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A reta final das eleições esquentou as conversas de WhatsApp, as discussões nas redes sociais e até mesmo o clima dos debates entre colegas de trabalho durante o expediente.
A festa da democracia, com votação amanhã, também leva a um aumento nas brigas e, com isso, a um efeito negativo: em média, são 10 demissões todo dia no Espírito Santo nas duas últimas semanas, conforme levantamento junto de especialistas em Recursos Humanos e empresários do Estado.
As dispensas, contudo, são quase sempre sem justa causa, conforme explicou o CEO da Heach Brasil RH, Elcio Paulo Teixeira, um dos especialistas que forneceu dados no levantamento. Ele diz que nem empresários nem empregados devem “levantar bandeiras” no ambiente profissional.
“Todos têm o direito de liberdade de expressão, claro, mas o melhor é evitar os conflitos. É preciso respeitar a escolha do outro”, diz ele, ao explicar que, em conflitos e ofensas, há a possibilidade de punições disciplinares, como advertências, suspensões ou até a dispensa, dependendo da gravidade.
Elcio cita um caso recente, em um grupo da empresa em um aplicativo de mensagens com cerca de 150 participantes, foi iniciada uma discussão política que criou um mal-estar e levou cerca de 70 participantes a deixarem o grupo.
Consultor em Recursos Humanos, Elias Gomes diz que o funcionário não pode ser demitido, punido ou discriminado só por expressar a opinião política em ambiente de trabalho, mas é necessário bom senso em tempos de polarização.
Segundo o consultor, esse tipo de situação influencia na produtividade no trabalho. “Em um dos casos, dois funcionários discutiram por opiniões políticas diferentes e ambos acabaram dispensados pela empresa”, conta.
A especialista em pessoas e carreiras Gisélia Freitas afirma que muitas empresas têm adotado políticas internas para proibir o uso do local de trabalho ou o cargo para posicionamentos políticos.
“Há empresas fazendo treinamentos. As políticas internas podem restringir certas condutas dos empregados, a exemplo do uso das ferramentas de trabalho como meio de manifestação política”.
Conflito em entrevista de emprego
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Até em entrevistas de emprego houve casos de conflitos políticos. O CEO da Heach Brasil RH, Elcio Paulo Teixeira, conta que em um dos casos o responsável por um teste com candidatos a emprego em uma empresa fez uma pergunta sobre determinado político a um deles, para um conceito de inteligência emocional.
Outro candidato se irritou com a situação e acabou sendo dispensado do teste.
A inteligência emocional é um conceito da psicologia usado para designar a capacidade do ser humano de lidar com as emoções.
O consultor em Recursos Humanos, Elias Gomes, destaca que candidatos a emprego que demonstrem ser extremistas e radicais na temática de política podem ser descartados de serem contratados, pois não é algo bem visto.
Por outro lado, há casos de empregadores vigiando os colaboradores e de forma velada demitindo, por não concordar com a expressão política do funcionário, de acordo com a especialista em pessoas e carreiras Gisélia Freitas.
“As empresas precisam ter cuidado, pois podem acabar perdendo um bom colaborador”, destaca.
Há casos de dispensa sem justa causa, em que o empregador não detalha o motivo de sua decisão.
Como previsto na Constituição Federal, o trabalhador não pode ser demitido por ter ou manifestar sua opinião política.
Empresas investigadas por forçar voto de empregados
O Ministério Público do Trabalho (MPT) no Estado e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investigam casos de coação a trabalhadores durante o expediente.
Em um dos casos, o MPT apura a prática de assédio eleitoral em numa empresa.
Um vídeo, com cerca de dois minutos, encaminhado à Procuradoria Regional, um homem, a quem o MPT identifica como sendo o empregador, diz a uma plateia formada por funcionários que, a depender de quem escolherem nas eleições deste ano, “não vai poder reclamar” se ficarem sem emprego.
Para o especialista em RH Elcio Paulo Teixeira, esse tipo de intimidação nas empresas são crimes muito graves.
“No trabalho, as relações são profissionais, então o voto do funcionário não deve ser influenciado pela empresa”, afirma.
O assédio eleitoral consiste em abuso do poder empresarial pela coação, intimidação, ameaça ou insistência em influenciar o voto dos empregados.
Um exemplo de assédio eleitoral é o pagamento de bônus a funcionários que votarem nos candidatos defendidos pela empresa.
O trabalhador pode denunciar casos de assédio eleitoral no MPT, por meio do site mpt.mp.br, na aba “Denuncie”.
O registro também pode ser feito pelo aplicativo “Pardal”, disponível para Android e iOS. Se o trabalhador preferir, a denúncia pode ser sigilosa.
SAIBA MAIS
Livre expressão, mas sem conflito
O que diz a lei
– O cidadão tem como direito fundamental a livre manifestação do pensamento, sem privação de direitos por convicção política.
– A coação ou o assédio para influenciar o voto podem ser enquadrados no artigo 301 do Código Eleitoral.
– A legislação prevê pena de até quatro anos de reclusão e pagamento de multa para quem “usar de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar, em determinado candidato ou partido”.
Regras de etiqueta
– As empresas podem definir algumas restrições em relação ao comportamento de funcionários sobre posicionamento político.
– É importante não se envolver em discussões calorosas e nem impor a opinião aos demais.
Fonte: Especialistas e pesquisa AT.