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Depois de dois anos marcados por suspensão de aulas presenciais e revezamentos de alunos por conta da pandemia de covid-19, a expectativa neste ano era de retorno à normalidade nas escolas.
Em menos de dois meses de aula, porém, velhos problemas têm voltado à tona e a Patrulha Escolar, equipe formada por policiais militares, já foi chamada para ajudar em 24 casos de agressões e bullying em escolas.
O comandante da Companhia Especializada de Polícia Escolar, capitão Eliandro Claudino de Jesus, relatou que a pandemia trouxe impactos na relação entre alunos.
“Temos observado, em 2022, alunos mais impacientes, inquietos. Entre os 24 acionamentos da patrulha, estão agressões por motivos que vão desde o bullying até causas ainda mais banais, como um empurrão”, contou.
Ele citou que, em um dos casos, a agressão chegou a ser iniciada após uma menina ter pisado no pé da outra. “Diante da situação, gestores escolares e a patrulha têm reforçado ações, já que os estudantes ficaram um tempo afastados, em uma rotina diferente”.
No caso do bullying, ele enfatizou que o trabalho tem sido de conscientização e acompanhamento. “O que, muitas vezes, eles acreditam ser brincadeira, uma gozação, na verdade, são agressões. Mostramos para eles que podem desencadear consequências graves, como já vimos, até de ataques em outros estados”.
O capitão relatou que, no Estado, já houve o caso de uma estudante que chegou a ser socorrida em uma ambulância após se sentir mal, com uma crise de ansiedade motivada por bullying.
Ações
Segundo o comandante da Patrulha Escolar, atualmente há 34 militares para os trabalhos nas escolas, divididos em equipes.
Eles atuam de três formas, sendo uma delas, as ações repressivas, nos casos em que a escola se depara com problemas que precisam de um apoio da Patrulha.
“Também temos um trabalho preventivo, com visitas tranquilizadoras das equipes às escolas, e com palestras”, salientou. Capitão Eliandro revelou que entre os temas trabalhados estão o bullying, drogas e violência doméstica.
Em São Paulo, nesta semana, um adolescente de 13 anos, de uma escola particular feriu dois colegas com uma faca. A motivação, segundo o agressor, seria o bullying sofrido por ele.
SAIBA MAIS
Bullying
- Em 2015, foi sancionada a lei 13.185 que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying) em todo o País.
- Segundo o texto, caracteriza-se o bullying quando há violência física ou psicológica em atos de intimidação, humilhação ou discriminação.
- Também se enquadram como bullying os ataques físicos; insultos pessoais; apelidos pejorativos; ameaças, expressões preconceituosas, isolamento social consciente e premeditado, além de piadas.
- No último dia 20, se comemorou no Estado o Dia da Conscientização contra o Bullying, reforçando a necessidade de políticas de combate às agressões.
Patrulha Escolar
- Criada em 2010, a Patrulha Escolar atua, principalmente em escolas da rede estadual, de forma repressiva e preventiva. Em 2018, passou a ser a Companhia Especializada de Polícia Escolar.
- No caso da atuação repressiva, ela acontece por meio de pedidos da escola quando algum ato infracional é cometido ou quando há denúncias de algo ocorrendo.
- Somente este ano, a Patrulha Escolar foi acionada em 24 casos de brigas em escolas.
- Ela também atua de forma preventiva, com visitas tranquilizadoras de equipes às escolas e palestras com temas variados, como bullying, violência doméstica e familiar, drogas, atos infracionais, carreiras e outros.
Fonte: Patrulha Escolar da Polícia Militar e pesquisa A Tribuna.