
Desde janeiro, seis casos de ataques foram registrados pelo Departamento de Atenção à Saúde (DAS), da Ufes, porém há relatos de vários outros casos que não foram atendidos pelo órgão.
A reportagem de A Tribuna esteve no local e ouviu alunos que relatam que os animais abandonados circulam livremente no campus e atacam sem motivo.
A estudante de Direito, Maria Letícia de Oliveira, 23 anos, foi mordida quando chegava na universidade, às 6h30. Ela teve um ferimento na perna e precisou ficar afastada das aulas.
“Dois cachorros me atacaram eu cai. Fiquei com medo de que os outros animais me atacassem também”, diz a estudante que ainda carrega na perna a cicatriz das mordidas.
Maria ainda conta que após o incidente, foi socorrida por outros alunos, já que a vigilância da instituição demorou a chegar ao local.
Para ela, os animais não poderiam permanecer na universidade. “Eles deveriam ser retirados imediatamente. Não é que pode acontecer um problema, já aconteceu! Eu tenho a marca na minha perna e se pegar na perna de uma criança?”, desabafa.
Já para a aluna do curso de Educação Física, Amanda Requião Saldanha, 21 anos, que já presenciou os cães correndo atrás de outros alunos, os animais já se acostumaram no campus e sempre voltam à procura de comida.
“A Ufes fala que vai pegar, que eles vão tirar, mas, os cachorros continuam voltando. É um problema antigo.”
Em junho, a reportagem de A Tribuna já havia denunciado a situação. Na época, a Ufes informou que estava em andamento uma ação para a adoção de medidas adequadas e efetivas na solução do problema.
Por meio de nota, a Ufes informou que uma nova ação para tentar capturar os animais será realizada no decorrer desta semana e contará com o apoio da Polícia Militar Ambiental e da Prefeitura de Vitória.
“Fiquei sem frequentar aulas. Estava traumatizada”, diz estudante
A universitária Maria Letícia conta o que sentiu após ser atacada por um cachorro dentro do campus da Ufes.
A Tribuna – Quando você sofreu o ataque o que passou por sua cabeça?
Maria letícia – Como eu caí, tive medo que outros animais atacassem o meu pescoço. Fiquei um bom tempo sem frequentar as aulas porque estava traumatizada, com pavor da Ufes.
Depois do ocorrido, a universidade te procurou?
Não, não me procuraram. Não falaram nada. A única pessoa que me ligou para saber se eu tinha tomado todas as doses da vacina foi a responsável do pronto atendimento da prefeitura. Mas, a universidade não falou mais nada.
Você passou a ser mais vigilante depois do incidente?
Sim, evito andar sozinha e passei a observar sempre. Afinal, não tem muito o que fazer, pois os animais estão soltos.