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Pais perdem o controle dos filhos cada vez mais cedo

Para não serem autoritários, com receio de “traumatizarem” os filhos, pais têm perdido o controle sobre as crianças mais cedo, cedendo a birras e ...

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Na casa da médica Layza Merizio, de 36 anos, e do empresário Milton Borges, de 38, são feitos acordos com os filhos Manuela, de 2 anos, e Felipe, de 5 (Foto: Jornal A Tribuna)Para não serem autoritários, com receio de “traumatizarem” os filhos, pais têm perdido o controle sobre as crianças mais cedo, cedendo a birras e pirraças e fazendo todas as vontades.

Há especialistas que afirmam que isso já está ocorrendo com crianças entre 1 e 2 anos.

A psicopedagoga e um dos fundadores do Instituto NeuroSaber, Luciana Brites, contou que já viu crianças com 1 ano de idade dando ordens aos pais.

“Elas começam a fazer birra ou a querer coisas que não fazem bem para a segurança ou integridade física delas. Os pais ficam desesperados pensando: ‘Como vou falar não?’, ‘Ela vai chorar’, mas faz parte a criança chorar”, comenta Luciana, que aconselha os pais:

“A questão é quanto os pais conseguem aguentar esse choro. Os adultos precisam estar preparados para as frustrações das crianças”.

Inversão

Escritora e especialista em comportamento humano, Heloísa Capelas diz que está ocorrendo uma inversão de papéis, a partir do momento em que pais acreditam ser traumatizante a ideia de eles mandarem e os filhos obedecerem as ordens.    (Foto: Jornal A Tribuna )

“As crianças cada vez mais cedo estão mandando nos pais. Na realidade, elas mandam desde que nascem, para falar a verdade, desde a barriga. Crianças mimadas, com poder, se tornam déspotas e adultos com transtornos psíquicos”.

Para a psicóloga Aline Saramago, os pais estão buscando ser amigos dos filhos e, assim, o papel de pai está sendo desprestigiado.

“Ser pai é diferente de ser amigo. E ser pai não é só chamar a atenção, corrigir e ficar do lado enquanto um fica no tablet e o outro no celular. É dar regras, amor, aprendizado e reforço positivo: elogio quando acerta e estímulos positivos. Hoje falta equilíbrio emocional e familiar, e os papéis se invertem, é a criança quem briga com os pais”, avalia a psicóloga.

Segundo o psicopedagogo clínico Cláudio Miranda, é comum ver casos de filhos agredindo pais verbal e fisicamente.

“Se há agressão e não há reprimenda ou castigo, o filho ‘cresce’ e toma aquele comportamento como normal. Isso começa com os pais que mimam e fragilizam demais os filhos com presentes em excesso e permissividades descabidas”.

Como corrigir erros

Ceder às birras e vontades

POR VEZES, o medo de passar vergonha supera um dos momentos essenciais para a educação e desenvolvimento de seu filho. Portanto, finja que não há mais ninguém olhando, ignore a vergonha e deixe que a criança manifeste sua frustração. Ceder uma vez reforça esse tipo de comportamento.
Não conseguir impor limites
ISSO REPRESENTA uma dificuldade dos pais, os próprios ainda não tenham aprendido a se impor. Nesse caso, é preciso o exercício do não. Estabelecer normas e rotinas às crianças desde pequeno é fundamental.

Gritar com as crianças
OS PAIS estão muito nervosos e acabam alterando o tom de voz. Tente baixar o tom de voz gradativamente, se gritar. Mas, caso não consiga, assuma que se excedeu e não se envergonhe em pedir desculpas, não pela bronca, mas pelo tom de voz.

Bater não ensina
humilhar, agredir uma criança não vai construir um ser humano pacífico, porque o filho vai aprender a bater, agredir e a ser um “humilhador”. Bater apenas é o ato dos pais de descontar sua raiva e frustração na desobediência do filho, mas não explica o motivo do erro e o por que ele não deve ser repetido.

Ser um mau exemplo
A CRIANÇA faz o que o outro faz e não o que o outro fala, por isso é muito importante as atitudes. É preciso pensar que mais do que falar, tem de vivenciar o que se diz. Ser pai, ser mãe é o repensar das próprias possibilidades.

Superproteção
MUITAS VEZES tem muito mais a ver com a ansiedade dos pais do que em propriamente proteger os filhos. Dar espaço para o filho viver suas próprias experiências é essencial e algo que deve ser trabalhado com cuidado pelos pais. Se for um processo muito difícil, procure ajuda profissional.

Não escutar o filho
A BASE DE UMA relação estável, duradora é o diálogo. Escutar o filho requer paciência, então tem de parar, ouvir, falar, fazer o filho ouvir. De repente, com um jogo os pais conseguem estabelecer uma conversa.

Contar pequenas mentiras
Pequenas mentiras podem se tornar grandes. Tem que desestimular e ser muito firme em relação a isso. Os filhos procuram brechas para validar suas próprias ações. Portanto, se for pego mentindo, o filho irá usar isso contra os pais, e não vai adiantar querer castigar.

Compensar a falta de tempo
por mais que os pais fiquem pouco tempo em casa, não adianta dizer sempre sim, dar tudo o que querem. É preciso ter tempo de qualidade – brincar, conversar, sair junto com os filhos, dar atenção.
Fonte: Especialistas consultados.

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