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Templos reabrem e turistas e fiéis redescobrem roteiros da fé

Para fortalecer a espiritualidade, a esperança e, até mesmo, se encantar com os traços culturais e arquitetônicos, turistas têm buscado explorar as ...

Apaixonados pelo turismo da fé, Henrique e Marcelle foram conhecer o Santuário Diocesano Nossa Senhora da Saúde, em Ibiraçu, no Norte do Estado

Última atualização

Apaixonados pelo turismo da fé, Henrique e Marcelle foram conhecer o Santuário Diocesano Nossa Senhora da Saúde, em Ibiraçu, no Norte do Estado (Foto: Beto Morais/AT)

Para fortalecer a espiritualidade, a esperança e, até mesmo, se encantar com os traços culturais e arquitetônicos, turistas têm buscado explorar as belezas e a história de lugares religiosos no Espírito Santo.

Após meses de interrupção no funcionamento, por conta da pandemia de Covid-19, os roteiros da fé voltam a receber visitantes. São igrejas, santuários e outros templos sagrados de destaque no Estado que, cada vez mais, atraem devotos e turistas.

Segundo especialistas, a pandemia tem feito com que mais pessoas se apeguem à fé e procurem esses locais para visitarem, agradecerem ou pedirem uma graça.

Uma das rotas desse turismo no Estado é a Igreja Nossa Senhora do Rosário, conhecida como a Igreja da Prainha, em Vila Velha. Construída em 1535, a igreja reabriu suas portas para as visitas guiadas na última quarta-feira.

O Santuário Diocesano Nossa Senhora da Saúde, em Ibiraçu, Norte do Estado, também está recebendo fiéis, sem a necessidade de agendamento, mas com número reduzido de pessoas durante as celebrações.

Bispo emérito da Diocese de Colatina e reitor do santuário, dom Décio Sossai Zandonade relatou que, apesar de não estar tendo romarias, as pessoas têm ido ao lugar. “Elas vêm com frequência, durante o dia, pedir proteção contra essa situação da pandemia”.

Dom Décio acredita que, mesmo quando houver a superação da pandemia do coronavírus, as pessoas tendem a buscar mais esses locais de fé.

A jornalista Marcelle Desteffani, de 31 anos, e o marido, o engenheiro da computação Henrique Selga, 28, amam conhecer novos roteiros de fé e sempre fazem turismo religioso. O casal esteve pela primeira vez no Santuário Diocesano Nossa Senhora da Saúde.

“O turismo religioso nos atrai muito, pela nossa fé católica. Em todo lugar que a gente vai, sempre buscamos conhecer uma igreja da região”, conta Marcelle.

“É uma forma de estarmos apreciando coisas belas, feitas pelos homens, e, ao mesmo tempo, sentindo a presença de Deus. É pegar o melhor da criação do homem com a de Deus”, relata Henrique.

Nove locais têm proteção como patrimônio cultural

No Espírito Santo, há nove locais religiosos tombados (com reconhecimento e proteção do patrimônio cultural), segundo a Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Elisa Taveira.

“A proteção tem como objetivo preservar e salvaguardar esses bens e as dinâmicas sociais que envolvem o universo religioso”, afirma.

Os locais tombados são: Outeiro, Convento e Igreja de Nossa Senhora da Penha e Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Vila Velha; Igreja de Santa Luzia, Igreja de São Gonçalo e Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Vitória; Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Guarapari; Igreja Nossa Senhora da Assunção, em Anchieta; Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, em Viana; e Igreja dos Reis Magos, na Serra.

“Temos igrejas com acervos de mais de 200 anos. Isso está dentro do componente religioso”, disse o secretário de Estado do Turismo, Dorval Uliana.

Beleza e paz

 (Foto: Leone Iglesias/AT)

Durante o período crítico do isolamento social, os irmãos Jheniffer Pires, 24, e Jhonatan Pires, 28, que são católicos, não puderam estar presencialmente na igreja. Agora, eles estão na expectativa da vacinação para poderem conhecer mais o turismo religioso no Estado.

