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Transporte de ônibus pode parar, dizem empresários

Diante da queda no número de passageiros por conta do isolamento social, as empresas de transporte público correm o risco de paralisar suas ...

Ônibus ficaram estacionados na garagem da Viação Tabuazeiro, empresa que é responsável por 23 linhas que circulam em Vitória, durante a paralisação

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Diante da queda no número de passageiros por conta do isolamento social, as empresas de transporte público correm o risco de paralisar suas atividades por falta de recursos para pagar os funcionários.

É o que afirma Jerson Picoli, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado (Setpes), responsável pelos ônibus de Vitória.

Ônibus  ficaram estacionados na garagem da Viação Tabuazeiro, empresa que é responsável por 23 linhas que circulam em Vitória, durante a paralisação (Foto: Leone Iglesias/AT)O prejuízo é resultado do forte desequilíbrio entre oferta e demanda. Segundo o sindicato das empresas, os ônibus perderam 83% dos passageiros desde que a quarentena teve início, há um mês.

Aproximadamente 67 mil pessoas por dia deixaram de utilizar o transporte público da capital. Por conta disso, somente 79 dos 204 ônibus estão circulando, de acordo com o Setpes.

“Os ônibus estão transportando durante a semana menos indivíduos do que costumam transportar aos domingos, o que está provocando baixa arrecadação e causando colapso. As empresas de transporte público coletivo urbano correm o risco de paralisar suas atividades”, disse Picoli, em nota.

O representante das empresas, no entanto, ressaltou que a paralisação pode acontecer, mas essa não será uma decisão do setor. “Temos responsabilidade social e sabemos da relevância desse serviço essencial”, disse.

Paralisação

O reflexo da crise já é sentido pelos passageiros. Ontem, cerca de 350 funcionários da Viação Tabuazeiro cruzaram os braços por atraso no pagamento. A empresa é responsável por 23 linhas que circulam em Vitória.

Motoristas e cobradores cruzaram os braços por causa do atraso no pagamento (Foto: Fábio Bunes/AT)“As empresas estão com arrecadação de apenas 20% do faturamento, o que inviabiliza o pagamento de todas as despesas para operação da frota”, informou o Setpes, em nota.

A paralisação vai continuar até que os funcionários sejam pagos, segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Estado (Sindirodoviários-ES), José Carlos Sales.

Em relação aos ônibus do sistema Transcol, o governo do Estado diz que houve queda de 60% dos passageiros (360 mil pessoas), mas não há perspectivas de demissões, “pois o sistema precisa da mão de obra disponível para manter a frota operando além da demanda para evitar lotação nos coletivos”, informou a nota.

Pedido de ajuda é feito à Prefeitura de Vitória

Com dificuldade para manter a circulação dos ônibus durante o isolamento social, as empresas que operam o transporte público de Vitória protocolaram na prefeitura da capital um pedido de auxílio emergencial.

Segundo o Setpes, foi solicitada a criação de um programa emergencial para manutenção da receita, como foi feito em outras cidades do País. Isso inclui, por exemplo, aquisição de créditos de vale-transporte e pagamento do combustível.

Procurada pela reportagem, a prefeitura informou que está avaliando o contexto da situação e “uma solução conjunta com outras secretarias”. Disse ainda que a questão trabalhista deve ser resolvida entre empregado e empresa.

Sobre o pagamento dos salários, o Setpes disse, em nota, que empresa Tabuazeiro está buscando “o melhor caminho para que as atividades sejam retomadas”.

Enquanto isso não acontece, o presidente do Sindirodoviários-ES, José Carlos Sales, garante que paralisação vai continuar até que a empresa envie uma proposta aos trabalhadores. Ele também não descarta paralisações em outras empresas caso o problema financeiro e o atraso se espalhem.

“Somos cobrados para trabalhar, então precisamos de garantias. Caso isso não aconteça, podemos parar e cruzar os braços de novo. Não dá para trabalhar sem dinheiro, ainda mais correndo risco de vida nesse momento”, afirmou.
 

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