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“Recebi ameaça e homenagem”, diz professora com 50 anos de carreira

Leine Maria Azevedo Erlacher tem 70 anos de idade e 50 de experiência como professora no Estado. Começou a carreira no dia 3 de março de 1969. Ao ...

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Leine Maria Azevedo Erlacher tem 70 anos de idade e 50 de experiência como professora no Estado. Começou a carreira no dia 3 de março de 1969. Ao longo do tempo, colecionou grandes histórias que tem orgulho de contar, confira:Liene formou em magistério em 1968 (Foto: Thiago Coutinho)
Tribuna Online: Como foi o início da carreira?
ProfessoraLeine Maria Azevedo Erlacher: 
Eu comecei como docente de emergência, me formei em Magistério em 1968 pela Escola Dom Pedro Segundo, onde hoje, é a Maria Ortiz. Na verdade o que me motivou foi o meu pai, que dizia que mulher tinha que ser professora. Era uma época de obediência e de acatar. Eu queria fazer outra coisa, mas naquele momento era o que tinha e eu fui fazer Magistério. Então me formei em 1968, comecei a dar aula e me apaixonei.

Eu alfabetizava alunos da primeira série, fico até emocionada em lembrar. Em 1971, consegui um emprego em uma escola privada, já estava noiva, ia me casa e me mudar para a roça. Não tinha concurso em lugar nenhum, nem Estado e nem prefeitura.

“A sala de aula é um desafio”
Trabalhei 13 anos perto do Hotel Majestic, em Vitória. Dali fui abraçando essa profissão que eu amo até hoje. A sala de aula é um desafio, não vou negar, principalmente hoje. Eu fiz uma graduação, terminei em 1980, me formei em Geografia e trabalhei em escola privada. Depois eu fiz um concurso pelo Estado para trabalhar com alunos de primeiro a quinto ano e me aposentei em 1994.

O que mudou na forma de ensinar?
Houveram alterações na pedagogia, novas teorias. A gente passou por várias situações do construtivismo e tudo isso. Atualmente, também trabalho com educação de jovens e adultos numa sala com alunos com pouca leitura e ensino, então tenho muito prazer de ensinar essa leitura para destrinchar o conhecimento.

A gente passou por vários momentos, estive na época da ditadura, com novas diretrizes, então a gente percebe sim que estar na sala de aula hoje é um desafio muito grande. Um dos fatores que prejudica profissão é a falta de educação e respeito. Por mais conhecimento que a gente tenha, nos tornamos um pouco fragilizados em função das atitudes dos alunos, o que não é uma questão social.

 (Foto: Thiago Coutinho)Nestes 50 anos de experiência, passou por algum momento que marcou sua carreira na sala de aula?
Em 1995, na escola do Bonfim, em Vitória, um aluno estava passando por várias situações de oportunidade para melhorar o comportamento. Ele se comprometeu a melhorar e foi para sala de aula, justamente onde seria minha aula. Mas tivemos que tirá-lo da escola devido ao comportamento. Ele ameaçou a todos dizendo que ia matar todo mundo.

Ficamos muito assustados e depois ele sumiu, não apareceu mais, mas encontrei com ele uma vez no meu condomínio. Ele me disse: “professora Leine, que prazer ver a senhora”, perguntei como ele estava e ele disse que tinha se tornado um outro homem, se casado e tido uma filha. E ele disse: “Eu tenho muita admiração pelo senhora. Me ajudou muito”. Então, assim, é aquela recompensa de que você fez parte daquela mudança de atitude de alguém como cidadão. A gente fez de tudo por ele, mas era ele quem precisava mudar.

Estamos na batalha e acreditando. O pessoal já me mandou embora, me pediram para aposentar porque eu estou tirando lugar de outro, mas gente, Deus me deu vida e saúde, além de ser feliz dando aula, se eu quero quem vai me mandar embora? É uma profissão e uma missão, não deixo que me chamem de tia, sou professora.
 

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