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Uma estudante, de 22 anos, chegou a ser classificada no processo seletivo 2021/2 para Medicina na Ufes, na modalidade de cota racial, mas, apesar do “parda” como registro racial na Certidão de Nascimento, teve a solicitação de matrícula indeferida após a análise étnico-racial.
O resultado apontou que ela não possui características fenotípicas, ou de aparência física, de uma pessoa parda, como o tipo de cabelo e a espessura do nariz e da boca, por exemplo. Não havia, no entanto, apontamentos de quais seriam tais características no documento.
A jovem alega que nunca se viu como branca e que, no Brasil, o sistema de identificação racial é por autodeclaração, ou seja, a própria pessoa diz como se identifica racialmente.
“Eu me sinto injustiçada. Vim de um conjunto familiar que não é branco, é diverso. Eu sou parda, me identifico assim e minha certidão (de nascimento) diz isso. O recurso só dizia que não tenho características fenotípicas, sem nenhuma informação a mais. Não há clareza com o candidato. Perdi a vaga em Medicina”, lamenta.
Para a seleção do 1º semestre de 2022, a estudante não alcançou a nota para conquistar uma vaga no curso e, por isso, pretende voltar ao pré-vestibular por mais um ano.