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Cidades

Pesquisa revela principais motivos de conflitos entre famílias e vizinhos

Pesquisa aponta que dinheiro e herança causam confusão entre familiares. Obras e uso indevido de áreas comuns provocam brigas nos prédios

Última atualização

Com a família, conflitos por dinheiro, heranças e bens são campeões. Já entre vizinhos, as maiores disputas são por obras e o uso indevido das áreas comuns.

Esses dados foram revelados por uma pesquisa feita pelo Laboratório de Pesquisa da área de Humanas da Universidade Vila Velha (UVV) em parceria com o jornal A Tribuna.

“Era esperado que o dinheiro fosse uma das principais razões para conflitos entre familiares. Normalmente, a questão mais difícil de lidar é a financeira”, analisa o coordenador da pesquisa, o professor da UVV Fabrício Azevedo.

A pesquisa mostra também que a maioria dos conflitos familiares ocorre com parentes da chamada “família estendida”: padrasto ou madrasta (34,8%), cunhado(a), sogro(a), genro ou nora (33,8%). Conflitos com pais, mães e filhos apareceram menos.

“Como a maioria dos entrevistados é universitário, eles podem ter associado a palavra ‘conflito’ a algo mais sério. Brigas com pai ou mãe podem ter sido vistas apenas como discussões corriqueiras”.

Na maioria dos casos (60,3%), os conflitos são resolvidos em um ano e, segundo as respostas, sempre são resolvidos. “Por mais que tenha o conflito, entre os familiares ele é solucionado. Já entre os vizinhos, a pesquisa mostrou que não”. Entre as possibilidades, explica, está a falta de contato imediato e de vontade.

Síndica profissional, Aline Moraes confirma que obras estão entre os principais incômodos entre vizinhos, assim como barulho.

“Cada um tem o seu bom senso, então, ele não se aplica nos condomínios. É questão de respeitar as regras do espaço e conhecer o regimento interno, assim como você faria no trânsito”.

Por outro lado, há exemplos de convivência harmoniosa. É o caso da consultora de treinamento e gestão de pessoas Suzana Carneiro. “Somos um grupo bem unido e integrado aqui no prédio. Temos poucos conflitos. Nós viajamos juntos duas vezes por ano, fizemos até uma camisa para participar do Roda de Boteco e vamos sair em uma van do prédio”.

Tudo começou quando ela se mudou, teve uma pneumonia com derrame pleural e os vizinhos a acolheram.

“Alguns ficaram comigo no hospital. Quando voltei, comecei a organizar churrasco, festa junina e tentar integrar mais o grupo. Funcionou”.

Um desses vizinhos, por exemplo, é o casal Camila Freitas e Leandro Pinheiro. Já Arthur Carneiro é filho de Suzana.

A pesquisa

Metodologia

Elaborada em parceria entre o Laboratório de Pesquisa da Área de Humanas da UVV e A Tribuna, a pesquisa foi feita entre os dias 6 e 12 de junho, com 305 pessoas.

Conflito familiar

1. Você já teve um conflito com um familiar?

Sim: 100% 

Não: 0%

2. Qual o grau de parentesco com o familiar com quem teve o conflito?

Pai ou mãe: 0%

Irmão/irmã: 4,3%

Filho/filha: 0%

Tio/tia: 9,5%

Primo/prima: 5,6%

Avô/avó: 12,1%

Cunhado (a), sobrinho (a), genro/nora: 33,8%

Padrasto/madrasta: 34,8%

3. Por qual motivo entrou em conflito com o familiar?

Dinheiro: 83,6%

Disputas por bens e herança: 65,9%

Religião: 62%

Conflitos políticos: 48,2%

Discussões em grupos da família: 38,7%

Invasão de privacidade digital: 27,2%

Exposição excessiva da vida familiar nas redes sociais: 25,6%

Vape: 24,6%

Vício em jogos: 24,6%

Orientação sexual: 18%

4. Como foi esse conflito?

Presencial: 95,7%

WhatsApp: 25,9%

Outra rede social: 57,7%

5. Resolveu o conflito e voltou a falar com esse familiar?

No dia: 12,1%

No mês: 12,5%

Em um ano: 60,3%

Em mais de um ano: 15,1%

Nunca: 0%

Conflito entre vizinhos

1. Você mora em um prédio ou uma casa?

Prédio: 90,2%

Casa: 9,8%

2. Você já teve um conflito com um vizinho?

Sim: 100%

Não: 0%

3. Por qual motivo entrou em conflito?

Problemas com obras: 29,8%

Uso indevido de área comum: 22,3%

Crianças: 16,1%

Barulho excessivo: 12,5%

Vaga de garagem: 9,8%

Animais de estimação: 9,5%

4. Resolveu o conflito e voltou a falar com esse vizinho?

No dia: 0%

No mês: 25,9%

Em um ano: 34,8%

Em mais de um ano: 9,5%

Não voltei a falar: 29,8%

5. Você denunciou o vizinho a alguma autoridade?

Não: 4,3%

Síndico: 56,4%

Polícia: 12,1%

Prefeitura: 27,2%

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