A língua é moldada por contextos históricos, estrangeirismos, modas, entre outros fatores. Atualmente, a Língua Portuguesa passa por momentos de mudança. Algumas expressões estão entrando em debate sobre como perpetuam atitudes racistas e machistas.
Algumas marcas conhecidas estão mudando seus posicionamentos para se adequarem a esse novo período. A Hering, marca de roupas, criou a campanha “Isso não é tomara que caia”, referindo-se à blusas sem manga ou alças para mulheres. A justificativa é que não deveria ser esperado que a mulher, nesta vestimenta, tenha o corpo exposto.
Já a loja de móveis Etna se engajou em uma campanha para refletir sobre o racismo. A palavra “criado-mudo” (historicamente usada para representar a imagem do escravo que ficava ao lado da cama da sinhá, totalmente calado), foi trocada para “mesa de cabeceira”.
Os professores de Língua Portuguesa e Redação estão unidos para, dentro de sala de aula, mudar este hábito de escrita e, principalmente, propondo a reflexão sobre outras expressões, como “da cor do pecado”. A novela, que trouxe a expressão para o cotidiano, mostrando que a pele negra é sinônimo de impureza, do pecador que desvirtua todos ao seu redor
“Hoje em dia os alunos estão deixando de usar porque são expressões antigas. Assim como provérbios que também estão caindo no esquecimento”, explicou a professora Aurélia Pedroni.
O professor de Redação Hélio Sandro destacou que essas expressões costumam estar direcionadas a grupos historicamente vulneráveis, como negros, mulheres, homossexuais e nordestinos. “São grupos tratados com exclusão, e logo se tornam alvos de expressões preconceituosas”.
Já o professor e colunista de A Tribuna, J. Jerry Tononi, não vê o uso das expressões como algo grave do idioma.
“Tomando por base a palavra ‘criado-mudo’, raramente alguém se incomoda. A grande maioria das pessoas não sabe o motivo do significado do nome desse móvel. O que realmente precisa ser discutido são as feridas que continuam abertas, como desigualdade de oportunidades e de tratamento diferenciado pelos setores público e privado”, comentou.
Saiba Mais
“Criado-mudo”
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Remete ao período em que os escravos trabalhavam na casa dos senhores e tinham a responsabilidade de ficar ao lado da cama na hora de dormir.
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Não podiam se mexer ou falar e carregavam nas mãos itens como copo d’água e roupas.
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Pode ser substituído por: mesa de cabeceira.
“Tomara que caia”
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Peça de roupa para mulheres popularizada no Brasil entre os anos 1990 e 2000, não possui mangas e nem alças. É considerada sexista, pois homens a apelidaram como o desejo de que os seios da mulher fossem expostos.
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Pode ser substituído por: blusa sem alça.
“Mulata”
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Usada para caracterizar mulheres nascidas da miscigenação entre brancos e negros, como uma mula, animal híbrido.
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Pode ser substituído por: tom de pele pardo ou cor parda.
“Denegrir”
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Significa o ato de tornar algo mais “negro”, mais escuro, algo ruim ou negativo.
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Pode ser substituído por: difamar.
“Dia de branco”
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Termo referente ao dia de trabalho, pois negros eram considerados preguiçosos.
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Pode ser substituída por: dia de trabalho.
Fonte: Pesquisa AT e especialistas consultados.
