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EDUCAÇÃO

Resgatar a concentração vira desafio para estudantes

Problema é um reflexo da pandemia. Retorno presencial tem demandado adaptações para escolas e pais

A orientadora escolar Giovana Ramos diz que é possível resgatar a concentração perdida dos estudantes

Última atualização

O retorno às aulas presenciais exige adaptação a novas realidades. O excesso de telas durante a pandemia afetou a concentração e a rotina dos estudantes e, agora, as escolas enfrentam o desafio de tornar as aulas mais atrativas.

A orientadora da escola Kumon de Laranjeiras, Giovana Ramos, relata que os pais tiveram dificuldade em organizar a rotina de estudos dos filhos. Para resgatar a concentração, ela diz que é fundamental separar os horários, o ambiente e desconectar as crianças dos celulares.

 













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“Uma criança de 5 anos em frente a uma tela, o dia inteiro, não se desenvolve. A rotina de estudos é importante porque é um exercício para a concentração. Na hora de estudar, não pode haver outros estímulos que tiram a concentração das crianças”.

A cozinheira Rosa dos Santos, 42, percebe que seus dois filhos, Gabriel e Daniel, de 12 e 7 anos, enfrentam problemas de concentração após o longo período de aulas remotas.

Alunos da Escola Municipal Marechal Mascarenhas de Moraes, em Maria Ortiz, os irmãos tiveram dificuldade em assimilar conteúdos na volta presencial e, logo, Rosa percebeu que o motivo era a falta de rotina e de concentração.

“Passei a ler, participar das atividades, monitorar cadernos e livros e entender quais dificuldades eles possuem. Agora, melhorou bastante, mas o início foi difícil. Eu percebi que eles precisavam muito de mim e que a falta de concentração afetava o aprendizado”. 

Interação

O professor de Língua Portuguesa Yaghor Silva conta que sua forma de lidar com as dificuldades de concentração e de rotina dos estudantes tem sido tornar as aulas mais atrativas. 

Yaghor relata que seus alunos, dos ensinos fundamental e médio, estão menos adaptados à sequência de aulas do dia, à interação social, à rotina de acordar cedo e à desconexão dos celulares.

“Eu estou propondo aulas mais interativas, com mais tecnologias que trazem sons, cores e estímulos para a sala de aula. Eles sentem esses efeitos da pandemia e precisam de novas abordagens em sala de aula para lidar com a situação”, ressaltou o professor.

Cobrança excessiva atrapalha

 













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O envolvimento da família no resgate da concentração e da rotina de estudos é fundamental para as crianças e os adolescentes. Exigências excessivas, no entanto, podem prejudicar a evolução do processo e afetar a aprendizagem. 

A psicóloga infantil Rosana Carlesso destaca que as crianças precisam de tempo para brincar, para estudar e para se relacionar com os amigos, sem excessos de tarefas escolares.

“As famílias precisam ajudá-los a caminhar e terem a compreensão de que a situação é delicada. O diálogo entre pais e filhos é muito importante para enfrentar os problemas de aprendizagem”.

O psicólogo clínico Heitor Croce evidencia que a mudança de ambiente de estudo e de quantidade de pessoas envolvidas têm influência no rendimento dos estudantes, e algumas crianças podem ter mais dificuldade em se adaptar.

“Exagerar na cobrança de rendimento gera mais ansiedade, mais estresse e desorganiza o processo de aprendizagem. Isso pode caminhar, inclusive, na direção contrária do que a família e a escola desejam”.

Ele defende que as famílias e as escolas precisam dialogar e tolerar esse tempo de adaptação das crianças.  


O QUE AS FAMÍLIAS PODEM FAZER?


Rotina de estudos

  • Estabelecer uma rotina de estudo diária, com horários específicos para a dedicação dos filhos.
  • Criar um ambiente específico para estudo, livre de barulhos e de estímulos que atrapalhem a assimilação de conteúdos.
  • A família precisa se envolver em todo o processo de adaptação dos estudantes. Acompanhar as dificuldades e dialogar com os filhos é importante.
  • Crianças e adolescentes aprendem pelo exemplo e, por isso, não adianta exigir que eles se desconectem se os responsáveis não tiverem etiquetas para uso de celulares.
  • Ter paciência com o tempo de cada criança e adolescente. Cada pessoa tem um tempo de assimilação e adaptação.

Estímulos

  • Recompensar os filhos quando eles tiverem bons desempenhos nas provas e atividades escolares.
  • Estimular atividades lúdicas, com materiais escolares coloridos para exercícios criativos. 
  • Realizar os exercícios escolares junto às crianças com abordagens mais criativas, como jogos de envolvimento familiar.
  • Incentivar a prática de esportes, de acordo com as afinidades de cada criança e adolescente. As atividades físicas estimulam a concentração no presente e podem reduzir a ansiedade dos estudantes.

Cooperação com as escolas

  • As famílias e as escolas devem cooperar para uma intervenção estratégica nos problemas de concentração e de rotina de estudos.
  • Conversar com professores para entender quais são as dificuldades de conteúdo das crianças ajuda no reforço de estudos em casa.
  • Ainda que não haja tempo para encontros, as famílias podem manter o diálogo constante com os educadores de forma online. 
  • Se for necessário, buscar um psicólogo e outros profissionais de saúde para investigar as causas e as formas de intervir nas dificuldades de concentração.

Fonte: Especialistas consultados.

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