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Foram 12 tentativas até conseguir a tão sonhada carteira nacional de habilitação (CNH). Acima de qualquer falha, a história da doméstica Marina José Machado Ventura, de 52 anos, é marcada por perseverança, aprendizados e superação em busca do objetivo de poder dirigir.
A primeira vez que Marina José entrou em uma autoescola foi em 2018. Moradora de Marcílio de Noronha, em Viana, ela fazia as aulas pela manhã em Campo Grande, Cariacica, e depois trabalhava em Vila Velha em dois locais, chegando em casa às 23 horas.
“Tinha dias que eu chegava atrasada no trabalho por conta da autoescola. A rotina era bastante cansativa e isso atrapalhou muito nas minhas primeiras tentativas”.
Mesmo tendo dias de atraso no trabalho, uma das principais apoiadoras na trajetória da doméstica foi a sua chefe, a bancária aposentada Shirley Pretti, de 55 anos. Ela ajudou a manter Marina José na luta pelo sonho.
“Ela é determinada e merecedora. Em alguns momentos, pensou em desistir, mas deixei claro que podia e conseguiria, pois tinha um desempenho muito bom nas aulas. Era só conter o nervosismo”, conta.
A persistência levou ao sucesso, como confirma a dona da Auto Escola Marcela, Marcela Chaves Salgado.
“Ela é uma mulher determinada e focada. Por mais inseguranças que tivesse, levantava a cabeça e enfrentava o medo. Quando passou, foi muito emocionante. Rezamos por ela, ficamos apreensivos, mas ficamos todos felizes com o resultado”.
A grande motivação de Marina José para não desistir do sonho da carteira de motorista era o desejo de poder ajudar a mãe, a dona de casa Aldir Dias Machado, de 78 anos.
“Infelizmente, a minha mãe não pode fazer muito esforço, pois já teve problemas como AVC e artrose. Isso me motivou mais ainda pelo meu objetivo, além de ela não ter me deixado desistir também. Quero levá-la à igreja e a outros lugares que precisar”.
Para Marcela, Marina José será uma boa motorista.
“Ela é bem prudente. Agora vai conhecer melhor o trânsito pesado e as rodovias e, nesse início, é bom que dirija com alguém para poder ir pegando confiança, mas está apta para fazer um bom papel nas ruas”.
Entrevista | Marina José Machado Ventura, doméstica: “Agora quero comprar um carro”
A Tribuna – Quando começou a sonhar com a CNH?
Marina José – Abri o processo em 2018, em uma autoescola de Campo Grande, em Cariacica. Tentei duas vezes e não consegui. Depois fui para a Auto Escola Marcela, que fica mais próxima do meu trabalho, em Itapuã, Vila Velha. Isso foi em janeiro de 2019 e não saí mais. Com tudo, foram 12 vezes até conseguir ter a CNH.
Como era a sua rotina?
Quando comecei em Campo Grande, saía de casa às 6h e ia para a autoescola até 11h, 11h30, e de lá ia para o trabalho em Itapuã. Teve dias que eu cheguei atrasada. Mas conversei com a minha chefe, uma pessoa muito maravilhosa, que deu a maior força.
Qual era a maior dificuldade na hora da prova?
Eu ficava nervosa. Mas costumo ser uma pessoa tranquila. É muito difícil. Ficar reprovando muito é cansativo demais e isso pesa na hora dos testes. Pensei em desistir, mas a minha chefe, minha mãe, minha filha e meu irmão não deixavam.
Como foi a sua reação depois de conseguir tirar a CNH?
Foi um alívio! Não conseguia nem comer, de tanta ansiedade. Agora eu quero praticar mais lá no meu bairro, Marcílio de Noronha, em Viana.
Qual foi a sua grande motivação para tirar a CNH?
