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SAÚDE

Sinais revelam transtornos em crianças e adolescentes

Mudança abrupta de comportamento, baixo rendimento escolar e isolamento podem indicar problemas em crianças e adolescentes

Sinais revelam transtornos em crianças e adolescentes
- Néfia Alves, 43, Alberto Ferreira, 41, e o filho, Sam Cabral Alves, 7.

Última atualização

Embora o senso comum ache que a infância e a adolescência sejam fases de felicidade despreocupada, muitos transtornos, principalmente os emocionais, como a ansiedade e a depressão, têm cada vez mais sido diagnosticada em crianças e adolescentes. 

Tal crescimento tem preocupado os pais. Por isso, sinais como mudanças de comportamento abruptas e sem motivo aparente, baixo rendimento escolar, isolamento, e outros, são apontados pelos médicos como alerta para transtornos de comportamento, emocionais e também de aprendizagem. 

“Em geral, os principais sintomas estão associados ao baixo rendimento escolar, dificuldade de atenção e memória, dificuldades em socialização, e alterações comportamentais, como agitação, irritabilidade e agressividade. Pode ser percebido também alteração do sono, como a insônia”, descreve a neuropediatra Marina Cardeal, médica da medicina do sono do Fleury Medicina e Saúde. 

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), transtornos comportamentais na infância são a sexta maior causa de carga de doença entre adolescentes. Na infância, segundo a psiquiatra infantil Fernanda Mappa,  os principais transtornos são de ansiedade e TDAH. Esse último atinge cerca de 5% da população de crianças e adolescentes.  

“Inclusive, esses transtornos podem caminhar juntos como comorbidades. Todas as duas condições podem interferir diretamente na aprendizagem, já que levam à desatenção. Na adolescência, o impacto do TDAH não diagnosticado na infância e sem intervenção adequada, aliado à depressão e ansiedade, são os maiores vilões”.

Os transtornos relacionados ao comportamento como, por exemplo, o Transtorno Desafiador Opositor (TOD)    são percebidos durante a socialização da criança, segundo o psiquiatra Vinícius Pedreira, professor da Unime Lauro de Freitas.    

Para cada transtorno é possível observar sinais e sintomas mais evidentes, como destaca a neuropediatra Marcela Fraga, do Hospital São José. “Mas, o mais importante, é os pais observarem os prejuízos que esse comportamento acarreta na vida do filho na escola, no convívio com amigos e familiares”.

Autismo | “O preconceito é a maior das lutas”

 













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Atraso na fala, apego a objetos inusitados, sensibilidade a alguns barulhos e seletividade alimentar foram os sintomas que levantaram suspeita do casal Néfia Alves, 43, e Alberto Ferreira, 41, sobre o comportamento do filho, Sam Cabral Alves, 7. 

“Ele foi um bebê normal, sentou aos 6 meses, andou aos 10, falou as primeiras palavrinhas antes de 1 ano, porém, depois parou de falar e iniciou a ecolalia (repetição de palavras). Uma amiga com um filho autista me ajudou. O fato de ter um laudo é desesperador. A sociedade é cruel, o preconceito é a maior das lutas”, afirmou Néfia.

Rendimento escolar

 













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Foi a queda no rendimento escolar que acendeu o alerta para a universitária Patrícia Eggert De Angeli, 35, de que a filha, Valentina Eggert De Angeli, 7 anos, estava com dificuldades para se concentrar e na escrita. 

“Não tinha percebido antes, pela falta da escola presencial. A dificuldade ficou evidente logo após as primeiras avaliações presenciais. Foi a professora particular que nos chamou atenção e procuramos uma especialista. Ainda tem a culpa de não ter percebido antes, que muitas mães também sentem. O que temos de fazer é cuidar dos filhos e também dessas mães, para que se sintam acolhidas”.

Fique atendo aos sinais 

Prejuízo no rendimento escolar

> Um dos primeiros sintomas que pode chamar a atenção da família e professores é o prejuízo e a dificuldade escolar. A criança ou adolescente pode apresentar dificuldades para o processo da leitura e da escrita, por exemplo. 

> Dificuldade em raciocínio lógico, em processar os sons, em compreender o que lhes é dito, ou mais tempo para processar uma informação que lhe é passada são alguns dos sinais que podem ajudar a família. 

Variação de humor 

> A labilidade emocional, ou seja, grandes variações de humor com choro fácil, maior sensibilidade e “nervos à flor da ele”, pode ser um sinal de alerta.

> Dificuldade de autocontrole, mudança na maneira de manifestar o afeto, agressividade, irritabilidade, baixa autoestima e desânimo também podem  ser percebidos como sintomas de transtornos. 

Dificuldade de socialização

> Mudanças de comportamento também costumam chamar atenção. O isolamento das pessoas, até mesmo dentro de casa, no quarto, pode ser um sinal de alerta, não só de transtorno, mas de alguma coisa errada no dia a dia da criança ou adolescente.

> Dificuldade de interagir socialmente ou dificuldade em manter amizades, seja por isolamento ou agressividade. 

> Recusa escolar, ou seja, dificuldade em frequentar escola ou de se separar de figuras familiares, principalmente nas crianças menores. 

Comportamento incompatível

> Dificuldade de atenção e concentração em várias tarefas do dia a dia. Agitação excessiva. 

> Apatia ou desinteresse por atividades que antes eram prazerosas.

> Comportamentos excessivos, obcecados ou restritivos, como deixar de comer, malhar muito ou deixar de fazer o que já era de costume.

Alteração no sono

> Alteração repentina no padrão de sono, com dificuldade para dormir sozinha, por exemplo, quando já dormia sozinha previamente.

> Ficar a noite toda acordado também, principalmente  adolescentes.

Dores frequentes

Somatizações frequentes, ou seja, queixas de dores que não tinham antes surgindo com frequência, intensidade e sem motivo aparente, sendo as principais: dor de cabeça e dor no estômago.

Seletividade

> Desde a introdução alimentar, a criança pode ter seletividade, como ter preferência sempre pelos mesmos tipos de alimentos, recusar qualquer tipo de alimento novo, fazer birra ou pirraça na hora das refeições. Outro tipo de seletividade  é por um único tipo de brinquedo ou apenas uma forma de brincar, como enfileirar objetos.  

Restrição alimentar

> Na adolescência, os sinais podem ser de transtornos alimentares como se privar de alimentação ou pular refeições com frequência, comer escondido ou em horários pouco comuns, como de madrugada. Ir ao banheiro com frequência depois das refeições. 

Movimentos repetitivos

> Movimentos estereotipados e repetidos de forma constante, como por exemplo mexer as mãos, bater na cabeça, bater a cabeça na parede, ficar se balançando. Geralmente são notados após 1 ano e tendem a permanecer e se intensificar.  

Contato visual e interação

> Quando o bebê não dá atenção à voz do adulto ou procura o olhar da mãe ou do pai quando se afastam podem ser sinais de alerta. Falta de contato visual com a mãe no momento da amamentação, não brincar com outras crianças ou adultos também podem preocupar.  

Atraso na fala

> As crianças que não falam as primeiras palavras até os 15 meses ou as primeiras frases até os 2 anos mostram sinais de alerta. Além disso, demora para adicionar novas palavras ao vocabulário e dificuldade em contar ou recontar uma história na sequência correta são sinais que devem ser observados. A ecolalia, que é a repetição de palavras e sons, também pode ser um sintoma de vários distúrbios.

Fonte: Especialistas consultados e pesquisa AT.

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