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Praças têm “superlotação” de moradores de rua

Em praças, calçadas, debaixo de pontes, viadutos e marquises. São em locais como esses que 1.190 pessoas moram ou passam o dia na Grande Vitória. É ...

Moradores em situação de rua: 1.190 pessoas vivem nas calçadas, debaixo de ponte e viadutos da Grande Vitória

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Moradores em situação de rua:  1.190 pessoas vivem nas calçadas, debaixo de ponte e viadutos da Grande Vitória (Foto: Beto Morais/AT)

Em praças, calçadas, debaixo de pontes, viadutos e marquises. São em locais como esses que 1.190 pessoas moram ou passam o dia na Grande Vitória. É uma população de rua que aumenta cada vez mais, superlotando espaços públicos.

Os dados são de um levantamento realizado pela reportagem de A Tribuna junto às prefeituras de Vitória, Serra, Vila Velha e Cariacica. O número real pode ser ainda maior, já que nem todos os moradores de rua são abordados e cadastrados pelos municípios.

Quem passa por Jucutuquara, na capital, percebe que a presença deles é cada vez maior. A situação é mais crítica na praça do bairro, onde os moradores de rua se aglomeram e até montam barracas improvisadas com panos e papelão. O medo de quem passa por lá é constante, já que alguns utilizam drogas, principalmente crack.

“Essa população é muito flutuante, ainda mais se tratando da capital, que atrai mais pessoas no verão. Hoje, são cerca de 300 pessoas em situação de rua em Vitória. Cada uma tem uma história e precisamos compreender de forma individual para fazer a abordagem e o encaminhamento certo”, ressaltou a secretária de Assistência Social de Vitória, Cintya Schulz.

Na Serra, o principal endereço do problema é o bairro Jardim Limoeiro. De acordo com a prefeitura do município, são 664 moradores mapeados em toda a cidade.

“Esse número é alto porque nós abordamos todas as pessoas de rua, mesmo as que estão de passagem pelo município”, explicou a secretária de Assistência Social da Serra, Lilian Mota.

Ela conta que em uma das abordagens no início do ano, em Jacaraípe, das 34 pessoas que estavam usando droga, 20 tinham casa no mesmo bairro. “Estavam ali para fugir do ambiente de conflito familiar”, contou Lilian.

As prefeituras estão mapeando os locais mais frequentados pelos moradores de rua através do georreferenciamento, utilizando as coordenadas. No caso de Vila Velha, a administração também levanta os pontos de uso de droga.

“A abordagem de quem está na rua ou está usando droga precisa ser diferente”, disse a secretária de Assistência Social Leticia Goldner.

Cenas

Pessoas em situação de rua ocupam praça do bairro Jardim da Penha, em Vitória. (Foto: Beto Morais/AT)

Em Jucutuquara, na capital, muitos moradores em situação de rua dormem na praça do bairro. (Foto: Beto Morais/AT)

Calçada em frente aos Correios, na Avenida Leitão da Silva, em Vitória, virou moradia improvisada. (Foto: Beto Morais/AT)

Mais abordagens e abrigos reabertos

Diante de um número cada vez maior de moradores em situação de rua, as prefeituras da Grande Vitória prometem aumentar as abordagens sociais e reabrir abrigos.

Moradores: pertences em praça (Foto:  Beto Morais/AT)A prefeitura de Vitória informou que está com um calendário de abordagem oferecendo assistência social e serviços de saúde. “A palavra é integração das equipes, pois a demanda nem sempre é a mesma”, ressaltou a secretária de Assistência Social Cintya Schulz.

Em Vila Velha, a secretária de Assistência Social Leticia Goldner afirma que as abordagens aumentaram desde o início da nova gestão. “Colocamos equipes também nos finais de semana, reabrimos um abrigo e retomamos o atendimento do Centro Pop. A população de rua vai percebendo a volta do serviço e vai aceitando o atendimento para ter a perspectiva de sair da rua”, disse.

Em Cariacica, a aposta também é no atendimento envolvendo assistência social e médica. “Criando um vínculo, fazemos o encaminhamento necessário e até mesmo o retorno ao lar”, disse a secretária de Assistência Social Danyelle Lírio.

Na Serra, além das abordagens sociais e da oferta de espaço para atendimento psicológico e higiene, a prefeitura estuda a criação de restaurante popular e ações integradas com outras prefeituras.

“As pessoas não estão na rua porque querem. A abordagem continua sendo importante, pois muitos só precisam de acolhimento e diálogo para voltar a ter o vínculo com a família”, ressaltou a secretária de Assistência Social Lilian Mota.

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