A minha mãe, Aldir, de 78 anos. Infelizmente, ela não pode fazer muito esforço, pois já teve problemas, como AVC e artrose. Minha mãe me motivou mais ainda pelo meu objetivo. Ela não me deixou desistir. Quero levá-la à igreja e a outros lugares que ela precisar.
Quanto gastou para tirar a CNH?
Acima de R$ 10 mil. Agora pretendo comprar um carro daqui a 30 dias para praticar. Vai ser o meu presente de Natal e Ano Novo.
Detran alerta para “vícios ao volante”
De acordo com o subgerente de habilitação do Detran-ES, Fernando Stockler, foram cerca de 60 mil candidatos à habilitação até agora, em 2021. O índice de reprovação nas provas práticas atingiu 36%.
O subgerente disse que um dos principais motivos para a reprovação é o nervosismo na hora de colocar em prática todos os aprendizados das aulas teóricas e práticas, assim como ocorreu com a doméstica Marina José Ventura.
Entretanto, Fernando chama a atenção para outro problema.
“O que também vemos nas áreas de provas são candidatos que foram orientados por pessoas que não são habilitadas a dirigir. Percebemos que apresentam vícios de má direção, como apoiar o pé na embreagem, dirigir com uma só mão, olhar para trás durante um movimento de marcha a ré, entre outros exemplos”.
Fernando disse que é preciso evitar treinos com pessoas não habilitadas ou até mesmo parentes.
“O processo de aprendizagem nas autoescolas é feito por profissionais qualificados a ensinar as várias etapas de direção, esclarecer dúvidas e transmitir segurança aos candidatos. Quando aprendem com parentes ou pessoas sem habilitação, acabam se prejudicando mais do que se ajudando”.
Já para quem acabou de conquistar a CNH, a dica é manter a cautela no processo de amadurecimento ao volante. “Dirija em locais que esteja habituado e evite percursos muito longos. Assim, o motorista consegue a segurança necessária e, com o tempo, vai pegando vias mais movimentadas”.
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Saiba mais
Inscrição
- O primeiro passo é se dirigir a um Centro de Formação de Condutores (CFC), portando Carteira de Identidade original ou outro documento com foto oficial, CPF e documento de Permanência Definitiva no Brasil, em caso de estrangeiros.
- Depois de abrir o processo, o candidato deve se dirigir aos pontos para coleta da biometria do Detran (CIRETRANs, PAVs e Central Biométrica – Vitória).
- Em seguida, o candidato será direcionado a uma clínica credenciada para a realização de exames de sanidade física e mental, além da avaliação psicológica.
- Caso esteja apto, deverá efetuar o pagamento da taxa de serviço do Detran-ES.
Aulas e provas
- Fazendo o exame e estando apto, o candidato começa a fazer as aulas teóricas.
- São 45 horas de aula, entre presencial e a distância, podendo fazer mais de uma aula no dia.
- A prova teórica consiste em 30 questões objetivas. O candidato deverá ter, no mínimo, 70% de acerto para conseguir o certificado de aprovação.
- Caso aprovado, o candidato estará apto a fazer o curso prático no CFC com no mínimo 20 aulas práticas de carro e/ou 20 aulas práticas de moto, sendo uma de cada categoria no período noturno.
- Após concluir as aulas, o candidato pode marcar a prova prática de direção veicular no próprio CFC.
- A prova prática consiste em um teste de baliza, uma etapa de rua e uma prova em ladeira.
- Caso seja aprovado, o candidato receberá a CNH no endereço informado.
- Em caso de reprovação, poderá marcar no CFC uma nova prova após 15 dias, mediante pagamento de taxa.
Valores
- O Exame Médico custa R$ 94,79, a ser pago na clínica credenciada.
- O Exame Psicológico vale R$ 113,02, a ser pago na clínica credenciada.
- Já a Taxa de serviço DETRAN custa R$ 393,76 somente uma categoria e R$ 492,20 para categoria AB, a ser pago na rede bancária autorizada.
Fonte: Detran-ES.