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Produção de mel vira fonte de renda para afetados pela tragédia de Mariana

Famílias da foz do Rio Doce, no litoral de Linhares, no Norte do Estado, apostam na criação de abelhas sem ferrão para a produção de mel como fonte ...

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Famílias da foz do Rio Doce, no litoral de Linhares, no Norte do Estado, apostam na criação de abelhas sem ferrão para a produção de mel como fonte de renda alternativa. O projeto de meliponicultura beneficia quatro comunidades e a expectativa e produzir até 1 tonelada do alimento por ano.

Nesta primeira etapa, o projeto contempla 36 famílias de Regência, Povoação, Areal e Entre Rios. O objetivo é entregar, até meados do ano que vem, 216 colônias para a criação das abelhas. Serão utilizadas as espécies Jataí, Mandaçaia e Uruçu-amarela. A ideia é comercializar o mel e ainda incrementar a produção agrícola das famílias, já que o inseto é um importante polinizador.

As famílias da região foram prejudicadas com o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em Minas Gerais, em novembro de 2015, cujos rejeitos poluíram o Rio Doce, atrapalhando a economia das populações ribeirinhas em várias regiões do Espírito Santo.

A iniciativa faz parte das ações da Fundação Renova de incentivo à economia local. A Fundação Renova é a entidade responsável pela mobilização para a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Mariana.

O trabalho é realizado por meio de um convênio com a Associação dos Meliponicultores do Estado do Espírito Santo (AME-ES), que presta toda a assessoria técnica às famílias. Cerca de 120 pessoas já foram capacitadas, com treinamento, oficinas, visitas e informações como manejo e legislação.

A escolha das abelhas sem ferrão, diferentemente da apicultura, levou em consideração a vocação da região, a segurança dos produtores e a facilidade de manipulação. A produção também pode ser feita em área urbana, e o mel é considerado de excelente qualidade e de alto custo-benefício no mercado.

Sustentabilidade

Além de ser fonte de renda, as abelhas, por meio da polinização, ajudam no reflorestamento e na melhoria da qualidade da produção agrícola. Esse benefício já é sentido por Gleide Maria Aparecida Ferreira, moradora de Regência, que começou a criar abelhas em sua propriedade por meio do projeto. A atividade, que a princípio não chamava muito a atenção, hoje é a paixão de Gleide.

“Estou totalmente envolvida com o projeto. É um trabalho que faz bem para a mente. Na minha propriedade, tenho plantação de banana, milho, abóbora, melancia, e já vejo como a produção aumentou por causa da polinização. Quando me apresentaram o projeto, pensei em ter três ou quatro colmeias. Agora, meu objetivo é ter 50, 100”, conta.

Hoje, a propriedade já produz mel para o consumo da família, mas espera iniciar a comercialização até o ano que vem. O projeto está em fase de instalação de meliponários e início da produção.

De acordo com Kadio Serge Aristide, analista de Programas Socioeconômicos da Fundação Renova, além da venda do mel, as famílias também poderão ter renda por meio da comercialização dos subprodutos. “A cera é muito utilizada para uso medicinal e estético. Atualmente, o pólen desidratado, rico em nutrientes, também tem sido vendido como complemento nutricional”, explicou.

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