A Tribuna e esclareceu que a relação entre pais e filhos não deve ser baseada em prêmios e castigos para que as crianças façam exatamente o que os pais querem.
González estará em Vitória, no dia 16 de novembro e para ministrar a palestra “Meu filho não come! Meu filho não dorme! – Os desafios da infância”.
Como fazer com que os filhos comam bem sem oferecer nada em troca?
Comer é uma necessidade vital. As pessoas devem comer quando sentem fome. Os pais não precisam forçar os filhos a comer.
Não devem chantagear as crianças com presentes, apelos emocionais ou até mesmo fazer com que elas comam sob ameaça de castigos. A criança deve comer quando quiser, sem que escolham o que ela deve ingerir.
Como garantir que as crianças se alimentem bem por elas mesmas?
As crianças vão comer aquilo que os pais compram para dentro de casa. Se tem arroz e frango, é isso que elas vão comer. Se tem arroz, frango, bolo e refrigerante, os pais não podem reclamar, caso elas optem pelo bolo com refrigerante. Depois que elas crescem e têm dinheiro para comprar os alimentos é outra história. Mas quem é criado com comida saudável, dificilmente muda a escolha.
Qual a maior dificuldade relatada pelos pais que têm filhos que não comem?
Na verdade, a maior dificuldade é que os pais enxerguem que os filhos comem, e comem demais. Vivemos num mundo em que 35% das crianças são obesas. Ora, se as crianças estão obesas e os pais dizem que elas não comem, há um equívoco aí.
Os pais não precisam dizer o quê e o quanto os filhos devem comer. Os animais sabem muito bem o que devem comer. Nenhum veterinário precisa ir à selva dizer que os leões devem comer carne e as girafas, folhas. Assim é com o animal homem. Se os pais estimulam a criança a comer o tempo todo, naturalmente elas terão problemas de peso.
Como lidar com as opiniões dos outros em relação à alimentação do filho?
Filtrar aquilo que é bom. As avós, por exemplo, são de três tipos: aquelas que você olha os filhos saudáveis e constatam que acertaram na alimentação; aquelas que claramente erraram e aquelas que acertaram sem querer.
É fácil ver avós que não compravam doces para os filhos por questões financeiras e agora, numa situação melhor, querem entupir os netos de doces para compensar o que não fizeram pelos filhos.
É um erro. Os pais devem se posicionar em relação a isso.
E quanto aos pais que identificam os erros na criação dos filhos, o que devem fazer?
Mudar o comportamento. Nunca é tarde para mudar, mas tampouco podemos dizer que o passado não importa. Se houve insulto, castigo, ou se disse “que vergonha, um menino desse tamanho com uma chupeta na boca…”. É preciso parar e não fazer mais. É preciso se comportar como um adulto deve se comportar. Quando se vai a uma cafeteria se diz: “Por favor, um café”. E não “Me dê agora mesmo um café ou vai ficar de castigo!”. Os pais só precisam tratar os filhos com a mesma educação que tratam um estranho ou um colega de trabalho.
Mas, às vezes, é difícil lidar com a desobediência da criança. Como fica?
Nada se resolve com insultos, castigos, brigas e surras. A maioria dos pais não se preocupa com o mais importante, que é dizer para o filho não matar, não roubar, não chutar as pessoas na rua.
Dizem para não pisar em tal lugar, para não ir a outro, para não subir em outro. Isso é uma coisa tão banal, tão sem importância.
Ninguém ‘fica’ criança a vida inteira. As crianças crescem e os pais perdem a chance de viver a infância dos filhos. Muitos pais desperdiçam anos de sua vida brigando com os filhos, que tristeza isso!
Então os pais não devem corrigir?
Tudo é a maneira como se fala. Em vez de gritar: “Tira o pé daí, menino”, diz “Meu amor, não pise aí, por favor”. Não se tem um filho para brigar, xingar, bater e insultar.
Eu penso que se deve ter filho para amar, brincar, jogar bola, fazer cosquinhas, abraçar. O tempo passa muito rápido e depois não adianta chorar o leite derramado. Tampouco se pode pensar que o leite vai voltar da mesma forma para o vaso. Tem de cuidar para não derramar, simplesmente.
Que conselho o doutor dá aos pais?
Que aproveitem a infância dos seus filhos, que curtam com eles e levem a vida com mais leveza e tranquilidade. Às mamães, em geral, que amamentem os bebês exclusivamente até os seis meses e depois até os dois anos de idade, mesmo com a introdução de outros alimentos.
Saiba mais
Palestra
Tema: “Meu filho não come! Meu filho não dorme! – Os desafios da infância”. Haverá interação com perguntas e respostas do palestrante.
Quando: dia 16 de novembro, das 13 às 19 horas.
Local: Espaço Vitória, na avenida Leitão da Silva, 2.159, Itararé, Vitória.
Ingressos: a partir de R$ 170.
Pontos de venda Físicos: Minichó (Jardim Camburi, Vitória, até 18h), Tá que Brinca (Jardim Camburi, Vitória, até 23h), Espaço da Grudadinho Sling (Araçás, Vila Velha), Espaço Marias (Guriri Sul, São Mateus).
Venda internet: www.sympla.com.br.
Fonte: organização do evento.
