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Teste de saliva para revelar endometriose

Novo exame promete detectar a doença em 10 dias, melhorando o tratamento. Hoje, o diagnóstico leva, em média, dez anos

Por causa da endometriose, a fisioterapeuta Tatiana Serra Serafim, 43, precisou operar o intestino em 2019 e ficou um ano tentando engravidar. Hoje ela tem o Bruno, de 3 meses.

Última atualização

Mais de 10 anos. Essa é a média de tempo para que uma mulher com endometriose consiga diagnóstico. A doença, em que há presença de célula endometrial fora do útero, é caracterizada por uma inflamação crônica.     

A endometriose é responsável por causar dores pélvicas intensas e até infertilidade, e muitas vezes os sintomas são confundidos. Porém, um novo teste de saliva promete reduzir o tempo de diagnóstico para 10 dias, segundo foi anunciado pela fabricante, a empresa francesa Ziwig.  

A médica ginecologista Thaissa Tinoco, especializada em tratamento da endometriose, explicou que apesar de o teste ainda não ser comercializado, ele já está pronto. 

“Muitas mulheres perdem tempo no tratamento por conta do diagnóstico, que demora de oito a 10 anos. O que a empresa francesa quer é ter um diagnóstico fácil”.

 













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“Segundo o fabricante, o teste tem uma sensibilidade de 80 a 90%. Ele detecta marcadores da endometriose na saliva. Isso permitiria um diagnóstico precoce e as mulheres poderiam ser tratadas mais cedo, evitando casos mais graves e complexos”.

Atualmente, segundo a ginecologista Karin Rossi, vice-presidente da Sociedade Ginecologia e Obstetrícia do Espírito Santo, o diagnóstico da doença é clínico e também  podem ser feitos exames de imagens. “Temos o ultrassom com preparo de intestino, ressonância da pelve e laparoscopia”.

A médica alerta ainda para as adolescentes que sentem dores e cólicas associadas à náuseas. “Se elas tiverem dor pélvica no período menstrual, elas podem ter endometriose. É importante procurar um ginecologista”.  

  

Nova vida depois da cirurgia

Foram 16 anos de dores até  a fisioterapeuta Tatiana Serra Serafim, 43, receber o diagnóstico de endometriose. Ela conta que tinha infecção urinária de repetição e depois de passar por vários médicos, que não identificaram a doença,  foi encaminhada para uma especialista.

“Eu tinha dores, cólicas, meu fluxo era intenso. Tinha focos da doença na bexiga, útero e intestino. Em 2019,  operei e precisei tirar parte do intestino. Fiquei um ano tentando engravidar, hoje tenho o Bruno, de 3 meses. Depois da cirurgia tenho outra vida”, conta.


Saiba mais:

Cólica menstrual é um dos sintomas

Endometriose

Doença em que há  presença de célula endometrial  fora do útero, caracterizada por uma inflamação crônica.

Cerca de 10% da população feminina em idade fértil no mundo sofre com a enfermidade.

No Estado, segundo especialistas, o problema atinge cerca de 115 mil mulheres, considerando a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  com idades entre 18 e 40 anos.

Sintomas e diagnóstico

Entre os sintomas, estão: cólicas menstruais intensas; dor pré-menstrual; dor durante as relações sexuais; dor difusa ou crônica na região pélvica; sangramento menstrual intenso; alterações intestinais ou urinárias  e infertilidade.

A doença começa na adolescência e pode iniciar nas primeiras menstruações, mas a paciente, geralmente, só vai ter o diagnóstico mais de 10 anos depois, pelo fato de, muitas vezes, os sintomas serem pouco valorizados. 

Atualmente, o diagnóstico é clínico e por exames de imagem. O tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico.

Fonte: Especialistas consultados e pesquisa AT.

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