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Motoristas do Estado têm de pagar pelo menos 11 tributos desde a compra de um veículo a mantê-lo em dia. E, apesar de tanto imposto pago, a reclamação é a mesma: o retorno do governo não acontece, conforme motoristas e empresários.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística no Estado (Transcares), Mário Natali, disse que o custo com veículos subiu muito, e as rodovias não acompanharam a modernização dos mesmos.
“Os caminhões se modernizaram, mas as estradas ficaram aquém. Nossa malha viária é do século passado”, completou.
Assim, estradas continuam com buracos, má sinalização, falta de viadutos e investimentos em infraestrutura.
Para conhecimento de quanto um veículo custa a um condutor atualmente no Estado, o especialista em Direito Tributário Samir Nemer levantou os impostos que têm de ser pagos pelos motoristas.
Primeiro, quem quiser tirar um carro da concessionária já dá de cara com o que está embutido no preço: só os impostos podem chegar a 70% do valor do veículo.
Os tributos que compõem o preço de um carro são vários, como PIS (1,65%), Cofins (7,6%) e IPI (10%), que são impostos federais, além do ICMS (12%) e DPVAT (R$ 5,23), que são impostos estaduais, sendo o ICMS o imposto que mais abocanha do valor total.
Além disso, há outros custos, como o emplacamento, que em média sai por R$ 581,09 no Estado, e o seguro do veículo, que é pago anualmente e tem valor médio de R$ 3.600. É muito tributo, mas esses são apenas para ter o carro legalizado, segundo o especialista.
Para tirar o carro da garagem é preciso adicionar ainda os custos de manutenção e da gasolina.
Para Samir, carro no Brasil pode ser considerado artigo de luxo.
“Ter carro no Brasil hoje é artigo de luxo. Não só por conta da carga tributária, mas da manutenção também. Em contrapartida, vemos que o nível das estradas é ruim. Não há um retorno da forma como os motoristas esperam”, completou Nemer.
Gasolina chega a custar R$ 7,74 na Grande Vitória
Desde que foi anunciado o aumento nos preços da gasolina e do diesel, há duas semanas, os preços continuam assustando motoristas.
Na região metropolitana, por exemplo, o litro da gasolina em Guarapari é encontrado a R$ 7,74 em alguns postos. A cidade é a que tem a gasolina mais cara da região. Em seguida aparece Vila Velha. O litro do combustível é vendido a R$ 7,69.
Já o diesel também não fica para trás. Vitória tem o diesel mais caro da Grande Vitória, sendo encontrado a R$ 6,79.
Para o presidente da Transcares, Mário Natali, o preço alto dos insumos e outros tributos é o que se chama de custo-Brasil.
“Esse custo é muito alto para o transportador. O combustível não precisa nem falar. O que tem sido alvo de constante reclamação são os custos de manutenção do caminhão, que aumentaram muito”, ressaltou Mário.
Ele disse que além do combustível, outros implementos, como veículos e peças também tiveram aumento recentemente.
Maioria do preço de veículo é imposto
Na hora de comprar um veículo são diversos os tributos embutidos no preço que o consumidor paga. Tantos impostos podem corresponder a mais da metade do preço final do modelo escolhido.
Impostos
– ICMS: imposto estadual e com maior incidência sobre o preço final do veículo (12%).
– IPI: imposto federal (10%).
– Cofins: imposto federal e varia entre 7,6% até 8% (de acordo com o modelo do carro).
– PIS: imposto federal (1,65%).
– IPVA: imposto estadual ( 2%) e o pagamento é anual.
– DPVAT: seguro obrigatório pago anualmente.
Outros tributos
– Emplacamento: taxa de serviço do primeiro emplacamento R$ 371,22 somado à taxa de Gravame R$ 209,82. Total: R$ 501,04.
– Seguro: o seguro varia conforme modelo do carro e perfil do motorista. Uma média anual é de R$ 3.600.
– Manutenção: a manutenção varia de acordo com o modelo do veículo.
– Gasolina: vale lembrar que outros tributos compõem o preço da gasolina até chegar ao valor cobrado na bomba, sendo o Cide, o preço da revenda, da distribuição e o custo com o etanol anidro.
Saída é desligar ar do carro
Em meio ao aumento no preço da gasolina e da insatisfação com o valor da tarifa que recebem, motoristas de aplicativos estão se virando como podem para economizar o máximo de gasolina possível.
Para diminuir o consumo, a alternativa usada por motoristas é não utilizar o ar-condicionado durante as viagens.
Para o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo (Amapes), Luiz Fernando Muller, muitos motoristas já estavam deixando o ar-condicionado desligado e fazendo as corridas com os vidros abertos, mas por conta das orientações de combate à covid.
No entanto, o motivo agora é para poupar gasolina, já que tem sido cada vez mais difícil manter o lucro com a atividade.
“Há motoristas que estão desistindo de trabalhar nessa profissão. As tarifas das operadoras melhoraram apenas um pouco, e o combustível está muito caro”, disse Muller.
Houve orientação das operadoras de aplicativo para evitar o uso de ar-condicionado por conta da covid.
“Mas hoje, mesmo com a pandemia mais tranquila, por conta das tarifas e do preço do combustível, eles estão deixando o ar-condicionado desligado. Muitas pessoas que têm carro alugado e trabalham para os aplicativos para complemento de renda estão desistindo. Ficam no zero a zero muitas vezes”, lamentou Muller.
Segundo ele, se continuar assim, a debandada de motoristas vai continuar.