A poluição do ar nas grandes cidades, e até dentro de casa, é um dos principais fatores de risco para as alergias respiratórias como asma e rinite, ou mesmo para a conjuntivite alérgica.
O alergista e imunologista José Carlos Perini aponta que, em Vitória e em outras grandes cidades, a rinite alérgica é muito comum.
“Principalmente por causa da poluição veicular. Outra variável é que a gravidade da asma urbana é maior do que a da asma rural. Um paciente urbano está mais sujeito a complicações de asma do que o paciente da área rural”, frisa.
Ele explica que o material particulado (PM) — proveniente da queima do óleo diesel, da gasolina em carro mal regulado (que aumenta muito quando tem engarrafamento) e da produção industrial — é o grande responsável pelas alergias.
“Esse material particulado entra na via respiratória, indo tão fundo a ponto de irritar o pulmão, em alguns casos. A partícula entra no nariz, aumentando a sensibilidade, o que facilita a reação alérgica. Então, a poluição se torna facilitadora para a entrada dos alérgenos”, observa.
As doenças alérgicas se desenvolveram, em grande parte, como resultado de mudanças no estilo de vida, aponta o alergista e imunologista Fabrício Prado Monteiro.
“Isso levou a população a se tornar sensível a proteínas estranhas irrelevantes. Inicialmente, essas proteínas eram predominantemente pólen inalado associado à rinite alérgica, com posterior extensão a alérgenos perenes do interior do domicílio, fortemente associados à asma. Mais recentemente, vários alimentos se tornaram o foco”.
Para ele, a rapidez no aumento da prevalência de doenças alérgicas, especialmente da asma, sugere mudanças ambientais.
“Dieta, estilo de vida e comportamento individual nos últimos 150 anos podem ter papel fundamental neste fenômeno. Não há como evitar a herança genética, portanto, na prevenção primária temos que atuar diminuindo as sensibilizações”.
A dermatologista Irene Baldi lembra que há inúmeras causas que podem causar alergias, até mesmo o estresse.
“O que a gente sempre recomenda é uma ajuda médica para tratar antes que ela se torne crônica”, destacou.
Não pode tomar dipirona
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Cerca de 12% dos brasileiros já apresentaram algum tipo de reação alérgica a medicamentos, de acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Um desses brasileiros é a secretaria Silvia Félix, de 40 anos.
“Tenho alergia a dipirona e associações. Uma vez tomei e fiquei com o rosto todo inchado. Depois disso, fui ao médico alergista, que fez o teste e descobrimos. Sempre levo comigo os remédios que posso tomar para não ter risco”, comentou.
Descoberta com teste do pezinho
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O pequeno Valentim Mendes de Almeida, 2, nasceu com a condição genética chamada de G6PD que, segundo a mãe dele, Mariza Mendes, 43, o torna sensível ao contato com algumas coisas como alimentos com corante, naftalina e até mesmo a medicações.
“Ao nascer, fizemos o teste do pezinho mais ampliado e descobrimos a condição. Se ele tiver contato com algum agente agressor, pode entrar em hemólise (efeitos graves no sangue)”.
Bijuterias são as que mais causam dermatite de contato
A dermatite de contato é uma das reações alérgicas mais comuns, que ocorre quando há contato com alguma substância que desencadeia a inflamação na pele. O uso das bijuterias, que são produzidas com sulfato de níquel e cloreto de cobalto, são as que mais causam dermatite de contato em mulheres, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).
Produtos de cuidados pessoais como sabonetes, xampus, desodorantes, cremes, produtos químicos capilares, ente eles a tintura de cabelo, são outros causadores de dermatite de contato alérgica.
Os sintomas dessa alergia não são imediatos, podendo ocorrer depois de algumas horas ou até alguns dias, e são caracterizados por reações como vermelhidão, prurido e, às vezes, formações de vesículas (bolinhas com água) onde ocorreu o contato com o objeto causador da reação.
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“A dermatite de contato é uma das alergias mais comuns nos adultos. É uma reação inflamatória da pele a alguma substância que o organismo é alérgico. Pode acontecer com qualquer um porque, às vezes, a gente nem sabe que é alérgico a uma substância até consumi-la. A dermatite atópica também é muito comum em crianças e bebês, mas ela não costuma acompanhá-los por toda a vida”, explicou a dermatologista Karina Mazzini.
A dermatite atópica apresenta vários graus de gravidade que variam de leve, moderado e grave, como explica a dermatologista do São Bernardo Apart Hospital, Renata Quindeler.
“Em crianças e bebês elas aparecem, geralmente, no rosto, cotovelos e joelhos. E em crianças maiores e adultos, nas dobras do corpo como pescoço, cotovelos e atrás dos joelhos. A hidratação da pele é um dos principais cuidados a serem recomendados para os pacientes, independente da gravidade. Uma pele ressecada terá mais coçeira e, consequentemente, mais lesões”.
Alergia ao sal rosa
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A economista Isabel Berlinck, 47, descobriu, de forma inusitada, que tem alergia ao sal rosa do Himalaia.
Ela conta que havia mudado de plano de saúde e queria testar se a nova carteirinha funcionava, e marcou uma consulta com o alergista em uma clínica perto de casa. E assim descobriu a sensibilidade ao iodo.
“O sal rosa tem muito iodo e, por isso, não posso nem pensar em comer. Uma vez comi sem saber, minha glote fechou na hora. Sempre ando com antialérgico comigo”.
Saiba mais
alergia
Na alergia, o corpo identifica a causa como um invasor. Por isso, a resposta imunológica é imediata, pois o organismo tenta combater o agente agressor respondendo de forma exagerada.
Podem surgir sintomas como manchas, tosse, irritação nasal, inchaço, entre outros.
Intolerância
A intolerância, principalmente alimentar, está relacionada à capacidade que o corpo tem de digerir ou absorver o alimento.
O que pode acontecer devido à ausência de enzimas para a digestão adequada. Pode provocar dor abdominal, gases, diarreia, prisão de ventre, enjoo ou vômito.
Intoxicação
A intoxicação é causada pela exposição do corpo a substâncias nocivas ao organismo. Ela é a mais comum, sendo provocada pela ingestão de comida contaminada.
Pode ter sintomas parecidos aos da alergia e da intolerância, mas são causados em episódios únicos.
Fonte: Projeto Brasil Sem Alergia, Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) e médicos consultados.