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INSEGURANÇA NAS RUAS

População aumenta e faltam 4.800 policiais no Estado

Associações de militares e sindicato da Polícia Civil afirmam que efetivo não acompanhou o aumento populacional

Última atualização

O Espírito Santo tem mais de 4 milhões de habitantes e, mesmo com o aumento da população e do ritmo crescente da violência, o enfrentamento da criminalidade tem sido um desafio diante da falta de policiais. 

Somados os efetivos das polícias Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros, o déficit chega a 4.800 policiais e militares no Estado, considerando que muitos vão para a reserva e a recomposição do efetivo não acompanha a demanda.

O diretor financeiro do Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindipol-ES), Rodrigo Bonomo, afirmou que só na Polícia Civil há 1.394 policiais a menos, se levado em consideração o quadro da corporação previsto na lei de 1990. 

“Pela lei, que tem mais de 30 anos, o quadro é 3.821 policiais civis. No entanto, dados de 2021 do próprio governo mostravam que tínhamos 1.868. Então menos que a metade do  previsto, com uma população hoje muito maior”.

Para ele, o problema é o déficit que se arrastou por anos, sem que quadros fossem recompostos até recentemente. “O concurso de 2012 para Agente de Polícia Civil foi paralisado por questões judiciais. Hoje, seria possível contratar nova banca e dar continuidade”.

Ele destacou que os maiores gargalos hoje são para cargos de agente e escrivão. “Na prática, as delegacias distritais, de bairro, não têm efetivo suficiente para investigar crimes. O agente, que poderia investigar, acaba atuando como escrivão, registrando ocorrências e como responsável pelo cartório”.

O presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Estado, Jackson Eugênio Silote, contou que, pela legislação, o efetivo da PM deveria ser de  10.992 militares, mas hoje cerca de 8 mil estão na ativa, ou seja, há uma carência de mais de 2.900 homens. 

Já no Corpo de Bombeiros, a quantidade prevista é 1.816, mas na realidade a corporação conta com cerca de 400 a menos.

“Isso causa aos policiais e bombeiros militares um  desgaste muito grande”, destacou. 

O diretor da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-ES), José Antonio Pupim, disse que é visível a falta de policiamento. 

“É preciso aumentar o policiamento, mas também modificar a legislação para que o réu não seja liberado na audiência de custódia”.

Governo diz que vai fazer mais concursos e ampliar efetivo

Diante do levantamento realizado por associações e sindicatos, mostrando déficit de policiais atuando, as corporações afirmaram que têm feito recomposições dos quadros. 

A Polícia Civil informou que, hoje, conta com 2.300 profissionais em atividade e que tem sido prioridade o aumento de efetivo, que sofreu desgaste devido à falta de concursos na gestão anterior. 

Apontou que já houve reforço com 373 novos policiais em dezembro. Eles foram aprovados no concurso de 2018. O chamamento da 2ª turma deve ocorrer segunda-feira, 4, com 158 convocados.

Além disso, no ano passado, foi autorizado novo concurso para 40 vagas de delegado. O edital deve ser publicado ainda neste ano.

A Polícia Militar informou que, para compor o efetivo, foi realizado em 2018 um concurso público com 650 vagas. Dos aprovados, 252 finalizaram o curso  em 2021 e estão atuando. Outros 278 devem se formar este ano.  

Em 2018, foram abertas 80 vagas para o Curso de Formação de Oficiais. Aprovados iniciaram em 2021 as atividades na Academia da PM. Ainda foram lançados editais para soldado músico e área de saúde.

Será lançado neste ano, o edital de um concurso com 1.111 vagas, sendo mil para soldado.


CASOS















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Sem registro de ocorrência

Mesmo após o susto que passou ao ser assaltada enquanto andava na rua, em Vila Velha, a autônoma Lorrana Leal, de 27 anos, não registrou a ocorrência do roubo de seu aparelho celular. “Não adianta nada. É só estatística, então nem registrei. Não há policial suficiente para investigar esses crimes menores”.

Segundo ela, o que tem feito é redobrar o cuidado e não andar com o telefone na mão.

 













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Surpreendido por criminosos

Eram 20 horas quando o montador Eduardo Ribeiro Santana, de 33 anos, foi surpreendido por bandidos em um ponto de ônibus na BR-101, em Carapina, na Serra.

“Eles estavam em quatro e um roubou o meu celular, que estava no bolso. Ele dizia: ‘entrega, entrega’. Não tive opção”.

Ele contou que ligou para a polícia de outro aparelho. “Fizeram tantas perguntas, que eles fugiram”.

 













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“Virar estatística”

Morador da Praia da Costa, Vila Velha, um engenheiro químico, de 32 anos, já teve três celulares roubados no calçadão, acumulando um prejuízo de cerca de R$ 3 mil.

“Registrei boletins de ocorrências, mas só serviu para virar estatística. Precisamos de mais policiamento nas ruas e reforço no quadro para investigar os crimes”.


SAIBA MAIS


Polícia Civil

  • Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) apontou que o quadro da Polícia Civil, pela legislação de 1990, é composto por 3.821 trabalhadores. 
  • No entanto, dados de 2021 do próprio governo do Estado mostravam que tínhamos 1.868, que se somam a 401 convocados no ano passado e mais 158 a serem chamados. 
  • O déficit, ainda, seria de 1.394 policiais civis.

Polícia Militar

  • Dados da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Estado mostram que o efetivo da PM deveria ser de 10.992. Só que atualmente cerca de 8 mil estão na ativa. Com isso, o déficit é de 2.992  profissionais.

Corpo de Bombeiros

  • A quantidade prevista é 1.816, mas o efetivo real é de cerca de 1.400 militares, deixando um saldo negativo de mais de 400.

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