Na última semana, os irmãos estiveram na Igreja dos Reis Magos, na Serra. “Conhecemos a igreja, mas quero poder voltar para visitar com mais calma. É um lugar muito bonito, que transmite muita paz e fé”, relatou Jheniffer.

Conexão com o divino e a natureza

Jenefer e Eduardo ficaram impressionados com a beleza do Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu. Na entrada do espaço, há a estátua do Grande Buda, considerada a maior do Ocidente, com 35 metros de altura (Foto: Beto Morais/AT)

Em muitos lugares de visitação religiosa, além da bela arquitetura e história, a natureza em volta das construções também ganha destaque. Isso faz com que muitas pessoas procurem pela conexão com o divino e com a natureza.

Esse é também um dos motivos que leva muitas pessoas ao Santuário Nossa Senhora da Saúde, em Ibiraçu, segundo dom Décio Sossai Zandonade, reitor do santuário.

“Há um grupo que vem aqui porque acha esse lugar de paz, por conta da natureza que o rodeia. É um lugar tranquilo e sereno, e as pessoas sentem que, quando chegam aqui, são dominadas por uma cultura de paz e harmonia”.

A professora Hosana Stofel, 52, frequenta o Santuário de Aracuí, em Castelo, Sul do Estado, há três anos, como um refúgio. “Tem horas que a gente precisa relaxar, e aqui é um bom lugar para se acalmar, fazer uma oração, pedidos e agradecimentos”, disse

O Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu, é outro lugar que tem atraído diversos visitantes nos últimos dias, principalmente devido à estátua do Buda gigante. Os autônomos Jenefer Alves, 20, e Eduardo Tavares, 26, foram até o local e ficaram impressionados com a sua beleza.

Ambos são cristãos e, segundo Jenefer, se interessam em adquirir novos conhecimentos e em outras práticas religiosas, como o budismo. “É um lugar tão tranquilo, onde sentimos uma paz ao ver a natureza tão linda e conservada”, declara Jenefer.

O abade do mosteiro, monge Daiju Bitti, destaca que a inauguração da estátua deve acontecer no final de abril. Já as visitações ao mosteiro dependem da situação da pandemia, mas estão previstas para voltar no próximo domingo.

Orientações

O secretário de Estado de Turismo, Dorval de Assis Uliana, frisou que a Secretaria de Turismo tem auxiliado os municípios quanto às normas adotadas, durante este momento de pandemia.

“Temos uma ação, que é a disponibilização do selo de ‘Turismo Responsável’, uma série de critérios técnicos a serem seguidos, além do uso de máscara e distanciamento”, disse.


Destaques da Rota da Fé


 (Foto: Arquivo AT)

Convento da Penha, em Vila Velha

  • O Santuário de Nossa Senhora da Penha foi fundado por frei Pedro Palácios, um frade espanhol que aqui chegou em 1558, trazendo consigo o Painel de Nossa Senhora das Alegrias.
  • Em 1562, ele construiu uma Capela dedicada a São Francisco de Assis, no local hoje denominado Largo do Convento (Campinho),
  • Em 1568, foi edificada, no cume do penhasco, a capela que recebeu a imagem de Nossa Senhora da Penha, vinda de Portugal em 1569.
  • Foi tombado como patrimônio histórico cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1943.

Funcionamento

  • A entrada é gratuita, sendo obrigatório o uso de máscara, utilização de álcool em gel e o distanciamento social. O acesso de automóveis particulares só está permitido aos 40 primeiros visitantes de segunda a sexta-feira. Funcionamento das 6h às 16h.

Igreja Nossa Senhora do Rosário, Vila Velha

  • Foi a primeira igreja a ser construída no Estado, tornando-se um marco da colonização espírito-santense.
  • Segundo historiadores, foi construída por Vasco Fernandes Coutinho, logo após sua chegada, em 23 de maio de 1535. A Igreja do Rosário é um bem tombado pelo Iphan.

