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Porteiro tem 8 paradas cardíacas no mesmo dia

Ter sobrevivido a oito paradas cardíacas, em menos de 24 horas, trouxe um novo capítulo para a vida do porteiro José Rogério Bernardes, de 53 ...

José Bernardes mostra exames feitos durante o período de internação. “Acordei no hospital, após quase um mês”

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Ter sobrevivido a oito paradas cardíacas, em menos de 24 horas, trouxe um novo capítulo para a vida do porteiro José Rogério Bernardes, de 53 anos.

Preocupado com a própria saúde, ele teve de mudar radicalmente seus hábitos e se tornou, para amigos e familiares, um verdadeiro exemplo de superação.

Hoje, data em que é celebrado o Dia do Coração, enquanto se recupera ao lado da família, o porteiro já mantém costumes antes inimagináveis, como regrar a alimentação, evitar o álcool e criar uma rotina de atividades físicas regulares.

A história de transformação do morador do bairro Alecrim, em Vila Velha, começou no dia 14 de junho deste ano, após se sentir mal no trabalho e precisar parar no hospital, entre a vida e a morte.

Mesmo sem histórico de problemas de saúde, José recebeu o diagnóstico de embolia pulmonar (obstrução que impede a circulação sanguínea do coração para o pulmão).

O porteiro chegou a ficar 30 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Vila Velha. Nesse período, seus rins pararam e ele contraiu desde uma pneumonia até uma bactéria hospitalar.

“Foi um acúmulo de motivos que geraram as paradas cardíacas e os outros problemas, como a má alimentação, o sobrepeso e o fato de ter contraído a covid-19 meses antes”, acredita a filha do porteiro, Luziane Bernardes, de 25 anos.

Apesar de ter poucas memórias do período em que esteve no hospital, o tamanho do susto, segundo conta José, fez com que ele fizesse uma revisão de suas atitudes em relação ao próprio corpo.

“Eu não fazia exercícios nem parava de comer besteiras por achar que nada fosse acontecer comigo. No dia, lembro só de ter ido ao banheiro e, de repente, cair no chão. Acordei no hospital, após quase um mês. Levei um susto”, conta.

Ele espera que, com essas mudanças de hábitos, consiga superar de vez as sequelas da doença. “Por enquanto, ainda estou meio fraco, mas quero voltar logo a trabalhar e jogar meu futebol”, comenta.

Quem acompanhou de perto a recuperação do porteiro foi o cardiologista Diogo Barreto, que, para salvar a sua vida, fez uso de uma nova tecnologia disponível no mercado: a ultrassonografia “point of care”, um exame rápido, feito diretamente no leito do paciente.

“Durante as reanimações, vimos que o coração estava com dificuldade de passar sangue ao pulmão. Se não tivéssemos agido na hora, ele dificilmente sobreviveria”, explica.

Diogo alerta ainda que não é comum que uma pessoa tenha sucessivas paradas cardíacas, mas que, para evitá-las, o mais importante é a prevenção. “É preciso ter práticas saudáveis e, em caso de dor, procurar um médico logo”.

Check-up a partir dos 30

Para diagnosticar de forma precoce o surgimento de doenças cardiovasculares, a principal orientação dos especialistas é que um check-up do coração seja feito já a partir dos 30 anos de idade.

A regra inicial, conforme explicam os médicos da área, era que esses exames fossem realizados com 40 anos ou mais. Contudo, com o surgimento de casos em pessoas mais jovens, a faixa etária diminuiu.

“Por causa do ritmo acelerado do cotidiano, as pessoas estão mais agitadas. Só que, se o nível de estresse aumenta, o risco de doenças também cresce, a exemplo do infarto”, detalha o cirurgião cardiovascular Melchior Luiz Lima.

Pacientes com histórico familiar de diabetes melito, hipertensão arterial ou fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo, obesidade e má alimentação apresentam risco aumentado para as doenças do coração e do sistema circulatório.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que, ao final deste ano, quase 400 mil cidadãos brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação.

Muitas dessas mortes, porém, podem ser evitadas ou postergadas com um devido cuidado ao aparecimento de sintomas. “A pessoa pode apresentar quadro de dor torácica em aperto ou queimação, palpitações, falta de ar, entre outros”, detalha o cardiologista Eduardo Moyses.


Saiba mais: saúde do coração com hábitos saudáveis


Dia do Coração

  • Celebrado hoje, o Dia do Coração tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância de manter hábitos saudáveis para preservar a saúde do órgão.
  • A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que, ao final deste ano, quase 400 mil brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação. Isso corresponde a 1.100 mortes diárias, em média.

Causas e sintomas

  • Dentre os principais fatores de risco para a ocorrência das doenças cardiovasculares, estão: diabetes, hipertensão, tabagismo, estresse, obesidade, doenças da tireoide e colesterol alto.
  • Os principais sintomas que a pessoa apresenta ao ter uma parada cardíaca, por exemplo, incluem um quadro de dor torácica ou queimação, palpitações, taquicardia, falta de ar, fraqueza, náuseas e/ou sensação de desmaio.

Como evitar

  • Os meios mais eficazes para controlar esses fatores de risco são a partir da prática regular de exercícios físicos, redução do nível de colesterol no sangue, monitoramento da pressão arterial, entre outros.

Infarto x parada cardíaca

  • Não é comum que uma pessoa tenha sucessivas paradas cardíacas, mas pode acontecer, como foi o caso do porteiro José Rogério Bernardes, de 53 anos.
  • Também não existe uma quantidade específica de paradas cardíacas que levariam um indivíduo à morte. Porém, caso ele sofra um infarto, as chances de vir a morrer são maiores, segundo o coordenador do Setor de Cardiologia do Hospital Evangélico de Vila Velha, Diogo Barreto.
  • Existe uma diferença entre infarto e parada cardíaca.
  • O infarto é uma das causas da parada cardíaca, que gera a obstrução de um vaso que alimenta o coração.
  • Já a parada cardíaca ocorre quando o órgão para de bater ou os batimentos diminuem de forma significativa.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia e especialistas consultados.

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