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CIDADES

SegurPro contesta condenação por racismo no RioMar e anuncia recurso

Empresa de segurança se diz surpreendida por sentença que fixou indenização para irmãos barrados

SegurPro contesta condenação por racismo no RioMar e anuncia recurso
- Mayck Raphael Santos também recorrerá da decisão do TJPE, uma vez que sua defesa considerou o valor não cumpre o papel pedagógico
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


A empresa de segurança SegurPro anunciou, nesta segunda-feira (6), que pretende recorrer da sentença que a condenou, junto ao Shopping RioMar, por abordagem discriminatória contra dois irmãos em dezembro de 2023.

Em nota, a firma declarou que recebeu a decisão judicial com surpresa. “A Segurpro informa que acompanhou o andamento do inquérito na época do ocorrido, o qual foi arquivado diante da conclusão de que não houve crime de racismo”, diz um trecho da nota Por essa razão, a empresa foi surpreendida pela decisão judicial e apresentará recurso”, acrescentou.

A condenação de primeira instância estabeleceu o pagamento de R$ 10 mil para cada uma das vítimas, mas o desfecho jurídico do caso permanece incerto, já que ambos os lados manifestaram insatisfação com o veredito.

“A Segurpro reforça que seus colaboradores são capacitados, passam por treinamentos operacionais, táticos e comportamentais. A empresa reitera que não compactua com o uso de violência e que exerce suas atividades no setor da segurança pautada por uma rigorosa Política de Direitos Humanos e em princípios éticos, aplicados por meio de seu Código de Conduta”, completa  a empresa.

O bloqueio na escada rolante

O episódio ocorreu na Zona Sul do Recife. Mayck Raphael Santos, hoje com 19 anos, e o irmão caçula tentavam acessar as lojas do centro de compras para trocar uma mercadoria. O relógio marcava 21h30 quando um segurança posicionou o corpo à frente dos jovens na escada rolante do térreo.

“Ele disse: ‘vai subir não, boy’. Eu achei que estava fechando. Mas logo veio uma senhora, ele deu boa noite e saiu da frente para ela subir”, relembra Mayck, que tinha 17 anos, na época.

O rapaz conta que, após ele e seu irmão serem barrados, o fluxo de clientes seguiu normalmente enquanto os dois permaneciam retidos pelo funcionário.

Vítimas buscam majoração do valor

Do outro lado da disputa, a defesa dos irmãos também prepara recurso. O advogado Kleber Freire classifica o montante de R$ 10 mil como “irrisório”. Para a defesa, a quantia não cumpre o papel pedagógico necessário para desestimular práticas de racismo estrutural em grandes estabelecimentos. O objetivo agora é levar o caso às instâncias superiores para ampliar o valor da reparação por danos morais.

Posicionamento do centro de compras

O Shopping RioMar, também condenado no processo, afirmou que colaborou com as autoridades desde o início das investigações em 2023. O centro de compras optou por não comentar o mérito da decisão judicial. O processo segue em tramitação e ainda não há data para o novo julgamento.

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