Uma pesquisa de doutorado da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) mostra que, em média, de 390 crianças sofrem algum tipo de violência, a cada ano, no Estado.
Desse levantamento, 32,5% dos casos ocorrem de maneira recorrente. Ou seja, uma em cada três crianças de 0 a 9 anos sofre algum ato de violência no cotidiano.
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O caso mais recente de grande repercussão aconteceu na última terça-feira, quando o pequeno Jorge Teixeira da Silva Neto, de 2 anos, morreu após ser torturado, estuprado e morto, segundo laudo médico da perícia. Os pais, que estão presos são os principais suspeitos do crime ocorrido em Vila Velha.
Os dados da pesquisa foram identificados pela nutricionista Márcia Pedroso, doutora em Saúde Coletiva pela Ufes. As informações analisadas no estudo são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Sistema Único de Saúde (SUS).
Márcia Pedroso explica que esses números refletem apenas uma parcela do público infantil que sofre violência no Estado.
“A análise foi feita com base nos dados de notificações de 2011 a 2018. O quantitativo revelou 3.127 casos, o que leva a uma média de 390 por ano. Mas, é importante ressaltar que são apenas os números que chegaram ao conhecimento dos serviços de notificação, acreditamos que o número seja ainda muito maior”, diz.
Márcia destaca que a violência sexual foi a mais notificada, registrada em quase metade dos casos.
“A violência mais prevalente foi a sexual (41,8% dos casos), seguida da negligência (31,3%) e a física (23,6%). Outros registros menos recorrentes são de violência autoprovocada, como suicídio e autoflagelação”, pontua, alertando para a naturalização da violência na sociedade.
“Temos de parar de naturalizar atos de violência, que passam, muitas vezes, despercebidos, na sociedade”, ressaltou.
Já a psicóloga Marina Miranda diz que atos violentos criam uma série de consequências para o desenvolvimento dessas crianças, como culpa e até ansiedade.
Monique Nogueira, psicóloga clínica, destaca a importância da criação de redes de apoio. “O apoio e o cuidado social são de extrema importância para essas vítimas. Precisamos criar redes de apoio para elas. A escola, os vizinhos, a sociedade como um todo precisam ser mais empáticas e conscientes para amparar e cuidar das nossas crianças”.
O ESTUDO
– Pesquisa da Ufes aponta que 32,5% dos casos de violência contra as crianças de 0 a 9 anos são recorrentes (acontecem mais de uma vez).
– Entre 2011 e 2018, aconteceram 3.127 casos de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Sistema Único de Saúde (SUS), que registra casos de notificação compulsória.
– 41,8% dos casos são de violência sexual; negligência (31,3%) e violência física (23,6%), segundo a pesquisa.
Fonte: Sinan, SUS e doutora em saúde coletiva Márcia Pedroso.