
A principal característica que diferencia a espécie das demais é sua folha em formato de um coração alongado com a base sobreposta.
Thaís disse que ela e Rodrigo já tinham visto a planta anteriormente, porém, não tinham visto florida e nem sabiam de qual espécie era.
“Eu já havia coletado essa espécie para minha monografia, porém, não tinha conseguido identificá-la com nenhuma outra espécie já catalogada. A gente já estava com uma desconfiança de que aquela planta poderia ser algo diferente. O Rodrigo já tinha visto na época em que participou do Plano de Manejo – documento que toda a unidade de conservação possui para fazer o monitoramente da fauna e flora dos parques. A única coisa que nós sabíamos até então é que era uma planta de classificação Anthurium, porém não sabíamos a espécie. Todos meses nós fazemos esta caminhada pelo parque e, neste dia, o Rodrigo citou que tinha já avistado essa planta. Ficamos super atentos porque a gente queria encontrá-la”, contou a bióloga.

“Fomos para o laboratório para fazer as análises. O Rodrigo é especialista na família das Araceae, a qual podemos citar como exemplo o Copo-de-Leite, a Jibóia, dentre outras. Dentro de uma família de plantas existem vários gêneros. E dentro dos gêneros existem várias espécies. Essa planta que encontramos pertence a essa espécie, a Araceae. Fizemos todo o processo de pesquisa, que vai desde a contagem das folhas até medir o tamanho delas. Todo esse processo é muito importante. Depois é feita a classificação da espécie”, explicou a bióloga.
A nova espécie foi depositada no Herbário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Vies, e também no Museu de Biologia Professor Mello Leitão (MBML).
A espécie foi batizada de Anthurium Sagrilloanum, em homenagem ao pai de Thais, José Francisco Sagrillo, um apaixonado pela ciência e pela botânica, mesmo não tendo formação na área.
Sagrillo nasceu em Aracruz e é um morador antigo da cidade. Segundo Thaís, o pai, que é agricultor, tem um carinho muito grande pela natureza e já andava pela região do Aricanga antes do local se tornar um parque.
A bióloga explicou ainda que o primeiro nome é dado seguindo a regra da espécie. O prefixo pode ser o nome de uma pessoa.

Para o secretário de Meio Ambiente de Aracruz, Edgar Allan Martins, a descoberta dessa nova espécie de planta no Parque Natural Municipal do Aricanga evidencia a riqueza do ambiente em biodiversidade.
“Reforça ainda mais a necessidade de se preservar esse patrimônio tão importante para conservação da fauna e flora do município de Aracruz”, destaca o secretário.
De acordo com gerente de Recursos Naturais da Semam, Fabrício Rosa, o parque contou com um trabalho contínuo de conservação. “A Semam supervisiona a recuperação das áreas degradadas, a conservação das nascentes e de todo o parque. Além disso, promove a educação ambiental e fiscalização das imediações”, completou.
Fabrício ressaltou a importância desta descoberta para o município. “A partir de agora, isso fica registrado na literatura científica e pode chamar a atenção de outros pesquisadores para que sejam feitas outras pesquisas também no parque, podendo ganhar ainda mais visibilidade no mundo acadêmico”, frisou o gerente.
*Anthurium é a classificação que se dá à espécie de planta de caráter trepador ou rasteiro, herbácea e perene. A espécie se caracteriza por folhas grandes, verdes, grossas e, geralmente, em forma de coração.
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