Sinônimo de união, festas e famílias reunidas, o Natal é um momento de reflexão do ano que se encerra. Mas a harmonia nem sempre está presente em todos os lares.
Para saber o que une e divide as famílias, um levantamento foi realizado com 500 pessoas da Grande Vitória. A pesquisa foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisas da Faculdade Pio XII em parceria com A Tribuna.
Nesse universo, 93,8% disseram que suas famílias são felizes, como salientou o coordenador do Centro de Pesquisas, Robson Carlos de Souza.
“Observamos que o conceito de felicidade vai muito do momento. Nesta época de final de ano, mesmo tendo passado por situações difíceis, as pessoas asseguram que suas famílias são felizes.”
Mas o que justifica esse resultado? Para a maioria, a confiança, seguida de respeito, amor e bom humor fazem toda a diferença.
Os entrevistados pontuaram ainda que para manter a união é essencial, principalmente, respeitar os limites dos outros e o jeito de ser, conversar sobre problemas e fazer festas de confraternização.
A pesquisa também mostrou o que divide as famílias. Nesse aspecto, a falta de tempo ficou em primeiro lugar, sendo acompanhada pela falta de diálogo.
Outro dado curioso é que 79,8% admitiram ter brigado com algum membro da família. Entretanto, quando o assunto é perdão, grande parte mostra-se disposta a passar uma borracha nesse problema.
Ao falar sobre a união, o doutor em Psicologia e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Adriano Pereira Jardim, disse que antigamente tudo fazia sentido pela coletividade.
“A união não deve impedir ou dificultar os projetos pessoais. Cada um tem uma noção muito clara do seu espaço na família e os projetos coletivos são motivados pela interação afetiva e decisão de cada um.”
Já o psicólogo, especialista em Psicopatologia e professor universitário Felipe Goggi, ressaltou que a união é fundamental para o bom convívio interpessoal. “A união serve para ligar, pactuar, unificar os comportamentos, além de proporcionar a cumplicidade necessária para o equilíbrio psíquico.”
Motivos para celebrar

Eles criaram um festival gastronômico de inverno, que dura vários dias. Cada família dos quatro irmãos fica responsável por um cardápio de culinária de países diferentes. “O que nos une é o amor e a vontade de estar sempre juntos”, disse a administradora Mary Jane Ferreira, 56.
Falta de tempo e de diálogo atrapalham
Se a confiança e o respeito têm unido as famílias, por outro lado a falta de tempo, de diálogo e até de amor são os que têm ido na contramão. Segundo a pesquisa, 34,2% dos entrevistados afirmaram que a falta de tempo para ficar com os entes queridos é o que mais atrapalha a sua família, seguido da falta de diálogo (23,4%).
Quando o tema é o que causa desunião, a diferença de opinião é o que lidera. Em segundo lugar, ficaram os grupos de WhatsApp e, depois, os vícios e traições.
O doutor em Psicologia e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Adriano Pereira Jardim disse que a psicologia tem apontado que a falta de diálogo é um dos maiores desafios às famílias contemporâneas.
Outro problema é a falta de tempo. “Falta dedicar um tempo para estar junto. A troca real implica necessariamente interação emocional. E as pessoas podem estar tão exaustas que não se sentem capazes de dedicar um pouco do seu tempo ao contato de qualidade.”
O psicólogo, especialista em Psicopatologia e professor universitário Felipe Goggi destacou que alguns autores da psicologia sistêmica familiar já têm registrado a compulsividade do uso de tecnologias como prejuízo no seio familiar, bem como o uso excessivo do celular como o grande mal do século.
“Claro que não podemos demonizar nem negar os avanços que as tecnologias nos proporciona, mas é preciso refletir a forma de uso, pois o convívio social é essencial para a espécie humana.”
E completou: “Certamente, o mundo tecnológico e seus atrativos têm afastado algumas pessoas, em certos casos aproxima quem está longe e afasta quem está perto. É preciso observar e limitar o tempo. É necessário, inclusive, analisar o que vai postar até nos grupos virtuais de família.”
A psicóloga especialista em Infância e Adolescência e em Saúde da Família Roberta Pereira Vallory também destacou a falta de diálogo como um dos motivos que têm separado as famílias.
“Elas estão muito disfuncionais. Quando há uma conversa, os diálogos são mais agressivos, mais hostis. Falta diálogo de forma apaziguadora, tempo de qualidade das famílias.”





