A cena inusitada de uma mulher que levou cinco tiros do namorado e mesmo assim, no julgamento do caso, abraçou e beijou o réu chama ainda mais atenção pelas declarações da vítima após a condenação. “Vamos tentar nos acertar, ter nossa casa e casar”, disse.
O caso aconteceu na cidade de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, na terça-feira (28). Durante o julgamento, Micheli Schlosser, 25 anos, alegou que tudo aconteceu depois que ela provocou o réu, Lisandro Rafael Posselt.
O crime foi na noite de 11 de agosto de 2019. O casal tinha um relacionamento de um ano e seis meses e, depois de almoçar na casa de um familiar do acusado, pararam para tomar chimarrão e sorvete. Foi então que Micheli teria visto mensagens de uma outra mulher do celular de Lisandro.
Revoltada, ela narrou que passou a provocar o namorado. “Eu falei que iria ficar com os amigos dele e que iria denunciar ele por estupro”, disse Micheli.
Logo após a discussão, Lisandro saiu de moto e retornou minutos depois com um revólver calibre 22. Ele deu cinco tiros nela: dois na cabeça, dois no braço esquerdo e um nas costas.
Em entrevista à reportagem do Grupo Independente, Micheli disse que a iniciativa de beijar o namorado durante o juri já havia sido pensada e era algo que ela “queria muito”.
A mulher, inclusive, já havia pedido para visitar Lisandro na prisão, o que não foi autorizado porque Micheli tinha medidas protetivas contra ele.
“De todos os homens que eu tive, foi um dos melhores”
A vítima disse que a relação entre eles era boa e Lisandro nunca havia sido agressivo. Micheli acredita que as ofensas que ela fez por causa das mensagens no celular foram suficientes para o crime, que ela resume como um fato isolado.
“De todos os homens que eu tive, ele foi um dos melhores. Não posso reclamar, ele não é uma pessoa ruim. Me tratava de forma melhor impossível, me levava para tudo que é lugar. Eu era uma rainha para ele”, afirma a vítima.
O réu foi condenado a sete anos de prisão, mas vai cumprir em liberdade porque não possui antecedentes e a pena foi menor do que oito anos.
Juiz surpreso
O beijo entre vítima e réu surpreendeu o juiz-presidente da sessão, João Francisco Goulart Borges.
Logo que entrou no plenário, Micheli pediu autorização para beijar o acusado, o que não foi permitido. No entanto, logo depois de prestar seu depoimento, ela foi em direção ao réu e o beijou.
“Me surpreende uma mulher vítima de cinco tiros ter esse desejo, de manter uma relação, um contato, com o autor do crime. É surpreendente”, definiu o juiz.
