“Peguei água e pão. Me escondi no porão do navio. Não sabia para onde ia. Quase morri por causa da fumaça. No alto mar, tocaram o alarme de invasor”. O relato poderia ser de um filme, mas não: a situação ocorreu com o iraquiano Haidar Kasem Alkadone, um refugiado que chegou ao Espírito Santo.
Haidar teve sorte. Assim que foi descoberto, o capitão do navio lhe acolheu e, depois de parar em muitos portos pelo mundo, decidiu ficar em Vitória. Ex-combatente das forças especiais iraquianas, deu aulas de defesa pessoal é dono de empresas no Estado, e promove eventos de luta livre.
“A divisão política é novidade no Brasil, mas no Iraque já era assim. Meus familiares também eram divididos e eu sempre fui contra o governo. Tenho 51 anos e, quando olho para trás, penso como consegui fazer tudo”, conta.
A coordenadora do Núcleo de Apoio aos Refugiados do Espírito Santo (Nuares), Viviane Mozine, disse que o Estado tem cerca de 300 refugiados. “Metade é de sírios e metade do continente africano. Não há um dado oficial. Mas, desde 2004 até 2017, fizemos cerca de 340 atendimentos de refugiados, migrantes e solicitantes”.
São pessoas que chegam sem apoio, sem dinheiro e fugindo de perseguições políticas, religiosas e raciais em seus países de origem.
Fugindo de conflitos armados em seu país, o sírio Jouma Khalil embarcou para o Brasil com toda a família.
“Saí em 12 de abril de 2014 e cheguei três dias depois. Vim com meus quatro filhos e minha mulher grávida. É muito difícil deixar tudo. Não conhecia nada e nenhuma pessoa no Brasil. Graças a Deus, hoje estão todos muito bem.”
O iraniano Moslem Masoudi, 37 anos, chegou ao Estado aos 16. “Queria conhecer o que é liberdade. Vim para a sobrevivência, sou contra a política do Irã e contra o regime deles”. Quando ele chegou ao Estado, foi acolhido por uma moradora de Cariacica. “Me tratou como filho”, afirmou.
