A hipertensão arterial (pressão alta) atinge 25,5% da população adulta no Estado, o que equivale a 774 mil pessoas. É o que mostra a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A doença, mais frequente em indivíduos acima de 50 anos, tem acometido cada vez mais jovens, segundo especialistas.

“Por isso, é importante todo paciente, independentemente da idade, aferir a pressão arterial”, orienta o cardiologista José Vitelio.
O médico disse que o fator genético pode gerar a hipertensão, e que isso ainda não há como evitar. “Mas há fatores de risco que podem ser alterados, como alimentação, atividade física e estresse”.
O recepcionista John Lucas Alves Macedo, de 27 anos, é um dos jovens hipertensos do Estado. Ele descobriu a doença aos 15 anos, quando estava em um tratamento dentário. “Foi uma surpresa, já que na época eu praticava atividade física e nunca havia demonstrado nenhum sintoma”, contou.
Depois de se descobrir hipertenso, John precisou reduzir a gordura e o sal na alimentação.
Para a médica Kátia Vasconcellos, um dos motivos para o aumento de jovens hipertensos foi a mudança na rotina.
“Eles estão com o estilo de vida mais competitivo, trabalhando mais e mais sedentários. Além disso, aumentou o índice de obesidade no Brasil, o de alimentação fast food (comida rápida, em inglês) e o de consumo de bebida alcoólica, que aumentam a pressão arterial”.

Para a prevenção, o médico sugere tirar o sal adicionado na comida, pois os alimentos já têm a quantidade de sódio que o organismo precisa. “Outra medida é ter uma vida com válvulas de escape, como fazer atividade física e ter uma mente saudável”.
Descoberta da doença na sala de aula
Em uma aula da faculdade sobre aferir a pressão, há quatro anos, a estudante de Enfermagem Sara Líbina Cruzio Nascimento, de 25 anos, descobriu que é hipertensa.
“Não tive sintoma nenhum. Descobri porque, na aula, estávamos aprendendo a aferir a pressão e eu aferi a da minha dupla. Quando ela aferiu a minha, viu que estava muito alta”, contou.
A estudante mediu a tensão nas artérias por mais três dias seguidos, no mesmo horário, e depois procurou por atendimento médico. Após descobrir a hipertensão, Sara passou a tomar medicações diariamente e a fazer atividade física de forma regular.
“Já fazia academia desde antes, mas não ia com muita regularidade. Agora, vou três vezes por semana”.
Saiba mais
Hipertensão
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O que é: é uma doença arterial, sistêmica, familiar e silenciosa, em que a força do sangue contra a parede das artérias é tão grande a ponto de elevar a pressão sanguínea e poder danificar as artérias dos órgãos.
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Sintomas: dor de cabeça, pressão na nuca, tontura, sensação de dormência nos braços e nos lábios, dor no peito e cansaço. Mas, muitas vezes, as pessoas são assintomáticas. Por isso, independente da idade, é importante aferir a pressão arterial.
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O que ela pode causar: rompimento de artérias, derrame, aneurismas da aorta, entupimento das coronárias, entre outros problemas de saúde.
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Como prevenir: evitar a obesidade, ter uma alimentação adequada e praticar atividade física. Entre os alimentos que devem ser evitados estão enlatados, industrializados, defumados, entre outros.
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Tratamento: não tem cura, mas há controle. Esse controle pode se dar a partir de mudanças no estilo de vida, com uma alimentação saudável, pobre em sódio e rica em potássio, a prática regular de exercício físico e, dependendo do nível da hipertensão, associar medicamentos – sempre com supervisão médica.
Pesquisa Nacional de Saúde (PNS)
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A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), traz dados sobre a saúde da população e os hábitos saudáveis de vida.
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O estudo mostrou que, no Espírito Santo, 25,5% das pessoas acionadas têm hipertensão, o que equivale a 774 mil indivíduos.
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A pesquisa foi realizada com adultos, de 18 anos ou mais.
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Sobre assistência médica, 69,8% dos hipertensos afirmaram ter recebido atendimento nos últimos 12 meses. A proporção de pessoas maiores de 18 anos com diagnóstico de hipertensão arterial que realizaram a última consulta em uma unidade básica de saúde foi de 43,5%.
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Considerando as pessoas com pelo menos 18 anos de idade que referiram diagnóstico médico de hipertensão arterial, 88,3% tomaram todos os medicamentos receitados para controlar a hipertensão nas duas últimas semanas anteriores à data da entrevista.
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No Espírito Santo, 43% afirmaram obter pelo menos um medicamento para hipertensão no programa “Aqui Tem Farmácia Popular”.
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O programa “Aqui Tem Farmácia Popular” é uma iniciativa do governo federal e disponibiliza medicamentos e insumos considerados essenciais ao tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, a baixo custo ou gratuitamente, por meio da rede privada de farmácias e drogarias.
Aumento da hipertensão em jovens
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Uma das hipóteses para o aumento da hipertensão em jovens é que, durante este período de pandemia, cresceu o sedentarismo, a obesidade e as dietas inadequadas. Esses fatores, associados a um histórico familiar, podem ocasionar a doença.
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Além da alimentação, o estresse é outro fator que pode ter gerado o crescimento do número de jovens hipertensos.
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Pessoas que viram a noite trabalhando ou assistindo à televisão alteram o próprio ciclo hormonal, o que pode acarretar aumento da pressão.
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Outro possível fator é a genética, em que a hipertensão pode ser passada de pai/mãe para filho.
Fonte: Especialistas consultados e IBGE.

