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CORRENTE DO BEM

Três mil pessoas fazem trabalhos voluntários no Estado

Estudo aponta que o trabalho voluntário traz diversos benefícios, como fortalecimento de vínculos, sensação de propósito e autoestima

Os jovens Isadora Menezes, 20, Marina Cunico, 16, Janaina Muniz, 29, e Cayo Simões, 30, se dedicam em atividades de voluntariado no Estado.

Última atualização

Doar o próprio tempo para transformar milhares de vidas. Essa atitude é bem comum e é fácil encontrar pessoas que fazem trabalhos voluntários, seja na igreja, em uma associação ou em projetos sociais.

Com o nobre objetivo de ajudar crianças, idosos e famílias, 3,2 mil pessoas no Estado formam uma verdadeira “corrente do bem”, colaborando em causas sociais. 

O dado é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 2019. O Estado ocupa a 12 posição no ranking nacional do número de voluntários. 

E quem nunca ouviu falar que ajudar ao próximo traz benefícios a si mesmo? O ditado não é apenas uma crença, apontam especialistas.  O psicólogo e psicoterapeuta Gerson Abarca explica que o trabalho voluntário remete a uma perspectiva altruísta, ou seja, uma condição de comportamento em que a pessoa sai de si e olha para a necessidade do outro. 

O especialista aponta que, de acordo com pesquisas, o altruísmo tem relação direta com a felicidade.  “Pessoas com maior índice de felicidade são as que têm maior perfil altruísta. Além disso, o voluntariado faz com que o sujeito se encontre com outras realidades, fora do seu reduto, e amplie seu conhecimento de mundo”. 

 Fortalecimento de vínculos, sensação de propósito e autoestima. Quando a entrega é genuína, os benefícios aos voluntários são tantos que é possível, até mesmo, construir novos sentidos de vida. Já na esfera social, o trabalho filantrópico  conscientiza os cidadãos, conta a psicóloga clínica Monique Nogueira. 

 “O cidadão se torna mais ativo na sociedade. O trabalho voluntário desenvolve a empatia do ser humano e, sem dúvida, amplia a cidadania e o desenvolvimento político. No Brasil, por conta da desigualdade, muitos se colocam para ajudar ao próximo em ações comunitárias, independentes de governos”. 

 Para a psicóloga Vanessa Cristina, o voluntariado é uma maneira de explorar os próprios interesses e paixões de forma divertida. A psicóloga destaca que, além de fazer bem ao outro, o ato de se doar para uma causa trabalha a autoconfiança e a autoestima. 

“Sabemos que é difícil encontrar tempo para se dedicar a alguma causa que não seja a si próprio, com nossas rotinas pessoais, de trabalho e o nosso dia a dia atarefado, mas precisamos entender a importância de ajudar o próximo”, destaca Vanessa.

 
















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Dar voz a histórias reais

Tempo. É desta forma que a fotógrafa e estudante Isadora Menezes, 20, descreve sua maior doação com o voluntariado. Ela integra o Instituto Estrelar, voltado a diversas ações de ajuda ao próximo, e é co-fundadora do “Vix Invisível”, que busca dar visibilidade a histórias  de pessoas em situação de rua.

Engajamento desde cedo

Esperança. Já cedo, aos 5 anos, a estudante Marina Cunico, 16, começou a realizar trabalhos voluntários. Esperança é o que a adolescente entrega ao próximo.

Durante a pandemia, ela fundou o projeto “O bem que contagia” para ajudar famílias em situações de vulnerabilidade.

Combate à desigualdade

Amor. Com o olhar carinhoso e a motivação para ajudar o próximo, a investidora Janaina Muniz, 29, dedicou seu tempo para a fundação do projeto “Invisíveis”, durante a pandemia. O amor ao próximo e a luta por sociedade mais justa motivam a voluntária a trabalhar em prol do bem social.

Até viagens em voluntariado

Fé. Desde a infância, o voluntariado faz parte da vida do designer Cayo Simões, 30, em ações de sua igreja. Com a dedicação de seu tempo, ele leva a fé para outras pessoas. O engajamento é tão genuíno que o jovem já foi, até mesmo, realizar ações de ajuda ao próximo na Amazônia.

Natal mais feliz com presentes

As voluntárias do Instituto Ame Mais Thais  Possi, 33, Dalila Pereira, 32, e Carla Emmerick, 39, realizam diversas ações para assistência de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.

Na última semana, as amigas realizaram uma ação de entrega de presentes para cerca de 150 crianças, como os pequenos Theo, 4,  Marllon, 5,  Maria Luiza, 5, e Ana Luiza, 12.

“Minhas avós sempre tiveram esse espírito de ajudar ao próximo. Cresci observando isso, até que chegou a minha vez”, conta a fundadora do Instituto Ame Mais e teóloga Dalila Pereira.

Natal mais feliz com presentes

As voluntárias do Instituto Ame Mais Thais  Possi, 33, Dalila Pereira, 32, e Carla Emmerick, 39, realizam diversas ações para assistência de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.

Na última semana, as amigas realizaram uma ação de entrega de presentes para cerca de 150 crianças, como os pequenos Theo, 4,  Marllon, 5,  Maria Luiza, 5, e Ana Luiza, 12.

“Minhas avós sempre tiveram esse espírito de ajudar ao próximo. Cresci observando isso, até que chegou a minha vez”, conta a fundadora do Instituto Ame Mais e teóloga Dalila Pereira.

Brasil é 18º mais solidário

O caráter solidário dos brasileiros parece ter crescido nos últimos anos. De acordo com pesquisa,  o Brasil entrou para a lista dos 20 países mais solidários do mundo, ocupando a 18 posição.

O ranking World Giving Index 2022 é elaborado pela organização  Charities Aid Foundation (CAF). Em relação ao ano passado, o País subiu 36 posições. 

O documento aponta que, apesar das dificuldades  econômicas, os brasileiros se interessam em ajudar ao próximo, tanto com doações financeiras quanto com trabalho voluntário. 

O psicólogo e psicoterapeuta Gerson Abarco analisa que o voluntariado que mais  faz a diferença é aquele que cria demanda de crescimento ao outro.  

“Existe uma falsa impressão de que somos voluntariosos. No entanto, o brasileiro ajuda no voluntariado emergente, sem dedicar muito tempo nisso. Essas ações são paliativas e não geram ações de intervenção em políticas públicas”, explica. 

 Já a  psicóloga clínica Monique Nogueira argumenta que os períodos difíceis podem ser uma oportunidade para o desenvolvimento pessoal, apesar dos desafios.

“O momento de dificuldade pode ser  potente para desenvolver o melhor de nós. Com a crise econômica, formou-se uma ‘onda do bem’, ainda mais quando percebe-se que só o Estado não dá conta (de intervir na situação)”.

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