Funcionamento

  • Na última quarta-feira, reabriu as portas para visitação. As visitas guiadas acontecem de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. É obrigatório uso de máscara.

Santuário-Basílica de Santo Antônio, em Vitória

  • A construção do santuário teve início em 1956 e foi finalizada em 1976. Possui quatro semicúpulas, uma cúpula central e sua base tem forma de cruz grega, isto é, todos os braços têm o mesmo tamanho.
  • Sua construção foi inspirada na arquitetura italiana renascentista da Igreja Nossa Senhora da Consolação, em Todi, Itália Central.

Funcionamento

  • Em razão da pandemia, os atendimentos são de segunda a sábado para orações, reflexões e visitas, no horário das 14 às 18 horas. Entre quarta-feira a sábado, a visita é acompanhada por um monitor que discorre sobre a história da basílica e suas pinturas.

Catedral Metropolitana de Vitória, na capital

  • Era uma igreja de estilo colonial, que começou a ser edificada em 1551, quando Vitória ainda se chamava Vila Nova. Com a criação da Diocese do Espírito Santo (1895) e a nomeação do primeiro bispo, dom João Batista Correia Nery, a igreja recebeu o título de Catedral.

Funcionamento

  • Horário de Visitação: Todos os dias, das 7h às 19h. Visitantes devem usar máscara.

Igreja dos Reis Magos, Serra

  • A Igreja foi construída pelos jesuítas com a ajuda dos índios tupiniquins, entre 1580 e 1615. O local, que foi tombado pelo Iphan em 1943, abriga a primeira tela em óleo sobre madeira pintada no Brasil, o quadro Adoração dos Reis Magos.

Funcionamento

  • De terça a domingo, das 9h às 17h. Não precisa agendar visita, exceto em casos de grandes grupos. É necessário usar máscara e álcool para higienização das mãos.

Santuário de Aracuí, Castelo

  • O Santuário Imaculada Esposa do Espírito Santo, também conhecido como Santuário de Aracuí, foi erguido em homenagem a Nossa Senhora Imaculada Esposa do Espírito Santo, em 13 de maio de 1994.

Funcionamento

  • Está aberto diariamente das 7h às 18h. Deve-se usar máscara.

Mosteiro Zen Morro da Vargem, Ibiraçu

  • Foi fundado em 1974, sendo o primeiro mosteiro budista da América Latina. Na entrada do espaço, há a estátua do Grande Buda, a maior do Ocidente, com 35 metros de altura, chegando a 38 metros, se for considerado seu pedestal.

Funcionamento

  • A partir do próximo domingo, o mosteiro volta a receber visitantes, com restrição no número de pessoas. Será obrigatório o uso de máscara, álcool e distanciamento. Taxa de manutenção da reserva ambiental, R$ 15 (adulto) e R$ 5 (crianças de 5 até 10 anos de idade).

Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Saúde, Ibiraçu

  • Na segunda metade do século XIX, imigrantes italianos chegaram a Ibiraçu e trouxeram ao município sua religiosidade, com a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Saúde. Em 2007, o papa Bento XVI aprovou o pedido de dom Décio Sossai Zandonade, e elevou Nossa Senhora a padroeira diocesana.

Funcionamento

  • De segunda a sexta. Horário de visitação das 7h às 17h. Aos sábados e domingos, das 7h às 20h. Uso obrigatório de máscara.

Santuário Nacional de São José de Anchieta, Anchieta

  • O templo católico se destaca pela relevância religiosa, cultural e histórica, além de homenagear o lugar onde o padre José de Anchieta passou os últimos anos de sua vida. Foi tombado pelo Iphan em 1943.

Funcionamento

  • Aberto todos os dias, a partir das 8h até o horário em que as missas ocorrem, conforme programação. Deve-se usar máscara.

Fonte: Locais, igrejas e prefeituras consultadas.

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