Que fim levou?

Pacientes com transtorno mental em crise aguda ainda contam com 50 leitos no local, agora chamado de Hospital Estadual de Atenção Clínica. Mas, diferente do que acontecia antes, eles só ficam por lá até se estabilizar e são liberados para o ambiente familiar assim que apresentam melhora.
O perfil do hospital mudou completamente em 2010. Construído em 1954, o Adauto Botelho tinha como objetivo claro a segregação daqueles que eram considerados loucos. Até mesmo o local era estratégico: bairro Santana, em Cariacica, na época bem distante da capital.
Em menos de dez anos de funcionamento, o hospital psiquiátrico já contava com 1.711 pacientes internados, sendo que muitos viveram lá uma vida inteira. Os quartos em formato de celas e os tratamentos com eletrochoques faziam parte do dia a dia dos pacientes.

Os últimos pacientes foram transferidos para dez residências terapêuticas, onde são acompanhados por cuidadores. Atualmente, não há mais manicômios no Estado – o último foi fechado em 2016.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) afirmou que não pretende voltar com o sistema, já que “a intenção é extinguir tratamentos que promovam a exclusão social”.
Sem esse tipo de internação, os pacientes com algum transtorno mental são levados para os Centros de Atendimento Psicossocial, que oferecem atendimento médico e psicossocial, estimulando a integração social e familiar.
A internação só ocorre em último caso e, mesmo assim, por um curto período. Para esses casos, a rede estadual possui 50 leitos no Hospital Estadual de Atenção Clínica; 10 no Hospital Estadual Infantil e Maternidade de Vila Velha e 35 no Centro de Atendimento Psiquiátrico Dr. Aristides Alexandre Campos, em Cachoeiro de Itapemirim.