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O primeiro pensamento ao ler uma notícia sobre ataque a uma escola costuma ser de que o atirador sofria bullying, que era retraído. Porém, esse não era o caso do adolescente, de 13 anos, investigado por planejar um atentado a um colégio de Cariacica.
A família ficou surpresa quando a polícia chegou à casa do garoto. “Era um adolescente normal, não sofria bullying, não se automutilava, os pais não desconfiavam de nada. Eles até nos agradeceram, porque não sabiam”, revelou o delegado Brenno Andrade.
A única “queixa” que os pais tinham é que o garoto ficava muito tempo ao celular, mas não sabiam o que ele estava pesquisando.
Diante desse caso, questionamentos são feitos sobre o que pode levar um adolescente a planejar um crime como este? Como os pais podem identificar que algo está errado? Quais são os sinais? Buscando essas respostas, a reportagem ouviu psiquiatras, especialistas e o delegado Brenno Andrade.
“É muito importante falarmos isso: os pais devem acompanhar o que os filhos fazem na internet. Nesse caso, ele utilizava o celular para elaborar essas ideias e compartilhar com outras pessoas”, orientou o delegado.
Para evitar situações como a do adolescente de 13 anos, a especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência, Lana Francischetto, fez um alerta para os diálogos em família.
Sobre os principais sinais apresentados, ela citou algumas mudanças comportamentais. “Mudança de humor, alteração de sono. Como eles estão lidando com suas relações interpessoais, familiares, como se apresenta a demanda de ir à escola, como fala sobre a escola”, revelou.
A psiquiatra Letícia Mameri afirmou que é fundamental que os pais fiquem muito próximos dos filhos, vivam a vida com eles.
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“Os pais precisam estar de olho, observar se há alguma mudança de comportamento, ver se essa criança se isolou, como está o relacionamento dela com outras pessoas, quanto tempo ela fica em frente a uma tela de computador, celular, por exemplo, o que ela vê. Ao identificar mudanças, é preciso procurar um médico psiquiatra para fazer avaliação”.
Já o psiquiatra Vicente Ramatis falou sobre os casos de doenças mentais. “Alguns desenvolvem por predisposição genética e outros por traumas vividos. Se a criança ou adolescente está apresentando um comportamento muito fora do esperado para sua idade, o ideal é buscar ajuda de um profissional”.
ALGUMAS DICAS – SINTOMAS QUE DEVEM SER OBSERVADOS
“Tudo desorganizado”
- Quanto aos sintomas, o médico psiquiatra Jairo Navarro diz que é preciso destacar que uma psicose desorganiza completamente a vida da pessoa: o cérebro, o pensamento, o humor, a afetividade. “Tudo fica desorganizado”.
- Em um processo psicótico, segundo o médico, a pessoa não consegue estudar, trabalhar e se relacionar normalmente. Então, como salienta, é importante observar as alterações no comportamento.
Isolamento
- A criança, ainda de acordo com Jairo Navarro, não vai querer sair com os amigos e conversar com os pais. Além disso, o desempenho escolar tende a cair e pode haver alucinação auditiva.
- Ela se isola, o pensamento fica confuso, o sono e o apetite ficam alterados.
Depressão
- Depressões com sintomas psicóticos podem ocorrer, mas são mais raras. “Nesses casos, os sintomas resultam em consequências mais direcionadas à própria pessoa, em vez de direcionadas a terceiros, como o suicídio”, ressalta o psiquiatra Jairo Navarro.
Predisposição genética
- Devido à predisposição genética, muitas crianças e adolescentes acabam desenvolvendo outras doenças psicológicas.
- O psiquiatra Vicente Ramatis frisou que essas patologias “devem e precisam ser tratadas por profissionais especializados”.
Sinais
- Para identificar casos parecidos com o do adolescente de 13 anos, o psiquiatra pede para que os pais, ou responsáveis, passem a observar todos os comportamentos dos filhos.
- Comportamento introspectivo, notas baixas na escola, mudança de humor, alteração de sono e como ele (a) está lidando com suas relações interpessoais são alguns sinais apresentados por este público.
Como tratar
- Diante de sinais como esses, é necessário tratar. É preciso levar a pessoa a um serviço de urgência em saúde mental, buscar atendimento de um psiquiatra .
- A psicóloga Lana Francischetto também frisou o poder da conversa e escuta entre famílias.
- Segundo ela, criar um ambiente em que a criança se sinta segura, escutada e acolhida é fundamental para que os pais consigam identificar os problemas dos filhos, para assim buscar ajuda.
Fonte: Especialistas entrevistados.
OUTROS CASOS
Massacre em Realengo
- Às 8h15, do dia 7 de abril de 2011, um atirador entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo (RJ), matou 12 estudantes e feriu outros 13, com idades entre 12 e 14 anos.
- O ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, se apresentou como palestrante e entrou na escola. Em comemoração aos seus 40 anos, o colégio recebia ex-estudantes para falar sobre suas vidas fora do ambiente escolar. Na mochila, ele levava dois revólveres. O massacre foi interrompido por policiais. O atirador foi ferido em uma troca de tiros com um sargento e, em seguida, tirou a própria vida.
Tragédia em Suzano
- Em 13 de março de 2019, um massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP) chocou o País: um adolescente e um homem encapuzados mataram sete pessoas (cinco alunos e duas funcionárias do colégio). Antes, a dupla matou o proprietário de uma loja da região.
- Os assassinos – Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 – eram ex-alunos do colégio. Após o ataque, ainda na escola, o mais novo matou o mais velho e, em seguida, se suicidou.
Plano no Espírito Santo
- No Estado, um estudante de 14 anos confessou à Polícia Civil, em abril de 2019, que planejava promover um massacre na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Belmiro Teixeira Pimenta, onde frequentava, em Eurico Salles, na Serra.
- À polícia, ele revelou que a ideia do ataque surgiu após o massacre em Suzano (SP). Um dia depois do ataque, o garoto postou uma mensagem na rede social: “Um dia vai, Columbine (EUA), Suzano, Belmiro (onde estudava)”. À época, a polícia disse que ele iria responder pelo delito de causar pânico e tumulto.