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Para trazer melhorias ao tratamento de pessoas que sofrem acidente vascular cerebral (AVC), reduzindo sequelas e evitando mortes, médicos pesquisadores brasileiros criaram estudos clínicos para tratamentos inovadores. Há a participação, inclusive, de profissionais capixabas.
Há, pelo menos, quatro pesquisas clínicas em andamento no Espírito Santo, em que três foram criadas por brasileiros e a outra é internacional. Os pesquisadores são neurologistas e neurocirurgião do Hospital Estadual Central (HEC), único do Estado que está participando desses estudos.
Tratando-se de AVC, minutos podem salvar vidas. Pensando nisso, dois estudos pretendem ampliar o período possível de realizar tratamentos aos pacientes que chegam às unidades de urgência, já que a maioria chega muito tempo depois do início do AVC.
Um deles, o Resilient Extend, busca fazer a trombectomia (procedimento que usa cateter para desobstruir o vaso sanguíneo) acima de 8 horas do início dos sintomas. Até então, o que é padronizado é fazer a técnica em até 8 horas.
“A trombectomia aumenta a chance de o paciente ficar independente e com muito menos sequelas em mais de 50%, mas esse tratamento é feito somente em AVCs isquêmicos, com obstrução de grandes vasos”, explicou a médica neurologista e coordenadora da unidade AVC do HEC, Rúbia Rasseli Sfalsini, participante dos estudos.
O outro é o Resilient Extend IV, que busca estender o tratamento venoso (por veias) para de 8 a 24 horas. Hoje, esse procedimento só pode ser feito em pacientes que chegam em até 4h30 ao hospital.
“O objetivo é sempre poder estender o tratamento: oferecer tratamento a mais pacientes que cheguem atrasados, mas temos de ter uma margem de segurança”, explicou o neurologista do HEC e coordenador-médico da Unidade de AVC, José Antônio Fiorot Júnior.
Outra pesquisa, relacionada aos dois estudos anteriores, é o Resilient Direct TNK, que abordará a possibilidade de usar a tenecteplase (TNK), substância utilizada de forma venosa para tratar infarto do miocárdio, também no AVC.
O quarto estudo é o We-Trust, que busca reduzir o tempo de seleção do paciente após chegar às unidades em cerca de 30 minutos. “Com isso, o objetivo é melhorar os desfechos clínicos, que são mortes e sequelas”, ressaltou o neurocirurgião Leandro de Assis Barbosa.
O AVC já gerou mais de 3.362 internações em hospitais da rede estadual neste ano. Entre os sintomas, estão perda da força e tontura.