
“Foi um barulho grande e demorado. Parecia que o mundo estava acabando. Abrimos a porta da sala e não dava para ver nada, só muita poeira”, relembrou o agricultor Maicon Cararo da Cruz, 28 anos.
O drama dos moradores começou na madrugada do dia 28, quando caiu a primeira parte do paredão. As pedras que desceram a montanha represaram o córrego e interditaram a estrada. Também atingiram um prédio com duas residências.
A agricultora Vanessa Ambrosio Cogo estava dentro de casa quando as pedras atingiram o imóvel. “Lembro-me a todo instante. Não dá para dormir”, disse. O prédio foi interditado e as duas famílias estão nas residências de parentes.
Após o primeiro desmoronamento, mais pedras voltaram a descer do paredão. Segundo o coordenador da Defesa Civil do município, Lúcio Cesconetti, imagens feitas por drone apontam rachaduras e a possibilidade de um novo desmoronamento.
“Após analisar as imagens, decidimos interditar outras três residências, pois podem ser atingidas. Também iremos decretar amanhã (hoje) situação de emergência na região”, disse.
O objetivo do decreto, segundo Lúcio, é facilitar parcerias do município com o governo do Estado para viabilizar máquinas e recursos para minimizar os riscos e ajudar os moradores. Uma geóloga da Defesa Civil Estadual está elaborando relatório, que deve sair hoje.
Além das famílias isoladas, o desmoronamento impede o acesso à igreja, cemitério, salão comunitário e ao campo de futebol. Não dá para escoar o café e o leite produzidos na região. Além disso, 12 estudantes estão sem acesso a ônibus.
Um pequeno desvio foi feito, mas com as chuvas não é possível seguir de carro. “O risco é muito grande. O paredão pode cair a qualquer momento”, disse Lúcio.