
É o que mostra o último censo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Realizada em 2016, a pesquisa constatou que em 10 anos houve um aumento de 141% no número de procedimentos cirúrgicos entre jovens de 13 a 18 anos.
O levantamento apontou que foram feitas 1.472.435 cirurgias estéticas ou reparadoras no Brasil, das quais 6,5% foram em pacientes entre 13 e 18 anos, o que equivale a 97 mil procedimentos.
O cirurgião Humberto Pinto explicou que os jovens e adolescentes sofrem pressão dos colegas e até dentro de casa por causa do tamanho das orelhas, seios e nariz.
“Hoje em dia às humilhações não são feitas só na escola ou por parentes, há ainda o bullying digital, através das redes sociais. Além disso, eles buscam inspiração em jovens na internet que mostram uma realidade construída, e isso tudo gera uma angústia”, afirmou.
De acordo com ele, as cirurgias ficaram mais acessíveis, o que teria contribuído para esse aumento.
“Somente este mês cheguei a realizar entre 12 a 15 cirurgias por semana, tanto em adolescentes quanto em pessoas que preferem a temperatura mais amena para realizar o procedimento”.
Segundo o cirurgião plástico Ariosto Santos, as cirurgias em adolescentes representam 13% do volume total de cirurgias plásticas no Estado, sendo cerca de 6 mil cirurgias. Porém, em julho, o número fica maior.
“A procura dos jovens vai muito além da estética, às vezes está ligada a problemas de saúde física, emocional e psicológica. Em julho, a demanda cresce de 25 a 30%, por causa das férias escolares”.
Ele frisou que as cirurgias mais procuradas pelas meninas são a redução da mama ou a colocação de prótese nos seios.
“Já os meninos buscam mais a correção da orelha de abano (otoplastia), o nariz (rinoplastia) e a ginecomastia, que é o excesso de tecido mamário”.
O estudante Danilo Quinto, 14, fez a cirurgia de ginecomastia este ano. A mãe dele, a confeiteira Riane Quinto, 50, disse que ele já não queria mais ir à praia ou para a piscina para não ter de tirar a camisa.
“Nós procuramos um endocrinologista quando ele tinha 10 anos, fizemos acompanhamento nesse tempo e o peito não diminuiu, pelo contrário. No ano passado, o endócrino e a psicóloga dele indicaram a cirurgia. Meu filho ficou muito satisfeito e está feliz”, contou.