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Soldado expulso da PM luta para se libertar das drogas

Assim como muitos dependentes químicos, jovens têm suas carreiras profissionais interrompidas pelas drogas. Foi exatamente isso que aconteceu com um ...

O psicanalista Francisco Veloso disse que o tratamento do ex-soldado da PM está evoluindo de forma positiva

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Assim como muitos dependentes químicos, jovens têm suas carreiras profissionais interrompidas pelas drogas. Foi exatamente isso que aconteceu com um soldado que foi expulso da Polícia Militar e agora luta para vencer o vício.

Em um período de 10 anos, o ex-PM, que tem 27 anos de idade, conheceu cocaína, LSD, ecstasy, fristo (maconha com crack) e maconha. Segundo ele, atualmente só faz uso da última substância.

Sendo acompanhado pelo psicanalista e doutor em dependência química Francisco Veloso, há três meses, o ex-soldado contou que, aos poucos, está conseguindo reduzir o consumo.

O psicanalista  Francisco Veloso disse que o tratamento do ex-soldado da PM está evoluindo de forma positiva (Foto: Dayana Souza/AT)

Na tarde de quinta-feira (30), ele conversou com a reportagem e, na condição do seu nome ser preservado, contou que a exoneração da PM aconteceu “há pouco tempo”.

O motivo, segundo ele, foi que dois anos antes ele foi detido, com um colega, com 40 gramas de maconha quando estavam em uma motocicleta, em Cariacica.

Após ser ouvido, à época, ele assinou um Termo Circunstanciado e foi liberado. Ele diz que não responde a processo criminal.

O jovem garante que nunca roubou para manter o vício e também nunca morou nas ruas. “Quando eu fui detido fiquei com muita vergonha e não voltei para casa. Meu amigo me deixou ficar escondido na residência dele. E foi com ele que eu comecei a frequentar raves e, por quase um ano, eu usei LSD e ecstasy. Ficava pilhado 24 horas.”

Junto com a terapia, ele diz que tem se apegado a Deus para tentar superar esse vício. Veloso contou que o jovem apresenta evolução positiva no tratamento. “Antes ele ficava inquieto e não conseguia expressar direito a sua história. Por enquanto, não precisou de internação e acredito que não será preciso.”

“Quero vencer e fazer faculdade”, diz ex-solado da Polícia Militar

Em uma conversa de uma hora, o ex-soldado da Polícia Militar contou como foi o seu ingresso no mundo das drogas. A entrevista foi acompanhada pelo psicanalista e doutor em dependência química Francisco Veloso.

Nas suas palavras, relatos de uma infância em que foi agredido pelo pai, e um avô que batia na avó. Por conta disso, ele diz que ainda quando criança tinha o “desejo de combater gente má e vontade de matar vagabundo.” Mas ele disse que não matou ninguém.

Ainda na infância, aos 9 anos, começou a ingerir bebida alcoólica e, aos 13, mergulhou nas drogas.

Quando ingressou na Polícia Militar e em que ano foi expulso?

Ingressei no final de 2015 e há pouco tempo fui exonerado. Não vou revelar a data para me preservar.

Sonhava em seguir carreira militar?

Sempre quis ser policial, mas militar não. A intenção era ingressar na carreira para poder fazer faculdade de Direito, que iria começar em 2016, e depois prestar outro concurso, como na Polícia Federal.

O que acontece no meio do caminho?

Desde a infância eu tinha o desejo de combater gente má e vontade de matar vagabundo. Tinha aversão a alguns tipos de pessoas e atitudes, normalmente pessoas que me lembravam o meu avô, que era agressivo e batia na minha avó, e ao meu pai, que me batia e até me deu chineladas no rosto.

Com quantos anos começou a usar drogas?

Comecei a trabalhar aos 9 anos, em um supermercado. Lá, comecei a beber escondido com colegas de trabalho. Depois, com 13 anos, tive contato com maconha.

E migrou para outras drogas com quantos anos?

Com 16 anos já tinha experimentado cocaína, mistura do crack com a maconha (fristo), mas a droga que eu me identifiquei foi a maconha porque eu era nervoso e ela me acalmava. Com as outras drogas eu ficava mais agitado ainda. Depois que eu fui exonerado da polícia comecei a usar outras drogas, como LSD e ecstasy.

Quando ingressou na Polícia Militar era usuário de drogas?

Não. Eu estava há cerca de seis anos limpo, mas depois de um tempo na PM eu voltei a fumar maconha, mas fora da escala de serviço.

E agora, o que deseja?

Quero me libertar desse vício. Desde que comecei a fazer terapia venho reduzindo. Deus tem ajudado nessa luta.

Quais são os seus planos?

Ainda sinto muita vergonha, mas quero vencer e fazer a minha faculdade. Queria muito ser juiz, só não sei se em virtude do meu passado vou conseguir. Infelizmente ainda não consigo estudar como antes, pois não tenho concentração. Deve ser por causa das drogas no meu organismo, mas tenho fé que irei vencer essa batalha. Ah, também sonho em me casar.

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