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Procura por bicicletas aumenta 50% durante a pandemia

O medo da população em andar de ônibus e contrair o novo coronavírus fez crescer a venda de bicicleta.De acordo com um levantamento da Associação ...

Sérgio Murilo registrou aumento das vendas de bicicletas na sua loja.

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Sérgio Murilo registrou aumento das vendas de bicicletas na sua loja. (Foto: Leone Iglesias/AT)O medo da população em andar de ônibus e contrair o novo coronavírus fez crescer a venda de bicicleta.

De acordo com um levantamento da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), a procura aumentou em 50% nos últimos meses, contrariando uma tendência de queda esperada no início da pandemia.

Entre março e abril, quando as primeiras medidas visando ao isolamento social foram implantadas, o setor teve queda de até 70% nas vendas. A situação começou a mudar em maio, quando muitos voltaram a trabalhar e em meio aos incentivos ao transporte individual para evitar a disseminação da doença.

O aumento atual da demanda, inclusive, já superou as perdas do início da quarentena, segundo o presidente da Aliança Bike, Giancarlo Clini.

“O que se pode concluir é que a pandemia e o processo de saída dela estão trazendo ao mercado de bicicletas um público novo, que está buscando uma nova forma de se locomover. Tanto para fugir das aglomerações do ônibus, quanto pelo alto custo do carro”, afirmou.

O vigilante Wellington de Souza, de 33 anos, se encaixa neste novo perfil de ciclista. Antes da pandemia, ele costumava ir ao trabalho de ônibus, Uber ou carona. Com a pandemia, veio o receio de aglomerações e ele comprou uma bicicleta. Agora, ele pedala cerca de 50 km por dia, num trajeto de ida e volta entre Terra Vermelha, em Vila Velha, e Praia do Suá, em Vitória.

“Com isso, passei até a ter uma vida mais saudável, pois deixei de ser sedentário. Acabei perdendo 14 quilos”, contou o vigilante.

De acordo com o levantamento da Aliança Bike, os modelos mais procurados são as chamadas bicicletas de entrada, aquelas que servem para o deslocamento urbano. Um exemplo do aumento na demanda vem da loja Celeiro Bike Shop, em Vila Velha, que passou a vender mais nas últimas semanas devido à priorização do transporte individual, segundo o proprietário Sérgio Murilo.

Os números do sistema de aluguel de bicicletas compartilhadas em Vila Velha também confirmam a grande procura pelas bikes. De acordo com a Tembici, empresa que administra o sistema, a demanda aumentou 10% entre maio e junho, mesmo com menos pessoas utilizando as bikes para lazer.

Produção de bikes dobra no País

A corrida para comprar bicicletas durante a pandemia teve reflexo direto nas fábricas. Em junho, a produção dobrou no Polo Industrial de Manaus, que fabrica e distribui as bikes para todo o País. O aumento foi de 117%, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Bicicletas (Abraciclo).

Em apenas um mês, 46.913 bicicletas foram produzidas. Em maio, produção não passou de 22 mil unidades. Apesar do aumento, o ano de 2020 ainda representa menos bikes produzidas do que o mesmo período de 2019, já que as fábricas reduziram suas capacidades por conta da pandemia.

O vice-presidente do Segmento de Bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, afirmou que o resultado alcançado em junho comprova uma reação do setor, mas reconhece que a recuperação depende da normalização das operações de varejo.

“O estímulo ao uso da bicicleta como alternativa de mobilidade urbana pelas autoridades seria um fator importante para a recuperação do segmento”, disse.
 

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