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Piloto de avião agora comanda a Kombi “Maria Olivia”

Quem nunca pensou em largar a rotina do dia a dia e se aventurar numa viagem sem data para voltar? O jovem piloto de avião Bruno Duarte, de 28 anos, ...

Bruno Duarte cuidou de todos os detalhes da reforma da Kombi, que ficou em R$ 35 mil

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Quem nunca pensou em largar a rotina do dia a dia e se aventurar numa viagem sem data para voltar? O jovem piloto de avião Bruno Duarte, de 28 anos, decidiu colocar o plano em prática e de uma maneira ainda mais desafiadora: de Kombi.

Apelidada carinhosamente de “Maria Olivia”, o sul-mato-grossense, que mora no Espírito Santo há três anos, já visitou várias cidades com a Kombi. “Fui com ela a Itaúnas, Guarapari, Domingos Martins, Aracruz, Marataízes e Santa Teresa”.

Mas o principal roteiro e a mais longa viagem ele pretende iniciar no próximo sábado. A ideia é conhecer novos lugares e culturas, com planos de viajar um ou dois anos pela América do Sul, conhecer o Brasil e os países vizinhos, e após isso, seguir para o Alaska.

“Começo por Itacaré, na Bahia, e irei até a Argentina, para conhecer Ushuaia. Volto pelo Chile, Bolívia e chego ao Mato Grosso do Sul. Logo depois vou para Brasília e, de lá, vou conhecer o nordeste do Brasil. Passarei pela floresta amazônica, no Acre, e saio no Peru, para conhecer Machu Picchu”, explicou.

Bruno Duarte cuidou de todos os detalhes da reforma da Kombi, que ficou em R$ 35 mil (Foto: Beto Morais/AT)A ideia surgiu há cerca de dois anos. O piloto de avião havia se programado para viajar e morar no Canadá, mas, com a pandemia, sua categoria profissional foi muito afetada e ele decidiu adiantar a viagem com “Maria Olivia”.

A compra da Kombi foi feita há um ano e, desde então, ele faz adaptações no veículo. “Ela estava em estado deplorável e havia três ou quatro anos que ninguém a dirigia. Aos poucos fui fazendo manutenções, comecei pelo motor, troquei as rodas, coloquei suspensão nova”. Além disso, a pintura e a adesivagem foram feitas por ele.

Bruno conta que ela é especial por ter sido feita com as próprias mãos. “O custo da reforma foi R$ 35 mil. Ela tem três placas solares, cama, chuveiro, pia, fogão, geladeira e armários. O apelido da Kombi veio da sua intuição: “Simplesmente porque acho que ela tem cara de Maria Olivia”, afirmou.

Com muitos lugares no roteiro para conhecer e em torno de 100 mil km para rodar, Bruno vai pegar a estrada sozinho. “Talvez arrume um cachorro ou umas caronas pelo caminho”, brinca.

Desejo de colecionadores

O que já foi considerado lixo no Brasil é moda lá fora e fez surgir um novo negócio. Hoje, entre comerciantes, aventureiros e especuladores, há no País em torno de 10 exportadores especializados em Kombis antigas.

De acordo com Fernando Menezes, colecionador e fundador presidente do Veteran Car Club Vitória, elas são exportadas, principalmente, para Europa.

“A mais procurada, e as mais antigas, são chamadas de Corujinha. Há muitos sites de compra e venda, o que facilita a negociação”.

O apelido de “Corujinha” é por causa do bico e dos faróis que lembram olhos arregalados da ave. Só no Espírito Santo existem 20 Kombis exclusivas de colecionadores.

Umas ainda cheiram a tinta da restauração; outras têm aparência cansada, com cicatrizes de quem acabou de deixar a labuta na feira. Em comum, o fato de serem parte das 426.715 Kombis fabricadas no Brasil entre 1957 e 1975.

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