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“Perdi minha metade”, diz viúvo de faxineira eletrocutada

Muito abalado, o repositor de frios Jacques Nunes França, de 40 anos, recebeu o apoio de amigos e familiares durante o velório da esposa Nathalia da ...

Última atualização

 (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)Muito abalado, o repositor de frios Jacques Nunes França, de 40 anos, recebeu o apoio de amigos e familiares durante o velório da esposa Nathalia da Silva, de 34, nesta sexta-feira, na Capela Mortuária da Comunidade de São Torquato, Vila Velha.

Nathalia, que era auxiliar de serviços gerais, morreu eletrocutada na última quinta-feira (28), enquanto faxinava um apartamento no Praia da Costa, Vila Velha. Ela encostou no acendedor do fogão e levou um choque no braço. O chão molhado da cozinha que limpava potencializou a descarga elétrica. A faxineira teve uma parada cardíaca e morreu no local.

“Perdi minha metade, minha companheira. A gente era a companhia um do outro, onde um estava o outro também. Completaríamos sete anos de casados no mês que vem. Eu estou sem chão”, desabafou.

Jacques contou que está de férias e, por isso, estava buscando a esposa todos os dias no trabalho. Ele chegou por volta de 17 horas no prédio e, como todos os dias, enviou mensagem para Nathalia descer. Como não teve resposta, decidiu ligar. Ligou 16 vezes para o celular da esposa. Preocupado, ligou para a mãe dele, que também tentou contato com a nora, que não atendeu.

Ele ficou na portaria do prédio por duas horas, até perceber a chegada de uma ambulância do Samu.

“Quando vi o Samu, decidi ir até a portaria. Antes de eu tocar, já abriram o portão. Perguntei ao porteiro se poderia interfonar para Nathalia descer, ele disse que era melhor eu subir, porque algo estava acontecendo. Ele já sabia que minha esposa estava morta, mas não teve coragem de me contar. Eu subi, e quando cheguei, os socorristas tentavam reanimá-la, com massagem cardíaca. Eu fiquei parado, imóvel, sem acreditar no que estava vendo”, contou.

Nathália era funcionária do condomínio Saint Patrick, e estaria de folga na quinta-feira. Mas, para ganhar um dinheiro extra, decidiu trabalhar como diarista na casa de uma família que mora no 15º andar do prédio.

“A gente ia viajar nesta sexta-feira para Iconha. Ela estava feliz, pois teria três dias de folga no Carnaval. Eu estava arrumando as coisas do nosso filho, de 4 anos. Eu não tive coragem de trazer o menino para ver a mãe, disse que ela virou uma estrelinha e foi morar no céu”, disse.

 (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)O pai da Nathalia, Nilton Alves Ferreira, 59, lamentou o ocorrido. Ele contou que a filha tinha passado por momentos difíceis, mas que sempre estava com o sorriso no rosto e era muito querida por todos.

“É muito triste ter de enterrar uma filha. A minha mais velha. A ficha ainda não caiu. Ela era muito guerreira, trabalhava muito e tinha se recuperado totalmente de um tiro que levou num assalto, quando saía do banco em Vila Velha, há alguns anos. Para você ter uma ideia, ela tinha uma bala alojada na cabeça, mas não ficou com nenhuma sequela”, lembrou.

Nilton, que mora em Afonso Cláudio, soube da morte da filha pelo genro, por telefone. O enterro acontece na manhã deste sábado (02). A família decidiu não divulgar o horário e o local. A reportagem tentou contato com a síndica do condomínio Saint Patrick, mas foi informada, na portaria, que todos no prédio estavam proibidos de falar sobre o ocorrido.

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