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DIFICULDADE FINANCEIRA

Programas ajudam a colocar contas em dia. Veja dicas

Pesquisa aponta 81,7% das famílias endividadas no Brasil; cooperativas no ES oferecem mentorias e clínicas financeiras gratuitas

Programas ajudam a colocar contas em dia. Veja dicas
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização

Com 81,7% das famílias no Brasil endividadas, conforme dados mais recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), cooperativas apostam em programas que ajudam colaboradores a organizar a vida financeira.

Uma das iniciativas é desenvolvida em Cariacica, pela Cooperáguia, em parceria com o Grupo Águia Branca. O programa oferece orientação financeira aos funcionários e acompanhamento individual para quem precisa de ajuda para lidar com as dívidas.

Andreia Gabriel, diretora de Administração e Finanças do Grupo Águia Branca/Divisão Comércio, e diretora Administrativa da Cooperáguia, explica que todos os colaboradores são convidados a participar das palestras sobre educação financeira realizadas durante o programa.

“A partir daí, todos os participantes que desejarem podem participar do sorteio para as mentorias individuais”.

Na mentoria individual, que dura cerca de dois meses, os participantes aprofundaram o conhecimento sobre os gargalos que prejudicam sua saúde financeira, a importância de identificar quais custos são realmente necessários e quais podem ser cortados.

“A gente não quer apenas oferecer uma solução financeira, mas ajudar as pessoas a entenderem suas escolhas, usarem o crédito de forma consciente e construírem uma relação mais saudável com o dinheiro”.

A educação financeira também faz parte das ações do Sicoob, que está desenvolvendo o Projeto de Cidadania Financeira para o Cooperado.

“Mapeamos um grupo de cooperados que apresentavam indícios de endividamento ou insegurança financeira e começamos uma abordagem mais individualizada. O grupo-piloto reúne cerca de 15 mil cooperados”, explicou Bianca Rocha, analista de Cidadania e Sustentabilidade da instituição.

A cooperativa oferece ainda orientação gratuita à população. Uma das iniciativas são as Clínicas Financeiras, nas quais, segundo Bianca, profissionais capacitados oferecem atendimentos, presenciais ou virtuais, com duração de cerca de 30 a 40 minutos.

Outra ação é a orientação financeira dada para pessoas idosas da comunidade. “Eles podem se tornar vulneráveis. É uma população carente de orientação”.

Cartão de crédito emprestado

Emprestar o cartão de crédito para familiares, apesar de ser contraindicado e uma prática que traz graves riscos financeiros, é comum entre as famílias. Brenda Barros, de 28 anos, é um desses exemplos. “Por conta de emprestar o cartão acabei me enrolando”.

Insônia e noites maldormidas foram alguns dos sintomas que a jovem teve por conta das questões financeiras. E uma das formas que a ajudou a lidar com a situação foi começar a anotar todas as suas despesas. “Colocar no papel me ajudou a ter uma visão mais clara de qual situação eu me encontro”.

Brenda, que nas horas vagas pinta e desenha como renda extra, é assistente administrativo na Vitória Diesel Cariacica e participou do programa de educação financeira da Cooperáguia em parceria com o Grupo Águia Branca.

“O programa me ajudou a olhar mais para os números e a entender que eu não vou conseguir dar conta de tudo e nem ajudar todo mundo. Outra questão foi sobre prestar atenção nas taxas de juros, algo a se considerar na hora de decidir por uma estratégia para quitar as dívidas”, contou.

Educação financeira nas escolas

Visando uma geração que chegue à idade adulta sabendo lidar com o dinheiro de forma consciente, o Senado aprovou um projeto que prevê a inclusão da educação financeira nos ensinos fundamental e médio, com o conteúdo integrado a disciplinas já existentes, como Matemática.

A proposta também inclui noções de educação fiscal, previdenciária e securitária. Como foi alterado pelos senadores, o texto retornou à Câmara dos Deputados e ainda não virou lei.

Enquanto isso, a educação financeira já faz parte da rotina de escolas públicas da Grande Vitória. Em 2026, a Sicredi Serrana iniciou o programa Finanças na Mochila em unidades municipais de Vitória e Viana. A iniciativa capacita professores para trabalhar o tema durante o ano letivo com vídeos, materiais de apoio e assessoria pedagógica.

Em Viana, o programa atende turmas do 1º ao 5º ano, com crianças de 6 a 10 anos. A formação dos professores e da equipe técnica ocorreu no primeiro semestre. Em Vitória, a capacitação começou no segundo semestre.

“Eles já passaram pela fase de capacitação. No Finanças na Mochila, já teve entrega de material na sala de aula, já tem desenvolvimento acontecendo, ambos em estágios ainda iniciais, mas em pleno funcionamento”, afirma Thais Souza, assessora de Cooperativismo e Sustentabilidade da Sicredi Serrana.

Segundo Thais, a proposta é que os estudantes levem o aprendizado para além da escola, compartilhando com as famílias reflexões sobre consumo e hábitos financeiros.

“Educação financeira não se resume a falar de dinheiro, esses programas contribuem para desenvolver autonomia, protagonismo e uma relação mais equilibrada com os recursos, capacidades que acompanham os estudantes ao longo da vida”, afirmou.

Para a assessora, adultos que aprenderam desde cedo a planejar gastos, diferenciar necessidades de desejos, poupar para objetivos e utilizar o crédito de forma consciente tendem a tomar decisões financeiras mais equilibradas.

“Isso reduz a vulnerabilidade ao endividamento e contribui para maior estabilidade financeira das famílias”, ressaltou.

FIQUE POR DENTRO

Faça um raio-x

Anote todas as dívidas que possui naquele momento e procure cada instituição credora para tentar renegociá-las.

Registre as despesas

Anotar todos os gastos em uma planilha ajuda a visualizar para onde o dinheiro está indo e facilita o planejamento do orçamento mensal.

Corte gastos e poupe

Controle aquilo que ganha e aquilo que sai. Gaste menos do que ganha. Se ainda não é possível economizar muito, é importante economizar o máximo possível dentro da realidade da família.

Faça renda extra e crie uma reserva de emergência.

Não jogue

Os jogos de apostas não podem ser confundidos com investimento. Aposta não é investimento.

Busque orientação

Existem alternativas sem custo para buscar orientação financeira. As Clínicas Financeiras do Sicoob, por exemplo, qualquer pessoa pode acessar a plataforma, fazer o cadastro e agendar um horário com um consultor financeiro para receber essa orientação.

Fonte: Bianca Rocha, analista de Cidadania e Sustentabilidade do Sicoob.



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