A sexta-feira de protesto em diferentes pontos da Grande Vitória trouxe transtornos para quem não aderiu a chamada “Greve Geral”. A manifestação contra o projeto de reforma da Previdência, do Governo Federal, e contra o corte de gastos na Educação fez com que os capixabas amanhecessem com a frota reduzida de ônibus e pistas interditadas.
Com menos ônibus nas ruas, os passageiros sofreram com os atrasos e tiveram problemas para chegar ao trabalho.
Uma farmacêutica de 34 anos, que pediu para não ser identificada, pegou o ônibus no Ibes, em Vila Velha, às 4h30. Às 7h30, ela ainda estava no Terminal de Vila Velha. “Quando chegamos na Terceira Ponte estava tudo fechado, então peguei uma carona e voltei para cá. Agora estou esperando meu chefe me buscar”, desabafou.
Já na Ilha do Principe, uma passageira que saiu de Vila Velha para trabalhar na Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória, teve que descer do ônibus e seguir viagem à pé. “Saí de casa às quatro da manhã e fiquei presa neste trânsito. Tive que descer à pé. Muito triste isso”, contou.
Segundo a Ceturb, os motoristas de ônibus cumpriram a determinação da Justiça para que os rodoviários mantivessem 70% dos veículos em circulação nos horários de pico, e 50% nos demais horários. A Ceturb-ES informou que, até às 10h, o sistema rodou com 74% da frota.
Quem optou por seguir viagem de carro, encontrou longos congestionamentos nas principais vias da Grande Vitória. Nas ruas do entorno da Terceira Ponte, no bairro Praia da Costa, longas filas de veículos se formaram. Em Vitória, houve congestionamento nos bairros Santa Lúcia, Praia do Canto, Enseada do Suá e região.
Protestos desde o início da manhã
Logo às 6 da manhã, dois pontos de protesto complicaram o trânsito na Grande Vitória. Na Terceira Ponte, um grupo bloqueou o acesso na região da Praia da Costa, impedido os motoristas que precisavam se deslocar no sentido Vila Velha x Vitória, horário de maior fluxo de veículos neste período.
Os manifestantes, membros de centrais sindicais e movimentos estudantis, chegaram por volta das 5h50 e bloqueram toda a pista colocando fogo em pneus. Depois de negociação com Guarda Municipal e a Polícia Militar, eles concordaram em liberar uma faixa, por volta de 6h20.
Apenas uma pista foi liberada durante o protesto, que durou cerca de quatro horas.
Em outro ponto, os manifestantes atearam fogo em pneus e interditaram a passagem de veículos na Ilha do Príncipe, na chegada à Vitória por Vila Velha e Cariacica.
Um ônibus da linha 559, que seguia do Terminal de São Torquato para o Terminal de Laranjeiras, foi impedido de seguir viagem. O motorista até tentou furar o bloqueio, mas foi impedido pelos manifestantes. As chamas quase atingiram um ônibus do Sistema Transcol, e o motorista teve que subir no canteiro central da pista para evitar um acidente.
Diante da confusão, os passageiros chegaram a quebrar as janelas e pular do ônibus, com medo que houvesse uma explosão.
Houve também protestos na Avenida Dante Michelini, na Praia de Camburi, na Reta da Penha e Vila Rubim.



